Devido à crescente complexidade das campanhas atuais e previstas, a presença de uma capacidade plena de NCW na força de combate moderna é quase obrigatória. Essa complexidade é derivada de dois cenários principais: guerras totais com outras nações e guerras assimétricas com forças de guerrilha.
O primeiro cenário é desafiador devido à magnitude da batalha e pelo fato de que a luta é realizada contra um adversário habilidoso e bem equipado.
O segundo cenário é desafiador devido à necessidade de localizar e destruir forças evasivas e bem escondidas, muitas vezes localizadas em áreas urbanas.
A NCW é fundamental em ambos os cenários, sincronizando grandes forças com aumento de letalidade e capacidade de sobrevivência, além de acionar a "rede de sensores" e encurtar o ciclo de decisão para rastrear, identificar e destruir forças inimigas.
A Rafael é o principal fornecedor C4I para as Forças de Defesa de Israel (IDF) e várias outras forças a nível mundial. Cerca de uma década atrás, a Rafael identificou a necessidade emergente de uma infra-estrutura de NCW; após a análise da missão, os esforços em R&D e aplicações de sistemas de sucesso, a Rafaelpassou a fornecer um aplicativo de comunicação e aplicação unificado, multiespectral, seguro e baseado em IP, chamado de Global Link.
O sistema Global Link da Rafael é um sistema de comunicação de banda larga que preenche os requisitos atuais de comunicação em Guerras em Rede e fornece conectividade de link de dados comuns para transferir dados táticos de aplicações C4I.
Arquitetura e Blocos de Construção do Global Link:
O aplicativo de comunicação Global Link é construído sobre os blocos de construção a seguir:
• Global Voice & Data Link (GVDL) - bandas UHF / VHF que suportam serviços simultâneos de voz e dados avançados.
• Global Data Link (GDL) - ágil banda L de link de dados em banda larga, que suporta serviços de dados, vídeos e imagens.
• C4I-Connect - Coluna terrestre baseada em IP que suporta aplicações de voz e dados distribuídos, além de ser o elo vital para a infra-estrutura C4I.
Global Voice & Data Link (GVDL)
O GVDL é um sistema de comunicação multifuncional, resistente a interferências, concebido para proporcionar comunicação instantânea com alta capacidade de dados e qualidade de voz entre aeronaves (Ar-Ar) e terminais terrestres (Ar-Terra). O GVDL é o sistema de comunicação mais avançado disponível no mercado atualmente.
Global Data Link (GDL)
O GDL fornece vários canais com alto índice de dados para vários serviços, como dados, imagens e vídeos.
Conexão C4I
A solução C4I-Connect otimiza a troca e a distribuição de informações de combate (voz, dados, vídeo e rádio) em tempo real, recebidas de sistemas táticos de comunicação e sensores, facilitando a tomada de decisões táticas e estratégicas em tempo real.
Esquema Único de Conectividade Completo
A solução geral permite uma distribuição global de custo-benefício positivo. Combina os três sistemas e cria uma infraestrutura de alta capacidade e disponibilidade, que suporta a complexidade de campanhas atuais e futuras.
Algoritmos de redes avançados, incluindo repetições automáticas e qualidade inerente de provisão de serviços, garantem que dados e voz estejam disponíveis para o usuário em qualquer lugar e a qualquer hora.
A confiabilidade dos links e as atualizações rápidas sustentam aplicações essenciais, como: partilha efetiva de alvos aéreos e de superfície e alta capacidade de evitar colisões aéreas. A arquitetura aberta, baseada em IP, apoiada pela conexão de voz C4I Connect e a malha terrestre de dados, oferece flexibilidade e crescimento para adicionar novas aplicações aéreas e terrestres.
Rafael como Fornecedora de NCW
A solução Global Link da Rafael é a resposta para a revolução NCW do futuro. O Global Link fornece um sistema de comunicação de última geração, garantindo uma excelente utilização do espectro para uma distribuição de serviços de voz e dados altamente resiliente e com ótimo custo-benefício.
A alta capacidade e disponibilidade dos sistemas, juntamente com uma coluna IP, criam uma infraestrutura robusta e flexível que é uma base essencial para a atualização dos desafios ligados a NCW.
A Rafael, com seus blocos de construção comprovados, é um dos poucos fornecedores em todo o mundo que pode fornecer uma solução baseada no conhecimento e experiência que foi adquirida ao longo dos últimos 50 anos no fornecimento de soluções em redes aéreas, aplicações e comunicação
terça-feira, 12 de abril de 2011
malvinas argentinas ou inglesas
Não deixaremos de lado nossa reivindicação das ilhas Malvinas." Com essa frase, a presidente Cristina Kirchner deixou claro no fim de semana que seu governo pretende intensificar a ofensiva diplomática para recuperar o arquipélago controlado há 178 anos pela Grã-Bretanha.
Cristina exigiu que Londres cumpra "o mandato da ONU" que determina que o país "sente à mesa de negociações com a Argentina". As discussões sobre a soberania do arquipélago foram suspensas pelos britânicos desde a guerra, em 1982.
As declarações da presidente foram feitas na cidade de Río Gallegos, na Patagônia, durante uma das várias cerimônias feitas no fim de semana para comemorar a invasão das ilhas Malvinas, ordenada no dia 2 de abril de 1982 pelo então ditador e general Leopoldo Galtieri.
Cristina afirmou que "as Malvinas sempre serão argentinas" e classificou a presença britânica nas ilhas - onde residem 3 mil pessoas que vivem da criação de ovelhas e pesca - não passa de "um colonialismo que ainda envergonha a humanidade no século 21". No entanto, durante a inauguração de um monumento em homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito, ela ressaltou que a reivindicação será feita de forma "pacífica", descartando novas ações militares.
