O governo italiano ameaça recorrer à Corte Internacional de Justiça de Haia (Holanda) para obter a extradição de Cesare Battisti, condenado por homicídio em seu país, mas cuja extradição o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou no último ato de seu governo.
A ameaça foi feita, de forma explícita, pelo chanceler italiano Franco Frattini, em conversa com jornalistas.
Mas consta, implicitamente, de carta que Frattini enviou à presidente Dilma Rousseff, entregue pelo embaixador Gherardo La Francesca ao novo secretário-geral do Itamaraty, Ruy Nogueira.
Na carta, Frattini pede que Dilma reveja a decisão de Lula e extradite Cesare Battisti e antecipa que fará tudo o que puder para obter a extradição, insinuando que recorrerá não apenas ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, mas também à Corte de Haia.
A carta parece muito mais um ato de ofício do que uma expectativa real de que Dilma desautorize Lula. Na verdade, é um texto dirigido ao STF, a quem caberá decidir se Lula agiu ou não nos termos do acordo de extradição com a Itália. O STF, quando decidiu não decidir conclusivamente a respeito, havia estabelecido que caberia a Lula a decisão final, desde que não violasse o acordo.
Agora o caso volta às mãos dos ministros da Corte que devem decidir apenas em fevereiro. Aí, sim, conforme o que for resolvido, Dilma poderá atender o pedido de Frattini e autorizar a extradição. Não estaria desautorizando Lula, mas cumprindo decisão judicial inapelável.
Enquanto isso, os dois lados tratam de tirar temperatura do incidente diplomático. O Brasil não chamou seu embaixador em Roma, José Viegas Filho, ao contrário do que fez a Itália, que convocou La Francesca, mas o autorizou a participar da cerimônia de posse de Dilma.
Frattini também preferiu transferir à maioria governista na Câmara a decisão de aceitar ou rejeitar o acordo entre Brasil e Itália para a venda de navios, mísseis e radar pelos italianos. A votação deve ocorrer neste mês.
Já os familiares das vítimas dos crimes atribuídos a Battisti não parecem minimamente interessados em acomodações. Mantiveram a convocação para hoje de uma manifestação em frente ao consulado brasileiro na cidade de Florença
sábado, 8 de janeiro de 2011
comissão de verdade
- Com um discurso forte, a deputada petista Maria do Rosário assumiu nesta segunda-feira, 3, a Secretaria de Direitos Humanos pedindo ao Congresso que aprove a formação da Comissão da Verdade e defendendo "o reconhecimento da responsabilidade do Estado pelas graves violações de direitos humanos com vista a não repetição do ocorrido". A nova ministra prometeu ainda implementar o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, que foi fruto de polêmica, inclusive durante a campanha presidencial.
Na plateia, estava o ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), que ouviu Maria do Rosário homenagear os guerrilheiros que "empenharam suas vidas generosamente porque acreditavam na liberdade e na democracia". À ditadura, referiu-se como "período de exceção".
Maria do Rosário foi muito aplaudida ao apelar à Câmara para que aprove a Comissão da Verdade. "Devemos enfrentar as questões para caracterizar a consciente virada de página do momento da história". Mas recebeu tímidas palmas ao avisar que esta Comissão da Verdade não busca retaliar as Forças Armadas. "A constituição da Comissão da Verdade não se trata, jamais, de qualquer atitude de revanche, como disse, em seu discurso, a presidente Dilma."
"Estamos movidos pelo entendimento e até pelo reconhecimento que no Brasil de hoje, no Estado brasileiro, não há qualquer instituição contra a democracia", prosseguiu a nova ministra, tentando mostrar que não quer ter problemas no relacionamento com os militares, ela prosseguiu dizendo que "as Forças Armadas são parte da consolidação democrática deste Brasil e nas Forças Armadas há o desejo de trabalharmos de forma conjunta neste processo de consolidação da democracia".
Ao pedir a implementação do PNDH3, que desgastou o governo Lula e a campanha da petista Dilma Rousseff por defender temas como aborto e casamento homossexual, a ministra disse que "a hora é de avançar, de fazer ainda mais e melhor". Apesar de abordar temas polêmicos, adotou um tom conciliador, citando que o atual momento é de "diálogo" e sem retaliações.
