sábado, 8 de janeiro de 2011

NOVO FOGUETE LANÇADOR

A Aeronáutica está planejando um novo foguete lançador de satélites brasileiro. O VLS-Beta, como está sendo chamado, deve substituir a partir de 2020 o malfadado VLS-1, que pegou fogo em 2003, matando 21 pessoas.



O VLS-Beta integra uma proposta entregue na semana passada à equipe do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia). Ela foi elaborada pelo DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Espacial), da Força Aérea Brasileira, pelo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pela AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil).



Seu objetivo é aproveitar o governo que entra para influir no rumo da política espacial, que sofre cronicamente de falta de planejamento, financiamento e integração entre seus atores. A conta apresentada a Mercadante é salgada: para o setor de satélites, seriam R$ 500 milhões por ano a partir de 2016. O desenvolvimento de foguetes nacionais precisaria de R$ 160 milhões ao ano, subindo para R$ 210 milhões de 2016 a 2017.



Para comparação, todo o PNAE (Programa Nacional de Atividades Espaciais) terá em 2011 R$ 350 milhões. O que as três instituições prometem em troca é o desenvolvimento de um parque industrial de alta tecnologia -algo equivalente ao que a Embraer representa hoje.



CRUZEIRO DO SUL

O VLS-Beta integra a família de lançadores Cruzeiro do Sul, substituta do VLS.

Ele representa uma inovação em relação ao VLS-1, um projeto da década de 1980 que caducou e é considerado um "beco sem saída tecnológico", incapaz de colocar em órbita cargas maiores que 150 kg (satélites de observação pesam dez vezes isso).



O VLS-1, cujo voo inaugural será em 2015, tem um sistema de propulsão considerado antiquado, com quatro motores no primeiro estágio. A Aeronáutica quer concluí-lo como "demonstrador tecnológico", mas sabe que o foguete não tem futuro. O Beta teria só um motor no primeiro estágio e poderia colocar em órbita satélites já em desenvolvimento no país, como os da série Amazônia (de monitoramento da floresta) e Lattes (de pesquisa de clima espacial e de raios-X).

Antes de o Beta ficar pronto, porém, o DCTA quer usar uma evolução do VLS-1, batizada Alfa, para lançar satélites do Inpe a partir de 2015.



A parte alta do foguete, crucial para transportar a carga útil, seria desenvolvida em parceria com algum país que domine a tecnologia. A Aeronáutica trabalha também, com a Alemanha, no desenvolvimento de um foguete pequeno, o VLM-1, a ser lançado a partir de 2015. Os dois foguetes são uma resposta dos militares à parceria Brasil-Ucrânia para lançar o foguete ucraniano Cyclone-4 a partir de Alcântara, com fins comerciais.



O ex-ministro Sergio Rezende (PSB) apostou nela para suprir a deficiência do VLS-1. A Aeronáutica nunca engoliu o Cyclone, que abocanha recursos que poderiam ser do foguete nacional.

NARCOTERROR

País bancará ação antitráfico em vizinhos

Novo ministro da Justiça diz que Brasil vai subsidiar erradicação de drogas em países como Bolívia e Paraguai. José Eduardo Cardozo defende ainda reforço de fronteiras e diz que PF será eficiente e sem "espetacularização"





FELIPE SELIGMAN / BERNARDO MELLO FRANCO





O governo Dilma Rousseff vai subsidiar países vizinhos em ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado. O anúncio foi feito ontem pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).



A decisão deve beneficiar países que possuem centros produtores de drogas, como Bolívia e Paraguai. "Teremos que subsidiar iniciativas e fazer operações integradas", disse Cardozo, após tomar posse. "Alguns países de fronteira não têm a capacidade operacional e os recursos que nós temos."



Cardozo não quis antecipar valores, mas deixou claro que a cooperação envolverá repasses de dinheiro. "Se for necessário que subsidiemos alguma coisa, temos que fazê-lo, nos limites da lei." Os EUA já subsidiam ações desse tipo por meio do Plano Colômbia, direcionado ao combate às narcoguerrilhas.



Se sair do papel, a ajuda será um passo além nas conversas com vizinhos iniciadas pelo ex-ministro Luiz Paulo Barreto, que volta à secretaria-executiva da pasta.

O novo titular da Justiça também defendeu reforço no policiamento das fronteiras. Disse que se reunirá nesta semana com Nelson Jobim (Defesa) para negociar parcerias entre a Polícia Federal e as Forças Armadas.