Cristina, cujo governo está em plena campanha para as eleições presidenciais de outubro, anunciou que pedirá às províncias que pelo menos uma sala em cada escola argentina ostente o nome de um soldado morto na guerra.
"A recuperação dos direitos argentinos será assegurada com a ajuda da América do Sul, com os países irmãos que nos apoiam na luta contra o colonialismo", disse. No ano passado o governo conseguiu o respaldo da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para a antiga reivindicação das ilhas. Além disso, em todas as cúpulas do Mercosul, o bloco repete seu respaldo à Argentina no caso das Malvinas.
A reivindicação sempre foi a tônica da política externa argentina nas últimas três décadas. No entanto, foi intensificada no ano passado, quando empresas britânicas iniciaram novas explorações na área marítima das ilhas em busca de petróleo.
Represálias. Desde então, Buenos Aires tem impedido a escala de navios que transportem cargas que possam ser usadas para a exploração petrolífera nas Malvinas. O governo alertou também empresas estrangeiras instaladas no país que se abstenham de participar de atividades no local.
No entanto, os habitantes das Malvinas, chamados de "kelpers", consideram que possuem total direito de explorar o arquipélago como quiserem. Eles ironizam a presidente Cristina, chamando-a de "a velha cara de plástico", em alusão às cirurgias plásticas supostamente realizadas pela presidente argentina.
Cristina exigiu que Londres cumpra "o mandato da ONU" que determina que o país "sente à mesa de negociações com a Argentina". As discussões sobre a soberania do arquipélago foram suspensas pelos britânicos desde a guerra, em 1982.
As declarações da presidente foram feitas na cidade de Río Gallegos, na Patagônia, durante uma das várias cerimônias feitas no fim de semana para comemorar a invasão das ilhas Malvinas, ordenada no dia 2 de abril de 1982 pelo então ditador e general Leopoldo Galtieri.
Cristina afirmou que "as Malvinas sempre serão argentinas" e classificou a presença britânica nas ilhas - onde residem 3 mil pessoas que vivem da criação de ovelhas e pesca - não passa de "um colonialismo que ainda envergonha a humanidade no século 21". No entanto, durante a inauguração de um monumento em homenagem aos soldados argentinos mortos no conflito, ela ressaltou que a reivindicação será feita de forma "pacífica", descartando novas ações militares.
Cristina, cujo governo está em plena campanha para as eleições presidenciais de outubro, anunciou que pedirá às províncias que pelo menos uma sala em cada escola argentina ostente o nome de um soldado morto na guerra.
"A recuperação dos direitos argentinos será assegurada com a ajuda da América do Sul, com os países irmãos que nos apoiam na luta contra o colonialismo", disse. No ano passado o governo conseguiu o respaldo da União das Nações Sul-americanas (Unasul) para a antiga reivindicação das ilhas. Além disso, em todas as cúpulas do Mercosul, o bloco repete seu respaldo à Argentina no caso das Malvinas.
A reivindicação sempre foi a tônica da política externa argentina nas últimas três décadas. No entanto, foi intensificada no ano passado, quando empresas britânicas iniciaram novas explorações na área marítima das ilhas em busca de petróleo.
Represálias. Desde então, Buenos Aires tem impedido a escala de navios que transportem cargas que possam ser usadas para a exploração petrolífera nas Malvinas. O governo alertou também empresas estrangeiras instaladas no país que se abstenham de participar de atividades no local.
No entanto, os habitantes das Malvinas, chamados de "kelpers", consideram que possuem total direito de explorar o arquipélago como quiserem. Eles ironizam a presidente Cristina, chamando-a de "a velha cara de plástico", em alusão às cirurgias plásticas supostamente realizadas pela presidente argentina.
defesa e os cortes orçamentários
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, define até o fim desta semana o corte de R$ 4,3 bilhões no Orçamento de investimento e custeio do Exército, Marinha e Aeronáutica. Jobim já decidiu manter os investimentos previstos na lei orçamentária deste ano para os projetos de construção do submarino nuclear, do avião cargueiro KC-390 e de 50 helicópteros EC 725, a serem destinados para as três Forças Armadas. Em contrapartida, vai cortar a compra de 12 helicópteros russos para a Força Aérea Brasileira (FAB), conforme previa a peça aprovada do Orçamento Geral da União.
Na definição entre o que manter ou cortar, Jobim levou em conta a manutenção de projetos importantes, como o de desenvolvimento de uma indústria nacional de material bélico, e daqueles considerados estratégicos para dotar o país de uma força armada, que permita ao Brasil buscar um espaço internacional comparável à sua crescente estatura econômica, sobretudo após descoberta de um mar de petróleo sob a camada do pré-sal, em 2007.
Um exemplo do primeiro caso é a fabricação do helicóptero EC-725 Super Cougar pela Helibras, numa parceria com a Eurocopter, líder mundial do setor. "A Helibras não está produzindo sozinha. As turbinas estão sendo produzidas pela Turbonet, uma empresa com sede no Rio de Janeiro. A aviônica é parte da Aeroeletrônica, que está em Porto Alegre, por exemplo", diz Jobim. "Essas empresas são montadoras, há uma enorme capilaridade de fornecedores. Se parar agora, atinge todo um ciclo. Então não faço. Tem que segurar o andamento dessa indústria, que é de alta tecnologia."
O ministro da Defesa disse ao Valor que nem mesmo o ritmo inicial de execução desses investimentos - submarino, KC-390 e os helicópteros EC-725 - será reduzido. O orçamento do ministério previa R$ 1,85 bilhão para o submarino, que está sendo desenvolvido pela Marinha em parceria com a França. Para o projeto KC 390, feito pela Embraer, o orçamento reserva R$ 100,6 milhões.
