quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

BABY DOC UM PROBLEMA DE GOVERNABILIDADE

O ex-presidente do Haiti Jean-Claude Duvalier, também conhecido como Baby Doc, retornou ao país 25 anos depois de ser deposto por uma revolta popular. Duvalier, 59 anos, chegou ao aeroporto da capital Porto Príncipe no domingo, em um voo vindo da França, onde ele vivia exilado.



O retorno inesperado de Baby Doc ao Haiti ocorre no momento em que o país enfrenta uma crise política, uma epidemia de cólera e as dificuldades da reconstrução após o terremoto devastador do ano passado que matou mais de 250 mil pessoas.



Não se sabe ao certo o que motivou o regresso de Duvalier, mas ele disse que quer "ajudar o povo haitiano". O primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, disse que não há motivo para acreditar que a chegada de Baby Doc vá desestabilizar o país. "Ele é um haitiano e, como tal, é livre para voltar para casa", disse Bellerive.



Governo violento



Jean-Claude Duvalier tinha apenas 19 anos quando herdou o título de "presidente vitalício" de seu pai, François "Papa Doc" Duvalier, que governou o país de 1957 a 1971. Baby Doc é acusado de corrupção, repressão e abuso de direitos humanos durante o tempo em que esteve no poder, de 1971 a 1986.



Como o pai, ele contava com uma milícia particular conhecida como os Tontons Macoutes, que controlava o Haiti usando violência e intimidação. Os Duvalier são tidos por analistas como dois dos mais violentos governantes da História.



Vodu



Papa Doc reforçou sua imagem ameaçadora com um culto de personalidade baseado no vodu haitiano, mas Baby Doc era visto como um playboy. Em 1986, ele foi deposto por um levante popular após pressão diplomática dos Estados Unidos e fugiu para a França, onde vivia exilado, apesar de nunca ter recebido asilo político formal.



Em uma entrevista em 2007, ele pediu que o povo haitiano o perdoe por "erros" cometidos durante seu governo. Um pequeno grupos de partidários de Duvalier vinha fazendo uma campanha para que ele voltasse ao Haiti.



Crise política



O retorno de Duvalier ao país aconteceu no dia exato em que deveria ocorrer o segundo turno das eleições presidenciais no Haiti, mas a votação foi adiada por causa de uma disputa em torno dos nomes que deveriam constar na cédula eleitoral.



O candidato governista, Jude Celestin, e o cantor Michel Martelly querem participar do segundo turno com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, considerada vencedora do primeiro turno, em 28 de novembro, em uma votação fortemente criticada por causa de relatos de fraude, violência e intimidação de eleitores.



Resultados provisórios anunciados em dezembro pelo conselho eleitoral apontavam Celestin como o segundo colocado, com pequena vantagem sobre Martelly. Mas os resultados provocaram protestos violentos por parte de partidários de Martelly, que alegou ter perdido o segundo lugar por causa de fraudes.

FORTALECIMENTO DO SETOR AEROESPACIAL

Com foco em inovação, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem que pretende fortalecer o setor aeroespacial brasileiro por meio de boas propostas e muita motivação. Em seu primeiro compromisso oficial como ministro, Mercadante esteve ontem no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, e afirmou que o instituto terá importância estratégica em sua gestão, especialmente pelos programas que desenvolve nas áreas de monitoramento de florestas, mudanças climáticas, previsão de tempo e desenvolvimento de satélites.




Mercadante ressaltou que vai procurar uma solução para o problema do déficit de especialistas na área espacial, com a contratação de novos pesquisadores. "A geração dos 50 e 60 anos já representa quase dois terços do pessoal que trabalha hoje no Inpe e no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e o Estado precisa preservar as suas funções de excelência."



O ministro comentou que, nos últimos dois anos, os pesquisadores do Inpe e do DCTA tiveram reajuste salarial importante - 92%, em média - , mas lembrou que o índice ainda está defasado em relação ao mercado de trabalho, que está aquecido.



O ministério, segundo Mercadante, quer trazer de volta pesquisadores que hoje trabalham fora do país. Só em universidades americanas de primeiro nível, segundo o ministro, trabalham hoje cerca de 3 mil professores brasileiros.