Na PF, Cardozo prometeu "eficiência máxima, sem espetacularização das ações".

O ministro anunciou também que apresentará um projeto de pacto nacional contra o crime organizado e disse que o combate à corrupção será um "divisor de águas" a ser estabelecido "imediatamente" por Dilma.



Cardozo, que não concorreu à Câmara, foi alçado ao primeiro escalão após integrar a coordenação da campanha. Ele, Antonio Palocci e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, foram apelidados de "três porquinhos".



Chegou a ser cotado para assumir a pasta em 2010, mas foi vetado por Lula pelo discurso rígido contra petistas envolvidos no mensalão. Ontem, recebeu aplausos no discurso ao enaltecer Lula e alfinetar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.



Disse que o "líder operário e monoglota" falou a "língua da paz e da soberania" no exterior, enquanto "líderes poliglotas", no passado, "falaram a língua da subserviência e da submissão".

DEVOLUÇÃO DOS PASSAPORTES

 O filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, disse, através do Twitter, que vai devolver o passaporte diplomático recebido pelo Itamaraty.




"Vou (devolver), aliás, nem vi... Devolvo o antigo também, sem nenhuma escrita nele, branco como chegou", escreveu no site.



Ele declarou que somente viajou para a Argentina e para o Paraguai, que exigem somente documentos de identidade para brasileiros, mas não usou o passaporte em outras viagens durante os mandatos de Lula.



De acordo como o jornal "Folha de S. Paulo", os passaportes diplomáticos foram expedidos dois dias antes do final do mandato de Lula e teria sido feita em "caráter excepcional" e "em função de interesse do país", sem justificativa. Ao se tratar de dependentes de autoridade, a concessão só é legal até 21 anos, com exceção de estudantes (até 24 anos) ou portadores de deficiência.

Fez muito bem esta devolução parabéns aso filhos do Presidente Lula , assim encerra esta polêmica.

TRATADOS COM O EXTREMO ORIENTE

 As trocas na área de alta tecnologia com o Japão e com a Coreia do Sul deram a tônica dos encontros mantidos neste domingo da presidenta Dilma Rousseff com o primeiro-ministro da Coreano, Kim Hwang-Sik e com o ex-primeiro ministro do Japão, Taro Aso. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, Dilma tratou com o primeiro-ministro da Coreia sobre a cooperação na área de energia nuclear, petróleo e construção naval.




De acordo com o ministro, Hwang-Sik também manifestou desejo de firmar acordos com o Brasil. "Foi um debate substantivo em que se falou de parceria estratégica em áreas de alta tecnologia. Há desejo mútuo de intensificar a cooperação na área de energia nuclear, petróleo e construção naval", disse o chanceler brasileiro que acompanhou a presidenta nas conversas.



Com a Coreia do Sul, o Brasil também quer equilibrar sua balança comercial. "Vamos examinar uma forma de equilibrar o comércio. Hoje temos um déficit com a Coreia do Sul e eles chegaram a falar na hipótese de um acordo comercial entre a Coreia e o Mercosul".



No primeiro semestre de 2010, as exportações brasileiras para a Coreia foram de US$ 2,17 bilhões e as importações chegaram a US$ 5,61 bilhões. A ideia de um acordo comercial com os países do Mercosul já foi defendido, em setembro de 2010, pelo vice-ministro do Ministério da Economia do Conhecimento da Coreia do Sul, Kyungsik Kim.



A presidenta também conversou, tanto com o ex-primeiro ministro do Japão, quanto com o primeiro ministro da Coreia, sobre o trem de alta velocidade.



Dilma e Taro Aso se conhecem há mais de cinco anos, desde que a então ministra Chefe da Casa Civil esteve no Japão para celebração dos 100 anos da imigração japonesa. "Dilma agradeceu papel do Taro Aso como presidente do grupo parlamentar nipo-brasileiro e também todo o apoio que ele deu na tramitação no Congresso de um acordo de previdência que beneficia os imigrantes brasileiros no Japão", disse Patriota.



Após os encontros, Dilma retornou para a Granja do Torto, onde deve morar por mais 15 dias, antes de se mudar para o Palácio da Alvorada. Não há compromissos oficiais previstos para a tarde desse domingo na agenda da presidenta da República.