"Estamos em fase de construção do estaleiro e da base de Itaguaí (RJ)", disse Jobim, em relação ao submarino. "Na Nuclep, estamos construindo a parte do reator do submarino. Temos 30 engenheiros na França."
O KC-390 é um cargueiro com capacidade de transportar 21 toneladas com grande potencial de mercado - a Embraer já dispõe de pelo menos 60 intenções de compra. O protótipo fica pronto em 2016. Em 2018, estará no mercado. Esse prazo é considerado fundamental, porque em 2018 se encerra o ciclo de vida de 1.500 aviões Hércules no mundo.
"O KC-390 não só substitui o Hércules, como será capaz de pousar em uma pista de 1.300 metros", diz Jobim. O cargueiro foi desenhado a partir de especificações da FAB, que precisava de uma aeronave para pousar nas pistas curtas da Amazônia. A aeronave tem asa alta, como o russo Antonov, e é bojudo, assemelhando-se a um sapo.
"Fizemos economia nas compras de equipamentos, e não nos investimentos que envolvem a indústria nacional", explicou o ministro. Outro projeto preservado foi o da fabricação do blindado Guarani, de seis rodas, que está sendo feito pela Fiat Iveco.
O blindado Guarani será uma espécie de sucessor do Urutu. O carro terá 18 toneladas, motor diesel eletrônico, tração 6x6, capacidade anfíbia, podendo transportar até 11 militares e deslocar-se a uma velocidade de até 100 km/h. O motor e 60% dos componentes serão de produção nacional. O objetivo é diminuir os custos de produção e manutenção do blindado sobre rodas.
De acordo com Jobim, cada um desses projetos envolve a compra de equipamentos de indústrias nacionais e uma paralisação dos investimentos teria repercussão negativa em cadeia. Por essa razão, o ministério fez um grande esforço para manter cada um deles em andamento. O corte da verba para o desenvolvimento do KC-390, por exemplo, chegou a ser anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando foi anunciado o aperto fiscal de 2010.
O que a Defesa conseguiu foi manter o volume do corte, mas defini-los de acordo com as prioridades das Forças Armadas e da Estratégia Nacional de Defesa, entre as quais está o desenvolvimento industrial e tecnológico do país. Jobim não quis revelar quais compras foram adiadas e nem onde o corte foi realizado.
"Ainda estamos concluindo o ajuste", disse o ministro. É certo, no entanto, que foi cancelada a compra de 12 helicópteros da Rússia para a FAB. Aliás, o governo brasileiro tem se queixado da falta de cumprimento de cláusulas contratuais por parte dos russos.
O adiamento da compra do primeiro lote de 34 caças para a FAB não foi considerado no corte, pois, segundo explicou Jobim, o impacto financeiro dessa despesa não ocorreria este ano. "Mesmo que a decisão sobre a compra saia ainda em 2010, vamos levar de 10 a 12 meses apenas para negociar e fechar o contrato", afirmou. Esse foi o prazo ocorrido em outras grandes contratações da Defesa, depois de definida a licitação.
O orçamento do Ministério da Defesa para este ano previa gastos totais de R$ 15,1 bilhões. Desse total, R$ 4,8 bilhões são de despesas obrigatórias, que não podem sofrer cortes. A chamada "base contingenciável", que reúne as despesas discricionárias, é, portanto, de R$ 10,3 bilhões. Com o corte de R$ 4,3 bilhões, essas despesas foram reduzidas para R$ 6 bilhões.
Sem dar detalhes sobre os cortes feitos no ministério, Jobim disse que a orientação foi destinar os recursos para o custeio básico, e mais um pouco para que as coisas continuem no ponto em que estão, o que é chamado de manutenção operativa. Nesse sentido, o ministro não cortou os recursos necessários para a manutenção dos equipamentos existentes
Na definição entre o que manter ou cortar, Jobim levou em conta a manutenção de projetos importantes, como o de desenvolvimento de uma indústria nacional de material bélico, e daqueles considerados estratégicos para dotar o país de uma força armada, que permita ao Brasil buscar um espaço internacional comparável à sua crescente estatura econômica, sobretudo após descoberta de um mar de petróleo sob a camada do pré-sal, em 2007.
Um exemplo do primeiro caso é a fabricação do helicóptero EC-725 Super Cougar pela Helibras, numa parceria com a Eurocopter, líder mundial do setor. "A Helibras não está produzindo sozinha. As turbinas estão sendo produzidas pela Turbonet, uma empresa com sede no Rio de Janeiro. A aviônica é parte da Aeroeletrônica, que está em Porto Alegre, por exemplo", diz Jobim. "Essas empresas são montadoras, há uma enorme capilaridade de fornecedores. Se parar agora, atinge todo um ciclo. Então não faço. Tem que segurar o andamento dessa indústria, que é de alta tecnologia."
O ministro da Defesa disse ao Valor que nem mesmo o ritmo inicial de execução desses investimentos - submarino, KC-390 e os helicópteros EC-725 - será reduzido. O orçamento do ministério previa R$ 1,85 bilhão para o submarino, que está sendo desenvolvido pela Marinha em parceria com a França. Para o projeto KC 390, feito pela Embraer, o orçamento reserva R$ 100,6 milhões.
"Estamos em fase de construção do estaleiro e da base de Itaguaí (RJ)", disse Jobim, em relação ao submarino. "Na Nuclep, estamos construindo a parte do reator do submarino. Temos 30 engenheiros na França."