"Precisamos criar uma rede para que esses profissionais se relacionem com o Brasil e possam participar de projetos no nosso país, e também abrir uma porta para os que quiserem voltar, além de incentivar a vinda de pesquisadores estrangeiros de alto nível para trabalhar em nossas universidades e institutos de pesquisa", disse.



Mercadante comentou que ainda é prematuro falar em mudanças estratégicas no programa espacial brasileiro. "Temos de avaliar com profundidade o que nós vamos fazer e a ideia é elaborar um diagnóstico bem rigoroso para construir uma estratégia que seja consistente e duradoura."



Qualquer alteração no âmbito das empresas do ministério (ACS, Nuclepe Sibratec), segundo ele, só será feita a partir de uma avaliação rigorosa da atual equipe recém-indicada para trabalhar no ministério. "O critério vai ser competência técnica e excelência. Isso aqui é política de Estado e nós vamos tratar todas essas instituições com esse perfil. A presidente me deu total liberdade para fazer isso."



Na área de lançadores de satélites, o ministro disse que o objetivo é continuar e avançar. No dia 21, Mercadante voltará a São José dos Campos para conhecer de perto os principais projetos do Brasil nessa área e programou uma visita ao DCTA. O ministro será recebido pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.



Mercadante disse que considera indispensável o investimento em satélites que fazem o monitoramento climático e dão apoio à previsão de safra. "A economia satelital representa hoje US$ 206 bilhões por ano. Portanto, é um setor de grande disputa estratégica, de alto valor agregado e que também permite desenvolvimento de inovação em muitas outras áreas da economia", afirmou.

laboratório oceanográfico em alto mar

O Brasil tem uma ambiciosa proposta de fincar um laboratório oceanográfico na mais remota fronteira marítima do país e, com isso, garantir o domínio territorial sobre uma área em que as riquezas naturais escondidas vão além do petróleo na camada do pré-sal. No limite da plataforma continental, a 350 milhas náuticas (648 quilômetros) da costa, o potencial de reservas minerais é imensurável, segundo uma fonte militar revelou ao GLOBO.




Com a implantação de um centro de pesquisas em alto-mar e o investimento em satélites, embarcações de patrulhamento e submarinos, a estratégia que vem sendo esboçada reservadamente pelo governo Dilma Rousseff é no sentido de afastar investidas de estrangeiros, como americanos, russos, alemães e japoneses, nos cobiçados mares do Atlântico Sul.



O instrumento de pesquisa, cujo projeto envolve os ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e investidores privados brasileiros, passará a ser usado para marcar a presença do Brasil dentro e fora das 200 milhas (370 quilômetros) hoje delimitadas. É o mesmo espírito que move a ocupação de pesquisadores do minúsculo arquipélago de São Pedro e São Paulo, a 1.010 quilômetros de Natal (RN). Os cientistas atualmente se revezam a cada 15 dias no arquipélago.



A localização e o projeto da plataforma fixa que dará suporte ao laboratório ainda estão em fase de elaboração. A determinação de custos e de prazo para a construção do equipamento é a próxima etapa, e a ideia é formalizar um consórcio com a participação do governo, da Petrobras e de parceiros da industrial nacional para custear o projeto. Além das pesquisas direcionadas à segurança ambiental, ao desenvolvimento de tecnologia naval e à biotecnologia, já há entendimento para que o laboratório tenha um observatório submarino, cujas imagens estariam disponíveis ao público pela internet.



Exploração brasileira tem respaldo das Nações Unidas

No limite de 200 milhas mar a dentro, entra na pauta de prioridades a descoberta de petróleo no pré-sal. Os mais preocupados citam a volta da Quarta Frota dos Estados Unidos, país atento ao fortalecimento de uma frota militar na região. Um oficial da Marinha lembra a "incrível coincidência" entre o anúncio do petróleo na camada pré-sal e a decisão dos americanos de deslocar para o Caribe a Quarta Frota - divisão da Marinha americana responsável por operações no Atlântico Sul.