Araguaia
Ela fez questão de citar ainda a recente definição da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que entendeu que o Estado brasileiro tem uma dívida histórica no que diz respeito aos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. "Com total tranquilidade e unidade de pensamento e ação no Poder Executivo estaremos desenvolvendo ações que respondam às indicações desse organismo que integramos", disse a ministra, pedindo, ainda que os demais poderes da Republica, no exercício de suas funções constitucionais e preservada a independência e harmonia que nos caracteriza, analisem as questões apresentadas pela Corte Interamericana. Para a ministra, "passados quase 50 anos do início do período de exceção no Brasil, é chegada a hora de agirmos com objetividade".
Ao insistir na criação da Comissão da Verdade, afirmou que se trata de uma dívida brasileira.
Responsabilidades
Ao final da cerimônia, em entrevista, a ministra explicou o tom de seu discurso ao dizer que o Estado tem responsabilidade pelos mortos e desaparecidos políticos. "Esta é uma responsabilidade ampla. Não estamos personalizando, em procurando (culpar) um ou outro". E completou: "Estamos conciliando a nação brasileira". A ministra insistiu que o País "criou um jeito brasileiro de fazer um processo de reconhecimento dos fatos daquele período", acrescentando que Forças Armadas e sociedade civil, "fazem parte de um mesmo projeto nacional".
"Não há embates", disse ela, se contrapondo ao tempo que seu antecessor, Paulo Vanucchi, estava no cargo e criou inúmeros problemas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Jobim
O ministro da Defesa, que ocupou a primeira fileira na cerimônia, aplaudiu Maria do Rosário e depois, em entrevista, ao ser questionado se a fase de embate entre Defesa e Direitos Humanos estava encerrada, disse que está trabalhando para "virar a página".
Indagado sobre algumas partes mais duras do discurso da ministra, que pediu o reconhecimento do Estado quanto aos mortos e desaparecidos políticos, minimizou: "É isso que está sendo feito. Tudo que ela diz está sendo feito. Estamos trabalhando por isso". Ele afirmou também que não se opõe à criação da Comissão da Verdade, justificando que participou da elaboração desse texto.
Na plateia, estava o ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), que ouviu Maria do Rosário homenagear os guerrilheiros que "empenharam suas vidas generosamente porque acreditavam na liberdade e na democracia". À ditadura, referiu-se como "período de exceção".
Maria do Rosário foi muito aplaudida ao apelar à Câmara para que aprove a Comissão da Verdade. "Devemos enfrentar as questões para caracterizar a consciente virada de página do momento da história". Mas recebeu tímidas palmas ao avisar que esta Comissão da Verdade não busca retaliar as Forças Armadas. "A constituição da Comissão da Verdade não se trata, jamais, de qualquer atitude de revanche, como disse, em seu discurso, a presidente Dilma."
"Estamos movidos pelo entendimento e até pelo reconhecimento que no Brasil de hoje, no Estado brasileiro, não há qualquer instituição contra a democracia", prosseguiu a nova ministra, tentando mostrar que não quer ter problemas no relacionamento com os militares, ela prosseguiu dizendo que "as Forças Armadas são parte da consolidação democrática deste Brasil e nas Forças Armadas há o desejo de trabalharmos de forma conjunta neste processo de consolidação da democracia".
Ao pedir a implementação do PNDH3, que desgastou o governo Lula e a campanha da petista Dilma Rousseff por defender temas como aborto e casamento homossexual, a ministra disse que "a hora é de avançar, de fazer ainda mais e melhor". Apesar de abordar temas polêmicos, adotou um tom conciliador, citando que o atual momento é de "diálogo" e sem retaliações.
Araguaia
Ela fez questão de citar ainda a recente definição da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que entendeu que o Estado brasileiro tem uma dívida histórica no que diz respeito aos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia. "Com total tranquilidade e unidade de pensamento e ação no Poder Executivo estaremos desenvolvendo ações que respondam às indicações desse organismo que integramos", disse a ministra, pedindo, ainda que os demais poderes da Republica, no exercício de suas funções constitucionais e preservada a independência e harmonia que nos caracteriza, analisem as questões apresentadas pela Corte Interamericana. Para a ministra, "passados quase 50 anos do início do período de exceção no Brasil, é chegada a hora de agirmos com objetividade".
Ao insistir na criação da Comissão da Verdade, afirmou que se trata de uma dívida brasileira.