O KC-390 é um cargueiro com capacidade de transportar 21 toneladas com grande potencial de mercado - a Embraer já dispõe de pelo menos 60 intenções de compra. O protótipo fica pronto em 2016. Em 2018, estará no mercado. Esse prazo é considerado fundamental, porque em 2018 se encerra o ciclo de vida de 1.500 aviões Hércules no mundo.
"O KC-390 não só substitui o Hércules, como será capaz de pousar em uma pista de 1.300 metros", diz Jobim. O cargueiro foi desenhado a partir de especificações da FAB, que precisava de uma aeronave para pousar nas pistas curtas da Amazônia. A aeronave tem asa alta, como o russo Antonov, e é bojudo, assemelhando-se a um sapo.
"Fizemos economia nas compras de equipamentos, e não nos investimentos que envolvem a indústria nacional", explicou o ministro. Outro projeto preservado foi o da fabricação do blindado Guarani, de seis rodas, que está sendo feito pela Fiat Iveco.
O blindado Guarani será uma espécie de sucessor do Urutu. O carro terá 18 toneladas, motor diesel eletrônico, tração 6x6, capacidade anfíbia, podendo transportar até 11 militares e deslocar-se a uma velocidade de até 100 km/h. O motor e 60% dos componentes serão de produção nacional. O objetivo é diminuir os custos de produção e manutenção do blindado sobre rodas.
De acordo com Jobim, cada um desses projetos envolve a compra de equipamentos de indústrias nacionais e uma paralisação dos investimentos teria repercussão negativa em cadeia. Por essa razão, o ministério fez um grande esforço para manter cada um deles em andamento. O corte da verba para o desenvolvimento do KC-390, por exemplo, chegou a ser anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, quando foi anunciado o aperto fiscal de 2010.
O que a Defesa conseguiu foi manter o volume do corte, mas defini-los de acordo com as prioridades das Forças Armadas e da Estratégia Nacional de Defesa, entre as quais está o desenvolvimento industrial e tecnológico do país. Jobim não quis revelar quais compras foram adiadas e nem onde o corte foi realizado.
"Ainda estamos concluindo o ajuste", disse o ministro. É certo, no entanto, que foi cancelada a compra de 12 helicópteros da Rússia para a FAB. Aliás, o governo brasileiro tem se queixado da falta de cumprimento de cláusulas contratuais por parte dos russos.
O adiamento da compra do primeiro lote de 34 caças para a FAB não foi considerado no corte, pois, segundo explicou Jobim, o impacto financeiro dessa despesa não ocorreria este ano. "Mesmo que a decisão sobre a compra saia ainda em 2010, vamos levar de 10 a 12 meses apenas para negociar e fechar o contrato", afirmou. Esse foi o prazo ocorrido em outras grandes contratações da Defesa, depois de definida a licitação.
O orçamento do Ministério da Defesa para este ano previa gastos totais de R$ 15,1 bilhões. Desse total, R$ 4,8 bilhões são de despesas obrigatórias, que não podem sofrer cortes. A chamada "base contingenciável", que reúne as despesas discricionárias, é, portanto, de R$ 10,3 bilhões. Com o corte de R$ 4,3 bilhões, essas despesas foram reduzidas para R$ 6 bilhões.
Sem dar detalhes sobre os cortes feitos no ministério, Jobim disse que a orientação foi destinar os recursos para o custeio básico, e mais um pouco para que as coisas continuem no ponto em que estão, o que é chamado de manutenção operativa. Nesse sentido, o ministro não cortou os recursos necessários para a manutenção dos equipamentos existentes
costa marfim e a sucessão presidencial
A Organização das Nações Unidas (ONU) responsabilizou ontem as forças do presidente eleito da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, apoiado pela comunidade internacional, por pelo menos 220 das 330 mortes já confirmadas durante a tomada da cidade de Duekoue, na semana passada. As demais teriam sido causadas pelas tropas de Laurent Gbagbo - que se recusa a deixar o poder no país africano, embora tenha sido derrotado nas eleições de novembro, deflagrando uma guerra civil. Relatos de pessoas que estiveram na cidade dão conta de um verdadeiro massacre de civis, com centenas de corpos empilhados pelas ruas.
- O secretário-geral (Ban Ki-moon) expressou particular preocupação e alarme sobre os relatos de que forças pró-Ouattara teriam matado muitos civis na cidade de Duekoue - afirmou o porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky. - Os responsáveis devem prestar contas.
Funcionários da ONU continuam investigando o número total de mortes no massacre na região, ocorrido entre segunda e quarta-feira da semana passada, quando as forças de Ouattara tomaram a cidade em seu caminho rumo a Abidjã, capital comercial do país. Até agora 330 corpos teriam sido identificados oficialmente pela ONU. Mas a Cruz Vermelha Internacional já falou em 800 mortes, enquanto a Cáritas listou mais de mil.
Ouattara garantiu que seus homens não estão envolvidos no massacre, mas informou a Ban Ki-moon que já ordenou uma investigação sobre as mortes e que um inquérito internacional é bem-vindo, segundo Nesirky. Até agora, Ouattara diz ter contabilizado 162 mortos na região, resultado de conflitos entre milícias locais.
O vice-diretor de Direitos Humanos da Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim, Guillaume Ngefa, no entanto, responsabilizou diretamente Ouattara pela maioria das mortes.
- Nós temos provas, temos fotos - afirmou ele. - Foi retaliação.
Ouattara informou "que rejeita tais acusações e nega qualquer envolvimento das Forças Republicanas da Costa do Marfim em possíveis abusos". Ele acusou o atual governo de Gbagbo de tentar manipular a situação. Segundo Ouattara, "forças leais ao presidente e seus afiliados mercenários e milicianos foram responsáveis pelas incontáveis atrocidades no oeste do país, antes do avanço das Forças Republicanas".
