terça-feira, 12 de abril de 2011

LIÇÕES ATÔMICAS AO BRASIL

As usinas nucleares brasileiras estão entre as mais eficientes do mundo. Servem de referência internacional porque, entre outras questões, o país se preocupou em dominar a tecnologia de construção, operação e manutenção dessas usinas. O Brasil avançou também na produção do combustível. Isso fará com que Angra 3 consiga, por exemplo, gerar mais energia que Angra 2, da qual deveria ser apenas uma cópia.




O fato de as usinas se concentrarem em uma área relativamente pequena (hidrelétricas com a mesma capacidade certamente precisariam ocupar espaços bem maiores) possibilita que o seu funcionamento seja acompanhado com várias lentes de aumento.

Há décadas todo o entorno das usinas é monitorado para se detectar qualquer variação de radioatividade (observando-se a radiação natural). Esse trabalho até contribuiu para a recuperação ambiental das áreas adjacentes.



Em face da preocupação rigorosa com a segurança e os riscos da central nuclear, a possibilidade de acidente passou a ser encarada como remotíssima pelos que, indiretamente, deveriam contribuir para estender esse padrão às estradas de acesso à região. A estrada Rio-Santos vive às voltas com interrupções de tráfego devido a queda de barreiras, deslizamentos, afundamento de pistas, etc. E as poucas vias alternativas são malconservadas.



O problema não é novo, mas um acidente como o ocorrido em Fukushima, no Japão, obriga as autoridades responsáveis pelo setor nuclear a reverem procedimentos e parâmetros relativos à segurança. Especificamente no caso do funcionamento das usinas de Angra, a Eletronuclear, estatal que as administra, cogita reforçar o sistema de fornecimento de energia elétrica para situações de corte na rede principal. Os geradores a diesel não podem estar em locais vulneráveis a intempéries e, ainda assim, é preciso ter uma reserva da reserva, como ficou evidenciado em Fukushima. Uma pequena central hidrelétrica, em rios nas proximidades das usinas, poderá cumprir essa função.



Quanto à retirada das pessoas, na hipótese de situação crítica, a opção marítima, que não fazia parte do plano de emergência, merece agora ser avaliada, com a construção de píeres nas áreas próximas às usinas. No entanto, é fundamental que as vias terrestres estejam sempre desimpedidas. A rodovia Rio-Santos e as estradas estaduais e municipais secundárias não podem continuar sendo mantidas como tal.



Após tantos anos de funcionamento das usinas, os órgãos reguladores deveriam ter a documentação em dia em relação ao licenciamento ambiental e comissionamento das instalações nucleares. Sem isso, a sociedade acaba sendo surpreendida ao saber que algumas compensações para a construção de Angra 3, previstas inicialmente, já não seriam mais obrigatórias.



Ou seja, para que não se repita, em nenhum grau, o acidente de Fukushima deixa lições que devem ser levadas muito a sério no programa nuclear brasileiro.

Cyberwar - CCJ do Senado aprova infiltração policial na internet

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem projeto de lei que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e passa a permitir que policiais se infiltrem em sites na internet. A finalidade é identificar crimes sexuais contra crianças e adolescented e também tentar coibir a prática da pedofilia. O projeto vai agora para votação no plenário.



A proposta da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia visa a alterar a legislação para facilitar o combate a esse crime, principalmente nas redes sociais.



Relator do projeto na CCJ, o senador Demóstenes Torres (DEM-TO) ponderou que, apesar de já ser possível a infiltração de policiais na internet, o Poder Judiciário tem derrubado "com certa facilidade" provas obtidas dessa forma.



Por isso, Demóstenes disse ser preciso incluir essa possibilidade na lei. De acordo com o relator, a aplicabilidade da mudança só poderá ocorrer com autorização judicial, individualizada, e pelo prazo máximo de dois anos.



- Esse projeto é muito bom e ajudará muito o combate à pedofilia. A nova lei também vai inibir o pedófilo, que passará a ter sempre a dúvida - disse o relator.

KADAFFI DEU A VOLTA POR CIMA

Rebelde reza sobre a estrada de guerra entre Ajdabiya e Brega; ao fundo, o tanque porta a bandeira monárquica líbia, da era pré-Kadafi - Foto: EFE O chefe do Exército rebelde da Líbia criticou a Otan por sua lentidão no comando dos ataques aéreos para proteger civis e disse que a aliança "está deixando o povo de Misrata morrer todos os dias."



Misrata, que está sitiada pelas tropas governamentais, é o único grande centro urbano no oeste da Líbia cuja revolta contra o líder líbio, Muammar Kadafi, não foi esmagada e, por isso, enfrenta o ataque de tanques e francoatiradores.