Responsabilidades
Ao final da cerimônia, em entrevista, a ministra explicou o tom de seu discurso ao dizer que o Estado tem responsabilidade pelos mortos e desaparecidos políticos. "Esta é uma responsabilidade ampla. Não estamos personalizando, em procurando (culpar) um ou outro". E completou: "Estamos conciliando a nação brasileira". A ministra insistiu que o País "criou um jeito brasileiro de fazer um processo de reconhecimento dos fatos daquele período", acrescentando que Forças Armadas e sociedade civil, "fazem parte de um mesmo projeto nacional".
"Não há embates", disse ela, se contrapondo ao tempo que seu antecessor, Paulo Vanucchi, estava no cargo e criou inúmeros problemas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Jobim
O ministro da Defesa, que ocupou a primeira fileira na cerimônia, aplaudiu Maria do Rosário e depois, em entrevista, ao ser questionado se a fase de embate entre Defesa e Direitos Humanos estava encerrada, disse que está trabalhando para "virar a página".
Indagado sobre algumas partes mais duras do discurso da ministra, que pediu o reconhecimento do Estado quanto aos mortos e desaparecidos políticos, minimizou: "É isso que está sendo feito. Tudo que ela diz está sendo feito. Estamos trabalhando por isso". Ele afirmou também que não se opõe à criação da Comissão da Verdade, justificando que participou da elaboração desse texto.
MODERNIZAÇÃO DOS ESQUILOS DO EXÉRCITO
Mais de duas décadas depois da incorporação dos primeiros helicópteros AS350 Esquilo à frota do Comando de Aviação do Exército (CAvEx), a Helibras vai implantar um programa de modernização de 33 aeronaves que se encontram em operação naquele Comando e reconstrução de outras três desse modelo que se encontram inoperantes.
O contrato para realização do programa, no valor de US$ 92 milhões, foi assinado no dia 30 de dezembro passado, no Quartel General do Exército, em Brasília. Os trabalhos terão inicio este ano, nas instalações da Helibras, em Itajubá (MG), com término previsto para 2018.
O programa de modernização capacitará os helicópteros a operar por pelo menos mais 25 anos e abrangerá a substituição dos bancos por modelos com blindagem e capacidade de absorção de impacto, a instalação de um piloto automático e a troca do painel de instrumentos analógico por um sistema integrado com telas MFD (Multifunction Display), que reúnem informações de navegação.
As novas soluções de aviônicos serão desenvolvidas no Brasil pela Sagem Avionics em conjunto com a Aeroeletrônica, com base em um acordo de cooperação firmado entre as duas empresas e a Helibras em novembro último. Esse fornecimento assegurará a revisão desses equipamentos no Brasil, como também futuras modernizações de outras aeronaves civis e militares na região.
Além da frota de aeronaves do CAvEx, o pacote de modernização criado pela Helibras está preparado para atender toda a frota de AS350 Esquilo em operação no Brasil – cerca de 300 aeronaves. Segundo Eduardo Marson, presidente da Helibras, trata-se de uma importante inovação que a Helibras introduz em seu mais versátil modelo: “A tecnologia deu enorme salto desde que os primeiros AS350 Esquilo começaram a ser operados. A aviônica ganhou itens digitais, gerenciados por computadores, que resultam em mais segurança e menor carga de trabalho para o piloto”, afirma o executivo.
O contrato para realização do programa, no valor de US$ 92 milhões, foi assinado no dia 30 de dezembro passado, no Quartel General do Exército, em Brasília. Os trabalhos terão inicio este ano, nas instalações da Helibras, em Itajubá (MG), com término previsto para 2018.
O programa de modernização capacitará os helicópteros a operar por pelo menos mais 25 anos e abrangerá a substituição dos bancos por modelos com blindagem e capacidade de absorção de impacto, a instalação de um piloto automático e a troca do painel de instrumentos analógico por um sistema integrado com telas MFD (Multifunction Display), que reúnem informações de navegação.
As novas soluções de aviônicos serão desenvolvidas no Brasil pela Sagem Avionics em conjunto com a Aeroeletrônica, com base em um acordo de cooperação firmado entre as duas empresas e a Helibras em novembro último. Esse fornecimento assegurará a revisão desses equipamentos no Brasil, como também futuras modernizações de outras aeronaves civis e militares na região.