Comunicado divulgado ontem pelo governo dos Estados Unidos, assinado pela secretária de Estado, Hillary Clinton, exortou Gbagbo a deixar o poder imediatamente. "Gbagbo está transformando a Costa do Marfim em um país sem lei", sustenta o texto. "Ele deve deixar o poder agora para que o conflito termine". Mas ela também apelou às tropas de Ouattara "para que respeitem as regras da guerra e parem de atacar civis".
O secretário das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, também repetiu seu pedido pela saída de Gbagbo, "para que a violência termine" e levantou a possibilidade de algumas acusações relacionadas ao conflito serem levadas ao Tribunal Penal Internacional.
O International Crisis Group pediu um cessar-fogo imediato de ambos os lados e uma intervenção internacional mais significativa no conflito, dizendo que a situação na Costa do Marfim é "urgente" e frisando que "o impensável está ocorrendo bem diante dos nossos olhos".
Abidjã aguarda "batalha final"
O principal aeroporto da Costa do Marfim, que desde sexta-feira estava em poder da ONU, foi ocupado ontem por tropas francesas, o que permitiu a sua reabertura "para aeronaves civis e militares", segundo comunicado do governo francês. Com a possibilidade de aviões voltarem a pousar no país, relatos davam conta de que a França começa a planejar a retirada em massa de seus 12 mil cidadãos no país. A ONU tirou 200 funcionários de Abidjã ontem. Na televisão pró-Gbagbo, partidários do presidente pediam à população que se mobilizasse contra o que chamou de "ocupação francesa".
A França enviou mais 300 soldados à Costa do Marfim, segundo informou ontem o porta-voz do Ministério da Defesa, Thierry Burkhard, elevando para 1.400 o número de militares franceses no país. No total, as tropas de paz da ONU na Costa do Marfim contam com 7.500 homens.
Em entrevista à BBC, Burkhard acrescentou que a principal missão das forças francesas no país ainda é garantir a proteção de seus compatriotas, que estariam sendo ameaçados por saqueadores.
O dia de ontem foi de parcial calma no país, com helicópteros das Nações Unidas patrulhando as principais cidades. A tranquilidade, no entanto, não deve ser duradoura. Relatos davam conta de que as forças de Ouattara estariam preparando novos ataques ao palácio presidencial em Abidjã, onde já ocorreram combates, e à sede da TV estatal.
As ruas da capital comercial, onde a água já foi cortada, estavam desertas ontem. Moradores passaram o dia fazendo barricadas em suas próprias casas, cobrindo janelas com cobertores e bloqueando as portas com móveis, esperando pela "batalha final" entre as forças de Ouattara e Gbagbo
- O secretário-geral (Ban Ki-moon) expressou particular preocupação e alarme sobre os relatos de que forças pró-Ouattara teriam matado muitos civis na cidade de Duekoue - afirmou o porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky. - Os responsáveis devem prestar contas.
Funcionários da ONU continuam investigando o número total de mortes no massacre na região, ocorrido entre segunda e quarta-feira da semana passada, quando as forças de Ouattara tomaram a cidade em seu caminho rumo a Abidjã, capital comercial do país. Até agora 330 corpos teriam sido identificados oficialmente pela ONU. Mas a Cruz Vermelha Internacional já falou em 800 mortes, enquanto a Cáritas listou mais de mil.
Ouattara garantiu que seus homens não estão envolvidos no massacre, mas informou a Ban Ki-moon que já ordenou uma investigação sobre as mortes e que um inquérito internacional é bem-vindo, segundo Nesirky. Até agora, Ouattara diz ter contabilizado 162 mortos na região, resultado de conflitos entre milícias locais.
O vice-diretor de Direitos Humanos da Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim, Guillaume Ngefa, no entanto, responsabilizou diretamente Ouattara pela maioria das mortes.
- Nós temos provas, temos fotos - afirmou ele. - Foi retaliação.
Ouattara informou "que rejeita tais acusações e nega qualquer envolvimento das Forças Republicanas da Costa do Marfim em possíveis abusos". Ele acusou o atual governo de Gbagbo de tentar manipular a situação. Segundo Ouattara, "forças leais ao presidente e seus afiliados mercenários e milicianos foram responsáveis pelas incontáveis atrocidades no oeste do país, antes do avanço das Forças Republicanas".
Comunicado divulgado ontem pelo governo dos Estados Unidos, assinado pela secretária de Estado, Hillary Clinton, exortou Gbagbo a deixar o poder imediatamente. "Gbagbo está transformando a Costa do Marfim em um país sem lei", sustenta o texto. "Ele deve deixar o poder agora para que o conflito termine". Mas ela também apelou às tropas de Ouattara "para que respeitem as regras da guerra e parem de atacar civis".
O secretário das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, também repetiu seu pedido pela saída de Gbagbo, "para que a violência termine" e levantou a possibilidade de algumas acusações relacionadas ao conflito serem levadas ao Tribunal Penal Internacional.
O International Crisis Group pediu um cessar-fogo imediato de ambos os lados e uma intervenção internacional mais significativa no conflito, dizendo que a situação na Costa do Marfim é "urgente" e frisando que "o impensável está ocorrendo bem diante dos nossos olhos".
Abidjã aguarda "batalha final"
O principal aeroporto da Costa do Marfim, que desde sexta-feira estava em poder da ONU, foi ocupado ontem por tropas francesas, o que permitiu a sua reabertura "para aeronaves civis e militares", segundo comunicado do governo francês. Com a possibilidade de aviões voltarem a pousar no país, relatos davam conta de que a França começa a planejar a retirada em massa de seus 12 mil cidadãos no país. A ONU tirou 200 funcionários de Abidjã ontem. Na televisão pró-Gbagbo, partidários do presidente pediam à população que se mobilizasse contra o que chamou de "ocupação francesa".