O faturamento potencial das reservas do pré-sal, considerando as atuais estimativas de 40 bilhões de barris, com o preço médio unitário de US$100, alcançaria US$4 trilhões. A ideia, segundo revelou ao GLOBO alto funcionário do governo, é "cravar os pés brasileiros" em um eldorado cuja soberania nacional pode ser questionada no futuro. A autoridade lembra que, nos limites oceânicos, prevalece a ocupação permanente para fins de domínio territorial.



- Vamos pegar o limite da área de disputa, antes de outros. Eles vêm aqui com a Quarta Frota e nós vamos com o laboratório marítimo, muito mais simpático - afirma.



O Brasil já conquistou, junto às Nações Unidas, respaldo para explorar científica e comercialmente uma vasta área oceânica, que alcança 350 milhas náuticas, entre a fronteira com a Guiana Francesa e a divisa com o Uruguai. E disputa outros três trechos estratégicos, um ao sul e outro ao norte das reservas do pré-sal, inclusive na ainda misteriosa costa do extremo sul do país. O terceiro ponto segue em direção ao Mar do Caribe.



A questão é que, quando o pré-sal estiver a pleno vapor, o Brasil estará entre os maiores fornecedores de petróleo do mundo, podendo chegar ao nível do Oriente Médio. Passará também a ser um ator relevante no setor de energia. Assim, exercerá influência sobre as nações produtoras e terá de negociar pesadamente com os grandes consumidores, onde se inserem os americanos.



- Estamos trabalhando sobre um cenário de 30, 40 anos. Nossa preocupação, no caso do pré-sal, não é com uma ameaça imediata. Não importa o que aconteça no futuro, temos de estar preparados para a adversidade - esclareceu uma fonte da área militar.



Em outra frente, o Brasil se prepara para disputar novos espaços para entrar firme em mineração no solo oceânico, na área fora do pré-sal e após as 200 milhas, entre a África e a América do Sul. As Nações Unidas trabalham em uma normatização para a exploração dos solos marinhos na faixa entre os dois continentes, hoje ocupada por embarcações da Rússia, do Japão e da Alemanha.



- A América do Sul e a África podem interferir nas decisões da ONU sobre o Atlântico Sul - diz essa fonte.



Um das preocupações é que, com a autorização dada aos países para explorar minérios, serão montadas estruturas no caminho das rotas marítimas comerciais brasileiras, o que provocará aumento de custo e obrigará navios a desviarem o curso. Mais um item a encarecer o frete.



- O Atlântico Sul é a região do oceano menos estudada do planeta e 92% do nosso comércio exterior passam por lá. Essa base científica é fundamental e vale a pena, não importa o custo - avalia Jorge Ramalho, especialista em relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).



Plataforma será patrulhada por submarino nuclear

No ano passado, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, iniciou uma ofensiva junto aos países da Costa Oeste da África, para que seja deslanchada uma ação conjunta que beneficie os dois continentes na negociação no âmbito da ONU. Jobim ofereceu a Marinha brasileira para ajudar os africanos a mapearem sua plataforma continental e estabelecer seus próprios limites.



Para assegurar o controle da plataforma brasileira, serão usados um submarino convencional e um submarino nuclear, que pode ficar meses submerso com uma velocidade maior. Também serão comprados mais navios de patrulha oceânica e construído um sistema de satélite para monitorar a chamada Amazônia Azul.

SISFRON

 O Exército vai lançar um Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), com investimento de R$ 10 bilhões, visando modernizar as Forças Armadas, segundo a "Folha".




O sistema deve ser concluído em 2019 e será feito em três etapas. O gasto com manutenção anual chegará a 10% do total do orçamento. Inicialmente, o projeto inclui equipamentos como radares de comunicação de diferentes graus de sofisticação, radar de imagem, veículos aéreos não tripulados (vants), além de blindados para abranger a fronteira terrestre.



Para o governo, o problema com as fronteiras é o principal quando se trata da segurança do país, levando em conta as "falhas" que acontecem na entrada de produtos ilícitos. Após o monitoramento do espaço aéreo, com o Sistema de Proteção da Amazônia, o contrabando e o tráfico de armas passaram a ser feitos por terra, chegando até as favelas cariocas.