Além da frota de aeronaves do CAvEx, o pacote de modernização criado pela Helibras está preparado para atender toda a frota de AS350 Esquilo em operação no Brasil – cerca de 300 aeronaves. Segundo Eduardo Marson, presidente da Helibras, trata-se de uma importante inovação que a Helibras introduz em seu mais versátil modelo: “A tecnologia deu enorme salto desde que os primeiros AS350 Esquilo começaram a ser operados. A aviônica ganhou itens digitais, gerenciados por computadores, que resultam em mais segurança e menor carga de trabalho para o piloto”, afirma o executivo.
O FABRICANTE DO EUROFIGTHER NO PÁREO NOVAMENTE
O adiamento, por tempo indeterminado, da compra de 36 caças de combate, para modernizar a frota da força aérea Brasileira (FAB), na opinião do principal executivo do consórcio europeu Eurofighter, fabricante do caça que leva o mesmo nome, Enzo Casolini, pode servir como oportunidade ideal para o Brasil voltar a avaliar o que as maiores empresas de defesa e tecnologia na Europa (EADS, Alenia- Finmeccanicae BAESystems) podem oferecer ao país em termos de custos, transferência de tecnologia, além de benefícios industriais.
O Eurofighter participou da primeira fase do processo de seleção dos caças brasileiros, o F-X2, mas foi eliminado com o argumento de que seu preço era muito alto. A decisão, segundo o executivo, surpreendeu bastante, pois foi baseada em um custo que se considerava superior às outras alternativas (Dassault, Boeinge Saab). "Este ano, no entanto, vimos publicado na imprensa brasileira que o Rafale custava mais que o Eurofighter e o F-18 também não era tão barato quanto se previa".
Como exemplo dos benefícios que o programa europeu poderia oferecer, Casolini cita o fato de o caça Eurofighter ter 80% de material composto, que é o futuro da aviação e está sendo usado pelas aeronaves Boeing 787 e Airbus A350. "Esta tecnologia está disponível para transferência. Algo que ninguém mais pode oferecer. Sem contar o fato de que temos o melhor avião disponível no mercado mundial e que o Eurofighter custa menos que o Rafale e é superior ao F-18 e ao Gripen", afirmou.
Segundo ele, se a nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e seu governo quiserem reconsiderar os benefícios que o programa F-X2 poderá trazer ao Brasil, não deveria subestimar o valor do Eurofighter, que é o maior projeto de defesa na Europa. Segundo ele, seria capaz de transferir ao Brasil tecnologias que nenhum outro poderia em termos de qualidade, quantidade e nível de conhecimentos para a indústria brasileira.
Juntas, as empresas que formam o consórcio Eurofighter faturaram US$ 120 bilhões em 2010, uma soma que, segundo Casolini, é mais alta se comparada com Boeing, Dassault e Saab. "Essas empresas tem conhecimento de todas as tecnologias mais avançadas e processos industriais, envolvendo aeronaves, radares, sensores, motores, aviônica, equipamentos de guerra eletrônica e armas, com soberania sobre uma eventual transferência para seus aliados estratégicos".
Casolini comentou ainda que as indústrias e os engenheiros brasileiros poderiam participar, desde o início, da nova versão do Eurofighter, o EF2020, que terá uma aerodinâmica mais avançada, além de um novo radar (E-Scan), um sistema de armas e um novo software. "Também estamos desenvolvendo uma versão naval para operações em porta-aviões, que poderia ser de interesse da marinha do Brasil".
A Embraer, segundo o executivo, foi capaz de se consolidar como o terceiro maior fabricante de aeronaves civis no mundo e a indústria italiana Alenia, uma das parceiras do consórcio Eurofighter, participou desse processo. "A indústria italiana teve um nível excelente de cooperação com a Embraer no programa Xavante e depois com o AMX", ressaltou. Atualmente, a FAB está modernizando a frota de AMX e, na Itália, segundo Casolini, a aeronave é utilizada pela sua força aérea em regiões de conflito como o Afeganistão.
O grupo europeu EADS, um dos parceiros do consórcio Eurofigther, segundo Casolini, também é um exemplo de parceria sólida que o Brasil desenvolve há vários anos e que envolve a indústria aeroespacial e de defesa nacional.