A França enviou mais 300 soldados à Costa do Marfim, segundo informou ontem o porta-voz do Ministério da Defesa, Thierry Burkhard, elevando para 1.400 o número de militares franceses no país. No total, as tropas de paz da ONU na Costa do Marfim contam com 7.500 homens.
Em entrevista à BBC, Burkhard acrescentou que a principal missão das forças francesas no país ainda é garantir a proteção de seus compatriotas, que estariam sendo ameaçados por saqueadores.
O dia de ontem foi de parcial calma no país, com helicópteros das Nações Unidas patrulhando as principais cidades. A tranquilidade, no entanto, não deve ser duradoura. Relatos davam conta de que as forças de Ouattara estariam preparando novos ataques ao palácio presidencial em Abidjã, onde já ocorreram combates, e à sede da TV estatal.
As ruas da capital comercial, onde a água já foi cortada, estavam desertas ontem. Moradores passaram o dia fazendo barricadas em suas próprias casas, cobrindo janelas com cobertores e bloqueando as portas com móveis, esperando pela "batalha final" entre as forças de Ouattara e Gbagbo
terça-feira, 29 de março de 2011
IÊMEN PODE ENTRAR EM GUERRA CIVIL
O ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, 65, há 32 anos no poder, descartou sua renúncia imediata, pedida por milhares de manifestantes, e afirmou que o país entrará em guerra civil se ele for forçado a abandonar o cargo.
Mais tarde, porém, seu porta-voz, Ahmed al Sufi, disse que Saleh está disposto a deixar o poder no final de 2011 ou em janeiro de 2012, após eleições parlamentares.
A concessão do ditador, que antes prometera sair em setembro de 2013, não satisfez a oposição, que a chamou de "nova manobra política".
A pressão sobre Saleh, que enfrenta protestos desde fevereiro, cresceu exponencialmente após atiradores de elite matarem 52 pessoas durante manifestação na capital do país, Sanaa, na sexta.
Anteontem, dezenas de militares, governadores de província e pelo menos seis embaixadores anunciaram saída do governo e apoio aos movimentos de oposição. Na TV, o ditador classificou a defecção dos militares como "motim e golpe contra a legitimidade constitucional".
PREOCUPAÇÃO DOS EUA
Ontem, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, manifestou publicamente preocupação com a instabilidade no Iêmen, aliado americano na região, e disse que é necessário não "desviar o foco" do combate à Al Qaeda.
Os temores se justificam: um braço do grupo terrorista, a Al Qaeda na Península Árabe, age desde 2009 no Iêmen e foi responsável por atentado frustrado no Natal daquele ano, quando um nigeriano tentou se explodir em um avião rumo a Detroit (EUA).
Antes dos protestos, Saleh enfrentava também rebelião armada no norte do país, que já dura sete anos, e movimento separatista no sul, onde 13 supostos membros da Al Qaeda morreram ontem em choque com o Exército.
NOVOS PROTESTOS
No centro de Sanaa, dezenas de milhares de pessoas se reuniram em nova manifestação, muitas delas com o rosto pintado nas cores da bandeira nacional (vermelho, preto e branco). Não houve relatos de conflitos.
Mais tarde, porém, seu porta-voz, Ahmed al Sufi, disse que Saleh está disposto a deixar o poder no final de 2011 ou em janeiro de 2012, após eleições parlamentares.
A concessão do ditador, que antes prometera sair em setembro de 2013, não satisfez a oposição, que a chamou de "nova manobra política".
A pressão sobre Saleh, que enfrenta protestos desde fevereiro, cresceu exponencialmente após atiradores de elite matarem 52 pessoas durante manifestação na capital do país, Sanaa, na sexta.
Anteontem, dezenas de militares, governadores de província e pelo menos seis embaixadores anunciaram saída do governo e apoio aos movimentos de oposição. Na TV, o ditador classificou a defecção dos militares como "motim e golpe contra a legitimidade constitucional".
PREOCUPAÇÃO DOS EUA
Ontem, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, manifestou publicamente preocupação com a instabilidade no Iêmen, aliado americano na região, e disse que é necessário não "desviar o foco" do combate à Al Qaeda.
Os temores se justificam: um braço do grupo terrorista, a Al Qaeda na Península Árabe, age desde 2009 no Iêmen e foi responsável por atentado frustrado no Natal daquele ano, quando um nigeriano tentou se explodir em um avião rumo a Detroit (EUA).
Antes dos protestos, Saleh enfrentava também rebelião armada no norte do país, que já dura sete anos, e movimento separatista no sul, onde 13 supostos membros da Al Qaeda morreram ontem em choque com o Exército.
NOVOS PROTESTOS
No centro de Sanaa, dezenas de milhares de pessoas se reuniram em nova manifestação, muitas delas com o rosto pintado nas cores da bandeira nacional (vermelho, preto e branco). Não houve relatos de conflitos.
COSTA DO MARFIM Á BEIRA DE UMA GUERRA CIVIL
Enquanto os olhares do mundo estão voltados para o Japão e a Líbia, pouca atenção se dá para a situação delicada na Costa do Marfim. A crise começou em novembro passado, quando o então presidente Laurent Gbagbo perdeu as eleições para seu adversário, Alassane Ouattara. Apesar da derrota, Gbagbo se recusou a sair do cargo, e os conflitos começaram, deixando, até ontem, mais de 400 mortos.