A cidade é agora prioridade para os ataques aéreos da Otan, disseram dirigentes da organização, antes das declarações do líder rebelde.



"A Otan nos abençoa de vez em quando com um bombardeio aqui e acolá, e está deixando o povo de Misrata morrer todos os dias", disse o chefe das forças rebeldes, Abdel Fattah Younes, em Benghazi, que fica no leste do país. "A Otan nos desapontou."



A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está encarregada desde 31 de março dos ataques aéreos contra a infraestrutura militar de Kadafi, bem como do policiamento da zona de exclusão aérea e do embargo à venda de armas ao país, atribuições que antes eram de uma coalizão liderada por Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.



A Otan está se movimentando com muita lentidão, permitindo às forças de Kadafi avançar, disse Younes, acrescentando que os rebeldes estavam estudando levar as reclamações ao Conselho de Segurança da ONU, que autorizou essa missão. "A Otan se tornou nosso problema", disse ele.



Em resposta, a Otan afirmou estar se incumbindo de seu mandato. O impasse na frente de batalha no leste da Líbia, deserções no círculo de poder de Kadafi e a situação dos civis afetados pelos combates, ou enfrentando escassez de comida e combustível, intensificaram as ações diplomáticas para buscar uma solução para a guerra civil no país, um importante produtor de petróleo do norte da África.



Os protestos contra o governo, iniciados em 5 de fevereiro, conduziram à guerra civil depois que forças de Kadafi abriram fogo contra manifestantes. Ele, então, esmagou as revoltas no oeste da Líbia, restando Misrata e o leste do país nas mãos dos rebeldes.



O poder aéreo da Otan está mantendo o equilíbrio na Líbia, impedindo as forças de Kadafi de sufocar a revolta, mas sem dar condições, por ora, para que os rebeldes consigam uma vitória clara.



"Ou a Otan faz o seu trabalho corretamente ou vamos pedir ao conselho nacional que levante a questão no Conselho de Segurança", afirmou Younes a repórteres. Ele foi ministro do Interior no governo de Gaddafi e desertou.



Questionado sobre os comentários de Younes, o porta-voz da Otan, Oana Lungescu, disse que "os fatos falam por si mesmos. A velocidade das operações desde que a Otan assumiu não diminuiu. Nós realizamos 851 saídas nos últimos seis dias. Nós estamos cumprindo nosso man

FORTALEZAS DO BEM

Desde 15 de dezembro do ano passado à frente da ocupação das favelas dos complexos do Alemão e da Penha, o Exército montou uma megaestrutura, utilizando, inclusive, duas antigas fortalezas do tráfico. Uma delas era o imóvel de três andares conhecido como Casa Amarela, de Fabiano Atanázio, o FB; a outra, a Casa Verde, de Paulo Rogério de Souza Paz , o Mica. Estrategicamente posicionadas no alto dos morros, elas funcionam como postos de militares do Exército e do Batalhão de Campanha da PM.



Os imóveis guardam vestígios da época do tráfico. Na Casa Verde, de onde se vê toda a Vila Cruzeiro, ainda existe o muro de contenção feito pelos bandidos, com 80 centímetros de espessura e seteiras, buracos por onde o criminoso pode atirar mantendo o corpo protegido. Do imóvel também é possível ver o viaduto da Penha, vantagem tática que os traficantes aproveitavam para acompanhar a aproximação da polícia.



De acordo com levantamento do Exército, há pelo menos quatro casas consideradas ex-fortalezas do tráfico, algumas delas com piscinas — numa delas, porém, a estrutura de fibra de vidro foi roubada, deixando apenas um buraco. Segundo o comandante da Força de Paz, Cesar Leme, o material já tinha sumido antes de o Exército assumir a ocupação, em dezembro, duas semanas depois da invasão do complexo.



— Quando o Exército ajudou, inicialmente, na ocupação, ficou só nos acessos aos complexos. Ao assumirmos o comando, já não existia mais o material da piscina — explicou o general.



Segundo o comandante da Força de Paz, a PM poderá, com a instalação das UPPs na região, usar a estrutura montada pelo Exército. As outras fortalezas pertenciam aos traficantes Marcos Antônio Silva Tavares, o Marquinhos Niterói, que a tomara do verdadeiro dono; e Alexander Mendes da Silva, o Polegar. A primeira foi devolvida ao proprietário, que havia sido expulso pelo tráfico, e a outra está desocupada e fechada.