Entre os acordos em desenvolvimento com o Brasil estão a compra de 50 helicópteros para as forças Armadas brasileiras, de 12 aeronaves de transporte militar que operam na Amazônia, a modernização de nove aeronaves de patrulha marítima e também alguns contratos na área espacial. "Intercâmbio de tecnologias e de conhecimento é a única maneira que as empresas parceiras do Eurofighter sabem fazer negócios", finalizou.
O Eurofighter participou da primeira fase do processo de seleção dos caças brasileiros, o F-X2, mas foi eliminado com o argumento de que seu preço era muito alto. A decisão, segundo o executivo, surpreendeu bastante, pois foi baseada em um custo que se considerava superior às outras alternativas (Dassault, Boeinge Saab). "Este ano, no entanto, vimos publicado na imprensa brasileira que o Rafale custava mais que o Eurofighter e o F-18 também não era tão barato quanto se previa".
Como exemplo dos benefícios que o programa europeu poderia oferecer, Casolini cita o fato de o caça Eurofighter ter 80% de material composto, que é o futuro da aviação e está sendo usado pelas aeronaves Boeing 787 e Airbus A350. "Esta tecnologia está disponível para transferência. Algo que ninguém mais pode oferecer. Sem contar o fato de que temos o melhor avião disponível no mercado mundial e que o Eurofighter custa menos que o Rafale e é superior ao F-18 e ao Gripen", afirmou.
Segundo ele, se a nova presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e seu governo quiserem reconsiderar os benefícios que o programa F-X2 poderá trazer ao Brasil, não deveria subestimar o valor do Eurofighter, que é o maior projeto de defesa na Europa. Segundo ele, seria capaz de transferir ao Brasil tecnologias que nenhum outro poderia em termos de qualidade, quantidade e nível de conhecimentos para a indústria brasileira.
Juntas, as empresas que formam o consórcio Eurofighter faturaram US$ 120 bilhões em 2010, uma soma que, segundo Casolini, é mais alta se comparada com Boeing, Dassault e Saab. "Essas empresas tem conhecimento de todas as tecnologias mais avançadas e processos industriais, envolvendo aeronaves, radares, sensores, motores, aviônica, equipamentos de guerra eletrônica e armas, com soberania sobre uma eventual transferência para seus aliados estratégicos".
Casolini comentou ainda que as indústrias e os engenheiros brasileiros poderiam participar, desde o início, da nova versão do Eurofighter, o EF2020, que terá uma aerodinâmica mais avançada, além de um novo radar (E-Scan), um sistema de armas e um novo software. "Também estamos desenvolvendo uma versão naval para operações em porta-aviões, que poderia ser de interesse da marinha do Brasil".
A Embraer, segundo o executivo, foi capaz de se consolidar como o terceiro maior fabricante de aeronaves civis no mundo e a indústria italiana Alenia, uma das parceiras do consórcio Eurofighter, participou desse processo. "A indústria italiana teve um nível excelente de cooperação com a Embraer no programa Xavante e depois com o AMX", ressaltou. Atualmente, a FAB está modernizando a frota de AMX e, na Itália, segundo Casolini, a aeronave é utilizada pela sua força aérea em regiões de conflito como o Afeganistão.
O grupo europeu EADS, um dos parceiros do consórcio Eurofigther, segundo Casolini, também é um exemplo de parceria sólida que o Brasil desenvolve há vários anos e que envolve a indústria aeroespacial e de defesa nacional.
Entre os acordos em desenvolvimento com o Brasil estão a compra de 50 helicópteros para as forças Armadas brasileiras, de 12 aeronaves de transporte militar que operam na Amazônia, a modernização de nove aeronaves de patrulha marítima e também alguns contratos na área espacial. "Intercâmbio de tecnologias e de conhecimento é a única maneira que as empresas parceiras do Eurofighter sabem fazer negócios", finalizou.
ATAQUES DAS FARCS
O chefe máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Guillermo León Sáenz, conhecido como "Alfonso Cano", anunciou que em 2011 multiplicarão as "ações em todos os sentidos" e pediu especial atenção aos projetos de restituição de terras e de reparação de vítimas que tramitam no Congresso colombiano.
A mensagem de saudação por ocasião do início do ano foi divulgada através de um vídeo postado nesta sexta-feira no site Anncol, que publica material da guerrilha. "Em 2011, redobraremos as atividades em todos os sentidos, seguindo nossas convicções, os cuidados impostos pela experiência e o incentivo de todos os que já morreram", assinalou Cano no vídeo de quase 13 minutos no qual aparece lendo a mensagem em um moderno computar portátil.