Em 10 março, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana tentou por fim à crise na presidência do país aprovando um relatório que confirma Alassane Ouattara como presidente legítimo. Entretanto, essa decisão não fez cessar os ataques armados contra os apoiadores de Ouattara, nem a violenta repressão contra a população.
Em carta enviada aos chefes de Estado da Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano (ECOWAS, na sigla em francês) na última terça-feira, a presidente do Grupo Internacional de Crise, Louise Arbour, pediu maior atenção “para uma verdadeira guerra civil, que provavelmente envolverá uma purificação étnica e outras atrocidades em massa”.
Louise diz que “os ataques contra civis são cometidos diariamente, casos de estupro e tortura continuam a ser relatados” e que o número de mortos é muito superior aos 440 confirmados pela ONU.
Ao final do texto, ela alerta: “A Costa do Marfim não está mais à beira de uma guerra civil. Ela já começou”.
Na semana passada, Charles Blé Goude, líder do movimento Jovens Patriotas, fez um apelo aos militantes, convidando “os jovens, aptos e prontos a morrer pelo seu país” a se juntarem às frentes armadas leais a Gbagbo.
Brasileira diz que há bairros sitiados
Mais de 20 mil jovens se reuniram, na última segunda-feira, para se alistar no exército. Amedrontados depois da onda de violência da última semana, a pior observada desde o início da crise pós-eleitoral, milhares de habitantes tentam abandonar a cidade de Abidjan, capital comercial do país.
Segundo informações da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), os marfinenses têm se reunido nos principais terminais de ônibus da cidade para deixar a região, após o que eles acreditam ter sido um chamado à guerra. Muitos deslocados estão indo para o norte e leste do país e buscando asilo nos países vizinhos como Togo, Mali e, principalmente, Libéria. Estima-se que haja em torno de 70 mil refugiados.
A embaixadora do Brasil na Costa do Marfim, Maria Auxiliadora Figueiredo, conta que quem mora nas aldeias e trabalha na cidade tem mandado a família para longe e ficado para trabalhar. Já quem mora na cidade, procura refúgio em igrejas, mesquitas e escolas.
– A situação aqui não está muito boa. As forças regulares estão combatendo os insurgentes em diversos bairros. As pessoas estão saindo com medo da violência. Alguns bairros estão fechados, não entra comida nem água. Ninguém sai à noite, tem bloqueios em diversas esquinas e os partidários do presidente estão revistando os transeuntes, para procurar armas – relata a embaixadora.
Segundo ela, existem cerca de 120 brasileiros no país, mas não há notícias de que eles estejam em bairros perigosos. Ela afirma que os pais estão enviando os filhos para outros países em busca de segurança. Perguntada sobre a iminência da guerra, a embaixadora se mostra esperançosa.
– É difícil prever. Todo mundo acredita que a guerra virá em breve. Já se fala na “Batalha de Abidjan”. Eu gosto de pensar que eles estejam negociando, mas existe muita inflexibilidade de ambas as partes.
Libéria
Apesar da receptividade, a Libéria não tem condições de receber a grande quantidade de refugiados que tem se deslocado para lá. Com a perigosa época de chuvas chegando, a ACNUR está buscando transferi- los para outras localidades.
No país para uma missão, Melissa Flanning, porta-voz do alto comissário da ONU António Guterrez, afirma que o oficial teme pela segurança dos marfinenses e pede para que a comunidade internacional tome as providências necessárias para cessar o conflito.
– O senhor Guterrez agradece a cooperação da Libéria e garante que está totalmente comprometido em ajudar o governo. Não vamos esperar pelo dinheiro das doações para fazer o que precisa ser feito.
Em 10 março, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana tentou por fim à crise na presidência do país aprovando um relatório que confirma Alassane Ouattara como presidente legítimo. Entretanto, essa decisão não fez cessar os ataques armados contra os apoiadores de Ouattara, nem a violenta repressão contra a população.
Em carta enviada aos chefes de Estado da Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano (ECOWAS, na sigla em francês) na última terça-feira, a presidente do Grupo Internacional de Crise, Louise Arbour, pediu maior atenção “para uma verdadeira guerra civil, que provavelmente envolverá uma purificação étnica e outras atrocidades em massa”.
Louise diz que “os ataques contra civis são cometidos diariamente, casos de estupro e tortura continuam a ser relatados” e que o número de mortos é muito superior aos 440 confirmados pela ONU.
Ao final do texto, ela alerta: “A Costa do Marfim não está mais à beira de uma guerra civil. Ela já começou”.
Na semana passada, Charles Blé Goude, líder do movimento Jovens Patriotas, fez um apelo aos militantes, convidando “os jovens, aptos e prontos a morrer pelo seu país” a se juntarem às frentes armadas leais a Gbagbo.
Brasileira diz que há bairros sitiados
Mais de 20 mil jovens se reuniram, na última segunda-feira, para se alistar no exército. Amedrontados depois da onda de violência da última semana, a pior observada desde o início da crise pós-eleitoral, milhares de habitantes tentam abandonar a cidade de Abidjan, capital comercial do país.
Segundo informações da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), os marfinenses têm se reunido nos principais terminais de ônibus da cidade para deixar a região, após o que eles acreditam ter sido um chamado à guerra. Muitos deslocados estão indo para o norte e leste do país e buscando asilo nos países vizinhos como Togo, Mali e, principalmente, Libéria. Estima-se que haja em torno de 70 mil refugiados.
A embaixadora do Brasil na Costa do Marfim, Maria Auxiliadora Figueiredo, conta que quem mora nas aldeias e trabalha na cidade tem mandado a família para longe e ficado para trabalhar. Já quem mora na cidade, procura refúgio em igrejas, mesquitas e escolas.