Mas o coordenador das unidades pacificadoras, coronel Robson Rodrigues, disse que não pretende, inicialmente, usar as fortalezas do tráfico:

— Estamos pensando em usar os contêineres, como na UPP da Ladeira Tabajaras (Copacabana), em vez de usar as casas que pertenceram aos traficantes, mas isso vai depender do cenário que encontrarmos lá quando assumirmos — comentou Rodrigues.



Enquanto as dez UPPs não chegam ao Alemão e à Penha, o comandante da Força de Paz tenta se aproximar dos moradores:

— A nossa orientação é que o soldado estabeleça o contato com a comunidade. Às vezes, é necessário fazer revistas, mas hoje as pessoas liberam a nossa entrada nas casas, sem precisar de mandado de busca e apreensão. Os moradores sabem que estamos ali como braço forte, mas com o objetivo de protegê-los — afirmou o general Leme, que também comanda a 9a- Brigada de Infantaria Motorizada

UM CONCORRENTE FORTE

 A Mitsubishi Heavy Industries e a Mitsubishi Aircraft Corp. começaram ontem a fabricar o Jato Regional Mitsubishi (MRJ), projetado para transportar de 70 a 90 passageiros.




Em cerimônia marcando o início da atividade da unidade da Mitsubishi Heavy em Tobishima, na região administrativa de Aichi, o presidente da Mitsubishi Aircraft, Hideo Egawa, disse que o MRJ é "o símbolo da esperança de que nosso país vai reviver e se reerguer depois da tragédia de 11 de março" - referindo-se ao terremoto e ao tsunami que devastaram parte do país -, segundo o jornal Nikkei.



Egawa afirmou que o terremoto não afetou os planos de produção do MRJ. O primeiro voo da nova aeronave está previsto para 2012 e as primeiras entregas para as companhias aéreas All Nippon Airways e para a norte-americana Trans States Holdings estão previstas para 2014.



A expectativa é de que o MRJ consuma 20% menos combustível do que outros aviões de tamanho comparável. Depois da montagem da fuselagem em Tobishima, a montagem das asas e o término da construção deverão ser feitos em uma fábrica da Mistubishi Heavy em Komaki Minami.



Retomada. O projeto do MRJ foi anunciado no início de 2008, e previa investimentos de US$ 1 bilhão no desenvolvimento. É o primeiro avião comercial construído no Japão desde o YS11, movido a hélice, cuja produção foi interrompida em 1973.



Com sua capacidade, vai concorrer diretamente com jatos fabricados pela Embraer e pela canadense Bombardier. À época do anúncio do projeto, o presidente da Embraer, Frederico Curado, disse que os planos da Mitsubishi não representavam uma ameaça imediata à empresa. "Não é ameaça hoje, ou nos próximos 5 a 10 anos. Daqui a 20, 25 anos, pode ser uma tremenda ameaça e os chineses também poderão ser, dependendo da obstinação deles", disse Curado à agência Reuters. / DOW JONES NEWSWIRES



Investimento



US$ 1 bi

Era a previsão de investimentos no desenvolvimento do MRJ quando o projeto foi anunciado pela Mitsubishi, em 2008.



70 a 90 passageiros será a capacidade dos jatos, que devem concorrer diretamente com aviões fabricados pela Embraer e pela canadense Bombardier

prêmios aos delatores

Mais de duas semanas após o início dos bombardeios na Líbia, EUA e Europa começaram a oferecer uma espécie de "delação premiada" para convencer colaboradores do ditador Muammar Gaddafi a abandoná-lo.




O Tesouro americano decidiu suspender sanções financeiras que impusera a Moussa Koussa, ex-chanceler e um dos mais graduados funcionários de Gaddafi a desertar.



Na semana passada, Koussa fugiu para o Reino Unido, e há a suspeita de que ele já esteja repassando informações sobre o ditador a funcionários do governo britânico.



O chanceler do Reino Unido, William Hague, disse que qualquer um dos líbios nas listas de sanções da União Europeia ou da ONU, que incluem proibição de viagens e congelamento de bens, pode ter as restrições suspensas se desistir do apoio a Gaddafi.



Estima-se que, só em investimentos no Reino Unido, os líbios atingidos pelas sanções tenham US$ 20 milhões.



O Tesouro dos EUA, que tem 13 altos funcionários líbios em sua "lista negra", informou que suspendeu as sanções a Koussa na esperança de "encorajar outros integrantes do regime a tomar decisões semelhantes".



A decisão, porém, causou mal-estar entre parentes das vítimas do atentado de Lockerbie (Escócia), em 1988, quando 270 pessoas morreram depois da explosão de um voo da Pan Am por terroristas líbios. Koussa, então chefe da inteligência líbia, é acusado de envolvimento.