O anúncio coincide com o ataque das Farc nesta sexta-feira em San Vicente do Caguán, no departamento de Caquetá, onde o grupo criminoso pretendia tomar um posto de Polícia, ação que deixou cinco guerrilheiros, três militares e um civil mortos.
Cano, que assumiu a chefia das Farc em maio de 2008, depois da morte de Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda" e "Tirofijo", assinalou que em 2011 a guerrilha será protagonista em todos os temas relevantes do país.
O líder guerrilheiro, que vestia um traje camuflado e estava em uma tenda de campanha, sustentou que os guerrilheiros não deixarão "um só instante de lutar pela solução política do conflito", porque, segundo manifestou, amam a paz.
Cano assegurou, no entanto, que enquanto todos os atores não chegarem ao caminho da reconciliação e da paz, as Farc continuarão "desenvolvendo a guerra de guerrilhas".
Ao se referir ao caos provocado pelas chuvas, o líder indicou que o desastre e as vítimas são consequência da má administração do Governo. Também assinalou que os danos deixados pelas chuvas são consequência da prospecção inclemente e desmedida dos recursos naturais por parte de capitalistas estrangeiros.
Cano pediu ainda especial atenção aos projetos de restituição de terras e reparação de vítimas, que tramitam no Congresso colombiano, pois, segundo ele, se forem tratados "com seriedade podem contribuir para solução do conflito".
O líder guerrilheiro indicou que é "inadiável" a devolução da terra aos seus verdadeiros donos, ou seja, aos colonos, aos camponeses, às comunidades negras e indígenas.
Em dezembro, a Câmara de Representantes da Colômbia aprovou a Lei de Vítimas, que procura atender e reparar mais de quatro milhões de afetados pelo conflito armado, sem discriminar se os causadores foram guerrilhas, paramilitares ou agentes do Estado. A iniciativa agora será analisada no Senado.
A mensagem de saudação por ocasião do início do ano foi divulgada através de um vídeo postado nesta sexta-feira no site Anncol, que publica material da guerrilha. "Em 2011, redobraremos as atividades em todos os sentidos, seguindo nossas convicções, os cuidados impostos pela experiência e o incentivo de todos os que já morreram", assinalou Cano no vídeo de quase 13 minutos no qual aparece lendo a mensagem em um moderno computar portátil.
O anúncio coincide com o ataque das Farc nesta sexta-feira em San Vicente do Caguán, no departamento de Caquetá, onde o grupo criminoso pretendia tomar um posto de Polícia, ação que deixou cinco guerrilheiros, três militares e um civil mortos.
Cano, que assumiu a chefia das Farc em maio de 2008, depois da morte de Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda" e "Tirofijo", assinalou que em 2011 a guerrilha será protagonista em todos os temas relevantes do país.
O líder guerrilheiro, que vestia um traje camuflado e estava em uma tenda de campanha, sustentou que os guerrilheiros não deixarão "um só instante de lutar pela solução política do conflito", porque, segundo manifestou, amam a paz.
Cano assegurou, no entanto, que enquanto todos os atores não chegarem ao caminho da reconciliação e da paz, as Farc continuarão "desenvolvendo a guerra de guerrilhas".
Ao se referir ao caos provocado pelas chuvas, o líder indicou que o desastre e as vítimas são consequência da má administração do Governo. Também assinalou que os danos deixados pelas chuvas são consequência da prospecção inclemente e desmedida dos recursos naturais por parte de capitalistas estrangeiros.
Cano pediu ainda especial atenção aos projetos de restituição de terras e reparação de vítimas, que tramitam no Congresso colombiano, pois, segundo ele, se forem tratados "com seriedade podem contribuir para solução do conflito".
O líder guerrilheiro indicou que é "inadiável" a devolução da terra aos seus verdadeiros donos, ou seja, aos colonos, aos camponeses, às comunidades negras e indígenas.
Em dezembro, a Câmara de Representantes da Colômbia aprovou a Lei de Vítimas, que procura atender e reparar mais de quatro milhões de afetados pelo conflito armado, sem discriminar se os causadores foram guerrilhas, paramilitares ou agentes do Estado. A iniciativa agora será analisada no Senado.
sudão II
O presidente sudanês, Omar al-Bashir, afirmou nesta sexta-feira que a separação do sul do Sudão não significará o fim de seu governo, caso a região meridional opte pela independência no plebiscito do próximo dia 9.