CASO BATISTI

 O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que não vê “a possibilidade de a Itália recorrer” da decisão do ex-presidente Lula de negar a extradição de Cesare Battisti para a Itália. “A decisão foi tomada e acho que encerra o processo de extradição”.




Adams disse que a decisão do Supremo Tribunal Federal, agora, é sobre a expedição do alvará do soltura de Battisti, preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal. Ele afirmou ainda que não existe nenhuma possibilidade de recurso, por parte da Itália, em tribunais internacionais contra a decisão brasileira.



Sobre a condição de Battisti, o advogado-geral da União informou que a decisão será de competência do Ministério da Justiça. “O presidente tomou a decisão contra a extradição. A condição dele como estrangeiro-brasileiro é uma condição que vai ser tratada no âmbito do Ministério da Justiça. Ainda não tem como me posicionar”, disse ele.



O novo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse, durante a cerimônia de posse da presidenta Dilma Rousseff, que a decisão do ex-presidente Lula de negar a extradição de Cesare Battisti para a Itália o deixou “absolutamente confortável”. A decisão de conceder status de refugiado ou asilado a Battisti foi de Tarso Genro, quando ocupava o cargo de ministro da Justiça, em janeiro de 2009.

ALEMANHA E BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

A Alemanha espera se juntar ao Brasil e Índia para pressionar pela reforma do Conselho de Segurança (CS) da ONU em 2011, ano em que os três países estarão juntos no órgão.




O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores alemão, Andreas Peschke, disse nesta quarta-feira (5) que a Alemanha acredita que a era do pós-guerra, em que foi criado o Conselho com cinco membros permanentes com poder de veto - Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China - já acabou e que mudanças são necessárias.



O intitulado “Grupo dos Quatro” (G4), composto por Brasil, Japão, Índia e Alemanha, pressiona há quatro anos por assentos permanentes. Peschke afirmou que todos esses países, com exceção do Japão, ocuparão os assentos rotativos do órgão este ano.



- Claro que esperamos usar este momento porque, na nossa visão, já é hora de termos uma reforma do CS, simplesmente porque ele não reflete o mundo como é hoje.



CS é órgão mais importante da ONU



Conselho de Segurança é o órgão responsável pelas decisões mais importantes da ONU, como a criação de operações de paz e a imposição de sanções.



Para Peschke, diante das mudanças no mundo das últimas décadas o CS “como o maior zelador da paz e segurança mundial, obviamente precisa ser mudado".





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A Alemanha é um dos maiores contribuintes da ONU e iniciou seu mandato de dois anos no CS em 1º de janeiro. Já o Brasil assumirá o seu posto em fevereiro.



No ano de 2003, desmoralizada com a invasão ilegal do Iraque pelos EUA, a ONU chegou a pedir que seus países membros apresentassem propostas de reforma. Apesar das várias ideias, nenhuma delas foi para frente.

REPATRIAMENTO DE CIENTISTAS BRASILIEROS

- O novo ministro da Ciência e Tecnologia, Alozio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira (3) que estuda transformar a Financiadora Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento, em uma instituição financeira de projetos científicos.




Segundo Mercadante, a ideia agrada a presidenta Dilma Rousseff, mas ainda “será estudada com cuidado”. De acordo com ele, já existe um parecer favorável do Banco Central sobre a mudança, que está sendo analisado. “Como instituição financeira, ela vai ter muito mais eficácia e eficiência para poder financiar pesquisa e inovação, a exemplo do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], pois você não depende de recursos orçamentários. É uma mudança que precisa ser muito bem estudada.”



Entre outras metas do novo ministro estão a formação de cientistas e uma política para repatriação de pesquisadores brasileiros que estão fora do país, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, além da regulamentação da área nuclear e desenvolvimento de mecanismos para prevenção de desastres naturais, em parceria com o Ministério da Integração Nacional.



Outro projeto que terá atenção é o de banda larga que pretende levar internet em alta velocidade a escolas públicas e rurais. Para Mercadante, a inclusão digital é uma das maneiras de pôr fim às desigualdades sociais. “Não resolveremos o nosso ainda grande apartheid social sem resolver o perverso apartheid digital que priva a maior parte dos nossos alunos e professores do acesso ao século 21”, disse em seu discurso na transmissão de cargo hoje (3).



Mercadante afirmou que irá se reunir com a presidenta Dilma Rousseff e deve anunciar amanhã (4) nomes de sua equipe, que segundo ele, será formada por profissionais de “grande excelência e competência técnica”.