COMBATES DO DIA

Ontem, as forças de Gaddafi expulsaram os rebeldes de Brega, cidade petrolífera no leste do país, em meio a novas queixas dos insurgentes contra a Otan. Eles vêm perdendo terreno desde que a aliança militar substituiu os EUA no comando dos ataques, na semana passada.



A Otan, por sua vez, disse já ter destruído 30% da capacidade militar de Gaddafi.



Numa rara boa notícia para o campo rebelde, os insurgentes venderam seu primeiro carregamento de petróleo: 1 milhão de barris, por US$ 125 milhões, a uma companhia suíça. Segundo o jornal britânico "Guardian", o óleo deve ser embarcado hoje no porto de Tobruk (leste líbio).

o que quer china do brasil

Com base em estudo recente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), aquele país seria o que mais investiu no Brasil em 2010. Segundo o documento, os investimentos chineses no País foram de US$ 12,9 bilhões no ano passado, o que representaria 26,6% do total de investimentos estrangeiros diretos no País em 2010 (US$ 48,46 bilhões). O levantamento, porém, deve ser examinado com cuidado, uma vez que muitos dos investimentos mencionados como feitos no Brasil não passam, na realidade, de compra de participação em companhias internacionais aqui instaladas.



Não há melhor exemplo desse tipo de investimento do que os US$ 7,1 bilhões gastos pela estatal chinesa da área petrolífera, a Sinopec Corp, na aquisição de 40% da Repsol Brasil, controlada pelo capital hispano-argentino. A operação pode permitir aumento do capital da subsidiária brasileira para financiar sua atuação na camada do pré-sal, mas não se trata de um investimento estrangeiro direto, com entrada de capital. Houve outros negócios desse gênero, mas, mesmo não computando tais operações, a China, a partir do ano passado, vem se credenciando como um dos maiores investidores no País, o que pode ser útil ao desenvolvimento econômico nacional, desde que as leis em vigor sejam cumpridas e as autoridades brasileiras não se deixem levar pela ingenuidade.



"A China vem consolidando há alguns anos uma base internacional de matérias-primas e o Brasil passou a fazer parte desta base de fornecedores", diz o estudo. De fato, o maior volume de investimentos provenientes da China tem sido voltado para as áreas de petróleo, mineração e produção agrícola. Estatais chinesas já adquiriram reservas de minério de ferro de milhões de toneladas, em Minas Gerais e na Bahia, associadas ou não ao capital nacional. O níquel e a cadeia de produção do alumínio estão também na mira das gigantes estatais da China.



No setor do agronegócio, ainda há pouco foi anunciado um investimento de US$ 4 bilhões pela Chongqing Grain Group, na instalação de um polo de esmagamento de soja em Barreiras (BA), possibilitando a exportação de maior volume de óleo de soja. O risco é que complexos industriais desse tipo adquiram áreas de cultivo em território nacional além do que a lei permite.



O recente parecer da Advocacia-Geral da União, reafirmando a validade da Lei 5.709/71, que estabelece limites para a posse de terras por estrangeiros, tem caráter geral, mas certamente levou em conta o crescente interesse chinês pela aquisição de reservas minerais e de áreas agricultáveis no País.



Os setores de energia elétrica e de telecomunicações exercem forte atração sobre as companhias chinesas, não havendo barreiras à sua entrada no País. É uma situação muito diferente daquela com a que se deparam empresas brasileiras dispostas a investir em setores considerados estratégicos por Pequim. Como o boicote à Embraer na China deixa patente, não há reciprocidade de tratamento nesses casos.



O estudo destaca que a preferência das companhias chinesas é por fusões e aquisições, que correspondem a 83% dos investimentos que têm feito no Brasil. A participação no capital pode ser feita no exterior ou no próprio país. Não há números que permitam avaliar se os chineses se contentam com uma participação minoritária, que deveria facilitar, segundo ainda a CEBC, a superação de "diferenças culturais". Pelo que a prática tem mostrado, nem sempre essa forma de operar prevalece.



Como consta do estudo, somente 11,5% dos investimentos chineses no Brasil são "joint ventures", aliando o capital de fora ao nacional. Uma terceira modalidade é denominada "greenfield" (construção de uma unidade em território estrangeiro), sendo exemplo o aporte de US$ 400 milhões pela montadora Cherry, que vai produzir automóveis no País.



Esse segmento representa 5,2% do total de investimentos da China no País e, evidentemente, a Cherry veio para o País para disputar o mercado interno, já superabastecido de veículos, não para montar aqui uma plataforma de exportação