"As pessoas que consideram que a separação do sul será o fim de nosso governo são muito fantasiosas. Isso significará uma nova etapa e uma nova revolução", assegurou al-Bashir em discurso perante seguidores durante a inauguração de uma ponte no norte de Cartum. Além disso, ressaltou que não vai voltar atrás na aplicação da sharia, ou lei islâmica, se o sul do Sudão escolher a independência.
No dia 19 de dezembro al-Bashir anunciou que o norte mudaria a Constituição para que a lei islâmica seja sua principal fonte no caso de autodeterminação do sul, e insistiu que "não se falará então da variedade de culturas, nem de etnias ou religiões".
O norte do Sudão, de maioria muçulmana, e o sul, predominantemente cristão e animista, travaram uma guerra de 20 anos que terminou com um acordo de paz em 2005 que estipulava tanto a realização das eleições gerais de abril como o plebiscito sobre a independência do sul no início de 2011.
Mais de dois milhões de pessoas morreram nesse conflito, que começou em 1983 quando o regime de Cartum impôs a lei islâmica em todo o país e os sulinos se rebelaram.
"As pessoas que consideram que a separação do sul será o fim de nosso governo são muito fantasiosas. Isso significará uma nova etapa e uma nova revolução", assegurou al-Bashir em discurso perante seguidores durante a inauguração de uma ponte no norte de Cartum. Além disso, ressaltou que não vai voltar atrás na aplicação da sharia, ou lei islâmica, se o sul do Sudão escolher a independência.
No dia 19 de dezembro al-Bashir anunciou que o norte mudaria a Constituição para que a lei islâmica seja sua principal fonte no caso de autodeterminação do sul, e insistiu que "não se falará então da variedade de culturas, nem de etnias ou religiões".
O norte do Sudão, de maioria muçulmana, e o sul, predominantemente cristão e animista, travaram uma guerra de 20 anos que terminou com um acordo de paz em 2005 que estipulava tanto a realização das eleições gerais de abril como o plebiscito sobre a independência do sul no início de 2011.
Mais de dois milhões de pessoas morreram nesse conflito, que começou em 1983 quando o regime de Cartum impôs a lei islâmica em todo o país e os sulinos se rebelaram.
Sudão do sul
Dezessete anos depois da separação da Eritreia da Etiópia, um outro país africano, o maior do continente, está diante de uma divisão: o Sudão. No próximo domingo (09/01), os cinco milhões de habitantes do sul sudanês começam a decidir em referendo se a região, após muitas disputas, se tornará independente. A votação prosseguirá até o dia 15.
A guerra civil entre o norte islâmico do Sudão e o sul, majoritariamente cristão e animista, durou mais de 20 anos. Quase dois milhões de pessoas morreram e outros milhões se tornaram refugiados. Os motivos para o confronto, segundo especialistas, foram conflitos étnicos e, acima de tudo, uma disputa de poder em torno de reservas de petróleo.
Acordo de paz
O confronto chegou ao fim oficialmente em 2005, com a assinatura de um tratado de paz entre o Partido do Congresso Nacional, do norte sudanês, e o Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM), do sul do país.
Segundo o acordo, ambas as partes concordam com um referendo no qual os habitantes do sul decidirão sobre a independência da região do governo sudanês. A votação aconteceria seis anos após a assinatura do tratado, entre 9 e 15 de janeiro de 2011. Até esta data, a autonomia do sul sudanês fora garantida.
Além da parte sul do país, o acordo também abrange a rica região petrolífera Abyei, na fronteira entre o norte e o sul sudanês. Para a província, um referendo paralelo seria agendado e os moradores poderiam decidir sobre o futuro da região. No caso de uma divisão do Sudão, Abyei teria a opção de escolher a qual das duas partes gostaria de pertencer.
Mas a falta de acordo sobre quais grupos da população poderiam participar deste segundo referendo levou ao cancelamento dele, o que não contribuiu para aliviar a precária situação política interna sudanesa antes da grande votação.
Os motivos da tensão incluem direitos sobre o uso da terra e também interferência política externa. Além disso, Cartum (a capital do Sudão) e Juba (a capital do sul) promovem uma luta pelo poder em Abyei, por meio de seus aliados regionais, para assegurar o controle dos campos de petróleo da província.