DE OLHO NO ESPAÇO

Para ganhar espaço no uso de alguns dos telescópios mais poderosos do mundo, o Brasil vai pagar cerca de R$ 550 milhões durante dez anos ao Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês). O acordo, assinado no final de dezembro pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, e pelo diretor geral da ESO, Tim de Zeeuw, faz do Brasil o primeiro país de fora da Europa a ser membro do observatório.




O convênio permite a participação brasileira na construção do futuro superobservatório E-ELT, que terá 42 metros de abertura e deve ser inaugurado em 10 anos, em Paranal, no Deserto do Atacama, Chile.



Para o ministro Rezende, o país crescerá ainda mais na área se tiver acesso aos meios mais modernos de pesquisa astronômica e participar ativamente de grandes projetos de infraestrutura observacional.



Ele adianta que “A ESO é uma organização multilateral que até agora só tinha como membros os países europeus. A entidade é proprietária das melhores instalações de astronomia do mundo”.

contrato milionário

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos ainda não decidiu de quem vai comprar até 200 aviões turboélice de combate, mas a Embraer já está se preparando para o caso de ganhar esse contrato bilionário. A empresa obteve da autoridade aeroportuária da cidade de Jacksonville, na Flórida, uma opção para alugar um hangar para montar os aviões em território americano e já assegurou benefícios tributários para o projeto.



O governo americano deve escolher até junho o fornecedor dos aviões que serão usados sobretudo no combate ao tráfico de drogas em países como a Colômbia. O avião Super Tucano da Embraer é uma dos fortes candidatos a esse contrato, que pode oscilar entre valores de US$ 1 bilhão e US$ 3 bilhões.



A Embraer está impedida de comentar os seus planos para a Flórida, devido a cláusula de confidencialidade assinado com autoridades locais, mas o Valor confirmou os detalhes mais importantes do projeto com o grupo de desenvolvimento econômico da Câmara de Comércio de Jacksonville, que trabalhou no encaminhamento do pedido de benefícios fiscais.



"É um pouco mais difícil para uma empresa estrangeira, mesmo para quem tem uma subsidiária nos Estados Unidos como a Embraer, competir num contrato como esse", afirma Jerry Mallot, vice-presidente da Câmara de Comércio de Jacksonville. "Entre outras exigências, a empresa deve montar as aeronaves nos Estados Unidos."



O principal concorrente da empresa brasileira - fabricante de aeronaves comerciais, jatos executivos e aviões de defesa - nessa disputa é o suíço Pilatus, mas o Departamento de Defesa também colheu informações das americanas Hawker Beechcrafte Air Tractor. A Embraer tem uma subsidiária na cidade de Fort Lauderdale, na Florida, e está construindo uma fábrica para montar jatos executivos em Melboune, no mesmo Estado. Mallot considera que a montagem das aeronaves militares na Flórida deverá ajudar a Embraer a atender as exigências do governo americano.



A Autoridade Aeroportuária de Jacksonvile concedeu uma opção a Embraer para alugar um hangar com 3,7 mil metros quadrados no aeroporto internacional da cidade para a montagem dos aviões Super Tucanos, que seria exercida caso a empresa vença a disputa no Departamento de Defesa. A Comissão de Desenvolvimento Econômico de Jacksonville concedeu um incentivo fiscal de até US$ 150 milhões para a criação de 50 empregos com salários médios anuais de US$ 50 mil.



Na sua consulta às empresas, o Departamento de Defesa informou que planeja comprar inicialmente 100 aviões, mas o contrato final poderá subir a 200 aviões. A versão mais básica do Super Tucano custa US$ 10 milhões, mas o preço pode subir a US$ 15 milhões dependendo dos equipamentos instalados.



Uma das razões da Embraer para escolher Jacksonville para montar os aviões é a tradição da cidade no setor de aviação. "Temos uma mão-de-obra com as qualificações exigidas para a montagem de aviões", disse Mallot. Jacksonville tem uma base aérea da Marinha americana e fica a cerca de 250 quilômetros ao norte da base de lançamentos de foguetes de Cabo Canaveral.



O contrato com o Departamento de Defesa é considerado estratégico pela Embraer para recuperar o nível de vendas, que foram fortemente afetadas pela crise financeira mundial, e para diversificar a atuação da companhia e torná-la menos suscetível às recessões econômicas.