– A situação aqui não está muito boa. As forças regulares estão combatendo os insurgentes em diversos bairros. As pessoas estão saindo com medo da violência. Alguns bairros estão fechados, não entra comida nem água. Ninguém sai à noite, tem bloqueios em diversas esquinas e os partidários do presidente estão revistando os transeuntes, para procurar armas – relata a embaixadora.
Segundo ela, existem cerca de 120 brasileiros no país, mas não há notícias de que eles estejam em bairros perigosos. Ela afirma que os pais estão enviando os filhos para outros países em busca de segurança. Perguntada sobre a iminência da guerra, a embaixadora se mostra esperançosa.
– É difícil prever. Todo mundo acredita que a guerra virá em breve. Já se fala na “Batalha de Abidjan”. Eu gosto de pensar que eles estejam negociando, mas existe muita inflexibilidade de ambas as partes.
Libéria
Apesar da receptividade, a Libéria não tem condições de receber a grande quantidade de refugiados que tem se deslocado para lá. Com a perigosa época de chuvas chegando, a ACNUR está buscando transferi- los para outras localidades.
No país para uma missão, Melissa Flanning, porta-voz do alto comissário da ONU António Guterrez, afirma que o oficial teme pela segurança dos marfinenses e pede para que a comunidade internacional tome as providências necessárias para cessar o conflito.
– O senhor Guterrez agradece a cooperação da Libéria e garante que está totalmente comprometido em ajudar o governo. Não vamos esperar pelo dinheiro das doações para fazer o que precisa ser feito.
ACORDO SOBRE A LÍBIA PASSA PELOS CORREDORES DA ONU
Representantes de Muammar Gaddafi e dos rebeldes que querem a deposição do líder líbio se encontrarão hoje em reunião da União Africana em Adis Abeba (Etiópia), afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
O encontro faz parte dos esforços para a articulação de um cessar-fogo entre as partes, que estão em conflito desde meados de fevereiro.
Segundo Ban, participarão do evento o seu enviado especial à Líbia e representantes regionais, numa tentativa de estabelecer um diálogo entre as duas partes.
O secretário-geral alertou, porém, não haver nenhum indício até agora de que o regime do ditador líbio esteja mantendo um cessar-fogo.
Também ontem, os membros da Otan chegaram a acordo para que a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia, hoje sob a responsabilidade dos EUA, seja transferida à aliança militar ocidental no fim de semana.
O acordo atende principalmente ao interesse dos EUA, que temem se comprometer em um conflito cujo tempo de duração é imprevisível.
A França disse ontem que a expectativa é que as operações militares sejam concluídas dentro de semanas, mas não deverão durar "meses".
Os EUA, porém, garantiram que seguirão realizando ações após passar o comando sobre a exclusão aérea.
Segundo o secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, a Otan não vai realizar ataques contra alvos em terra. Mas prosseguem as negociações para que a aliança fique com o comando de toda a operação militar na Líbia.
A França resistia a que a Otan assumisse o comando político e militar das ações.
A solução deixar a coordenação política a cargo de órgão que inclua também a Liga Árabe e União Africana.
Uma reunião em Londres na próxima terça deverá definir as atribuições do grupo.
A Turquia, por sua vez, resistia em endossar uma missão que ultrapassasse os objetivos aprovados na resolução da ONU -uma zona de exclusão aérea e o fim dos ataques contra alvos civis.
FRONT
No front de batalha, as forças aliadas realizaram o sexto dia seguido de ataques.
A França disse ter destruído, em terra, um caça da Líbia que violara a exclusão aérea. Na véspera, o Reino Unido dissera que toda a Força Aérea líbia fora "destruída".
A coalizão tem ainda centrado forças em alvos militares terrestres do regime de Gaddafi para evitar ataques contra os bastiões rebeldes.
O encontro faz parte dos esforços para a articulação de um cessar-fogo entre as partes, que estão em conflito desde meados de fevereiro.
Segundo Ban, participarão do evento o seu enviado especial à Líbia e representantes regionais, numa tentativa de estabelecer um diálogo entre as duas partes.
O secretário-geral alertou, porém, não haver nenhum indício até agora de que o regime do ditador líbio esteja mantendo um cessar-fogo.
Também ontem, os membros da Otan chegaram a acordo para que a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia, hoje sob a responsabilidade dos EUA, seja transferida à aliança militar ocidental no fim de semana.
O acordo atende principalmente ao interesse dos EUA, que temem se comprometer em um conflito cujo tempo de duração é imprevisível.
A França disse ontem que a expectativa é que as operações militares sejam concluídas dentro de semanas, mas não deverão durar "meses".
Os EUA, porém, garantiram que seguirão realizando ações após passar o comando sobre a exclusão aérea.
Segundo o secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, a Otan não vai realizar ataques contra alvos em terra. Mas prosseguem as negociações para que a aliança fique com o comando de toda a operação militar na Líbia.
A França resistia a que a Otan assumisse o comando político e militar das ações.
A solução deixar a coordenação política a cargo de órgão que inclua também a Liga Árabe e União Africana.
Uma reunião em Londres na próxima terça deverá definir as atribuições do grupo.
A Turquia, por sua vez, resistia em endossar uma missão que ultrapassasse os objetivos aprovados na resolução da ONU -uma zona de exclusão aérea e o fim dos ataques contra alvos civis.
FRONT
No front de batalha, as forças aliadas realizaram o sexto dia seguido de ataques.
A França disse ter destruído, em terra, um caça da Líbia que violara a exclusão aérea. Na véspera, o Reino Unido dissera que toda a Força Aérea líbia fora "destruída".
A coalizão tem ainda centrado forças em alvos militares terrestres do regime de Gaddafi para evitar ataques contra os bastiões rebeldes.
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