Votação
Os principais preparativos para o grande referendo começaram em novembro de 2010, quando o governo do sul sudanês passou a registrar os eleitores – para os críticos, um início tardio. A dificuldade de se chegar a todos os eleitores logo ficou evidente. Além dos cerca de 4,5 milhões de eleitores que vivem na região, há muitos outros que se refugiaram em países vizinhos e mesmo além-mar durante a guerra civil.
Depois de diversas prorrogações, o prazo para o registro foi encerrado em 8 de dezembro último. Dos mais de 5 milhões de eleitores do sul sudanês, aproximadamente 3,9 milhões retiram o cartão de votação, informou a comissão do referendo.
Para que a votação seja válida, ao menos 60% dos registrados deverão participar do referendo do próximo domingo. E a decisão sobre a divisão do país necessita de maioria, ou seja, são necessários no mínimo 50% mais um dos votos. No sul sudanês, no entanto, ninguém duvida que essa marca será alcançada. O resultado do referendo deverá ser divulgado em 15 de fevereiro.
O presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, viajou nesta terça-feira a Juba, onde afirmou que o governo central acatará a decisão dos sul-sudaneses. As expectativas internacionais, entretanto, são de um otimismo cauteloso, principalmente devido ao conflito envolvendo a região de Abyei.
A guerra civil entre o norte islâmico do Sudão e o sul, majoritariamente cristão e animista, durou mais de 20 anos. Quase dois milhões de pessoas morreram e outros milhões se tornaram refugiados. Os motivos para o confronto, segundo especialistas, foram conflitos étnicos e, acima de tudo, uma disputa de poder em torno de reservas de petróleo.
Acordo de paz
O confronto chegou ao fim oficialmente em 2005, com a assinatura de um tratado de paz entre o Partido do Congresso Nacional, do norte sudanês, e o Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM), do sul do país.
Segundo o acordo, ambas as partes concordam com um referendo no qual os habitantes do sul decidirão sobre a independência da região do governo sudanês. A votação aconteceria seis anos após a assinatura do tratado, entre 9 e 15 de janeiro de 2011. Até esta data, a autonomia do sul sudanês fora garantida.
Além da parte sul do país, o acordo também abrange a rica região petrolífera Abyei, na fronteira entre o norte e o sul sudanês. Para a província, um referendo paralelo seria agendado e os moradores poderiam decidir sobre o futuro da região. No caso de uma divisão do Sudão, Abyei teria a opção de escolher a qual das duas partes gostaria de pertencer.
Mas a falta de acordo sobre quais grupos da população poderiam participar deste segundo referendo levou ao cancelamento dele, o que não contribuiu para aliviar a precária situação política interna sudanesa antes da grande votação.
Os motivos da tensão incluem direitos sobre o uso da terra e também interferência política externa. Além disso, Cartum (a capital do Sudão) e Juba (a capital do sul) promovem uma luta pelo poder em Abyei, por meio de seus aliados regionais, para assegurar o controle dos campos de petróleo da província.
Votação
Os principais preparativos para o grande referendo começaram em novembro de 2010, quando o governo do sul sudanês passou a registrar os eleitores – para os críticos, um início tardio. A dificuldade de se chegar a todos os eleitores logo ficou evidente. Além dos cerca de 4,5 milhões de eleitores que vivem na região, há muitos outros que se refugiaram em países vizinhos e mesmo além-mar durante a guerra civil.
Depois de diversas prorrogações, o prazo para o registro foi encerrado em 8 de dezembro último. Dos mais de 5 milhões de eleitores do sul sudanês, aproximadamente 3,9 milhões retiram o cartão de votação, informou a comissão do referendo.
Para que a votação seja válida, ao menos 60% dos registrados deverão participar do referendo do próximo domingo. E a decisão sobre a divisão do país necessita de maioria, ou seja, são necessários no mínimo 50% mais um dos votos. No sul sudanês, no entanto, ninguém duvida que essa marca será alcançada. O resultado do referendo deverá ser divulgado em 15 de fevereiro.
O presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, viajou nesta terça-feira a Juba, onde afirmou que o governo central acatará a decisão dos sul-sudaneses. As expectativas internacionais, entretanto, são de um otimismo cauteloso, principalmente devido ao conflito envolvendo a região de Abyei.
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