No terceiro trimestre de 2010, a que se refere o mais recente balanço, a Embraer entregou 44 aviões, o que representa 13 unidades a menos que o esmo periodo do ano anterior. Mas o número de encomendas de novas aeronaves vem se recuperando.



Centro da crise atual, em 2007 a América do Norte comprou US$ 3,377 bilhões em produtos da Embraer, o que corresponde a 47% das vendas da empresa no mundo todo. Cerca de dois terços dessas receitas vieram da venda de aviões para companhias aéreas. A Embraer vem apostando na diversificação de produtos, como o desenvolvimento de novos jatos executivos e produtos para a área de defesa, e de novos mercados, como Oriente Médio e resto da Ásia.



No ano passado, o Brasil assinou com os Estados Unidos um acordo de cooperação militar, o primeiro em 30 anos, que deve ajudar a Embraer na disputa pelo contrato. Em visita a Washington, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que, graças ao acordo militar, o Departamento de Defesa poderá dispensar licitação caso decida comprar os aviões da Embraer

sábado, 8 de janeiro de 2011

wikileaks e suas pérolas

A posição do Gana como centro de novas rotas do tráfico de cocaína da América Latina foi uma das mais recentes informações reveladas hoje por documentos diplomáticos divulgados pelo site Wikileaks e citados pela imprensa internacional.




O jornal britânico The Guardian avança que em janeiro o Presidente do Gana, John Evans Atta Mills, disse ao secretário de Estado adjunto norte-americano para os assuntos africanos, Johnnie Carson, que temia “um futuro sombrio” para o povo daquele país.



De acordo com o mesmo jornal, Mills terá mesmo manifestado a sua preocupação sobre o eventual envolvimento de elementos do Governo com traficantes de drogas.



Outros documentos secretos norte-americanos divulgados hoje pela imprensa internacional reproduzem uma conversa informal entre o ex-primeiro-ministro de Singapura, Lee Kuan Yew, (1959-1990), a embaixadora dos EUA, Patricia Herbold, e o secretário de Estado adjunto Thomas Christensen.



No encontro, Lee chama aos líderes da junta militar da Birmânia “estúpidos” e “lentos” e salienta que lidar com aquele regime é como “falar com pessoas mortas”.



Outras notas diplomáticas confidenciais dão conta de que os diplomatas norte-americanos acompanharam com muita atenção as tensões entre o ex-presidente do Governo catalão José Montilla, do PSC, e José Luis Rodriguez Zapatero presidente do Governo espanhol, do PSOE.



Os conflitos devido ao Estatuto da Catalunha e ao novo financiamento autonómico puseram em alerta o consulado americano que apreciou as atitudes “se paratistas” no PSC, pela procura do setor 'catalanista' de ter grupo próprio no Congresso.



Outra revelação com eco na imprensa internacional foi a alegada intervenção do departamento de Estado norte-americano para impedir que a presidência espanhola da UE (no primeiro semestre deste ano) levantasse o embargo de armas contra a China.



O diário espanhol El País revelou, por outro lado, que os EUA criaram em 2007 - dois anos após os atentados de Londres - um grupo de trabalho especial para combater e observar a radicalização da comunidade muçulmana no Reino Unido.



O dia de hoje também continuou a ser marcado pelo processo criminal contra o fundador do Wikileaks, Julian Assange, e por diversas reações, como a do Presidente russo, Dmitri Medvedev, que exigiu do Serviço de Reconhecimento Externo que tire o máximo proveito da fuga de informação.



Outra das vozes que hoje abordou o tema WikiLeaks foi antigo líder cubano Fidel Castro, que se regozijou com o 'duro golpe' que o portal lançou contra o 'império norte-americano'.



Já a organização Repórteres Sem Fronteiras condenou as medidas tomadas por governos e agências governamentais de todo o mundo para “censurar” sítios na Internet ou meios de comunicação que divulgam telegramas do Wikileaks.



Isto no dia em que um porta-voz do Pentágono anunciou que a Força Aérea norte-americana bloqueou o acesso dos seus computadores a 25 'sites' que publicam os telegramas diplomáticos, incluindo o New York Times.