O que significará a vinda da fábrica alemã de blindados Krauss-Maffei Wegmann (KMW) para Santa Maria? Além de dar visibilidade para a cidade até no Exterior, a empresa é uma grande promessa de desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e crescimento da economia local. A vinda da KMW é promissora, pois a unidade de manutenção e produção de blindados que a empresa abrirá na cidade tem grande chance de se tornar a maior indústria local. Além de repercutir a notícia com autoridades locais, o Diário ouviu um especialista na área militar, que diz que a KMW pode ser uma Embraer terrestre.
Por enquanto, a KMW é uma importante promessa, pois precisam ser superadas etapas. Além da compra da área e da construção do prédio, que deve ser feita em terreno no começo da Faixa de Rosário, será preciso iniciar a manutenção dos 220 Leopard 1A5, comprados da Alemanha. Esse trabalho deve começar no início de 2012, quando ficarem prontos o prédio da KMW e uma pista de testes.
Esse contrato de manutenção, que deve ser assinado pela KMW com o Brasil em breve, dará garantia para que a empresa faça novos investimentos em Santa Maria, com a criação do centro de desenvolvimento, para criar um novo blindado de transportes de tropas a ser oferecido ao Exército. O número de empregos da KMW, que deve ficar de 50 a cem engenheiros e técnicos até o segundo ano de atividade, poderá crescer se ela conseguir vender esses blindados ao Brasil ou a outros países. Segundo especialistas, aí está uma vulnerabilidade que pode atrapalhar o crescimento da KMW aqui – depender da venda a países.
Por outro lado, uma vantagem é que, segundo fontes do setor, o Exército teria intenção de fabricar no Brasil um novo blindado. Nesse ponto, a KMW seria uma boa parceira. Assim como ocorreu com a Iveco (do grupo Fiat), que investirá R$ 75 milhões ao abrir uma unidade em Sete Lagoas (MG), criando 350 empregos. A Iveco fabricará o Guarani, veículo blindado anfíbio criado em conjunto com o Exército. De 2012 a 2030, deve produzir 2.044 unidades do Guarani que já foram encomendadas, em contrato de R$ 6 bilhões. A torcida é que para que, em Santa Maria, a KMW tenha trajetória semelhante. No que depender do CEO da KMW, Frank Haun, a fábrica alemã ficará por décadas em Santa Maria.
domingo, 8 de maio de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
REUNIÃO DOS BRIC'S NA CHINA
Líderes de cinco das maiores economias emergentes do mundo, reunidos em uma cúpula nesta quinta-feira (13), vão rejeitar o uso da força no Oriente Médio e na Líbia, pedindo em lugar disso o diálogo e a não intervenção, segundo um rascunho de declaração que está sendo preparada pelos países.
Veja a cobertura completa da crise na Líbia
Os grandes países emergentes (Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e, pela primeira vez, África do Sul) realizam nesta quinta-feira – noite de quarta-feira 12 no Brasil – uma cúpula centrada nas grandes questões internacionais, que deve confirmar o crescente peso desses países na esfera mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, recebe na ilha seus pares Dilma Rousseff - que iniciou na segunda-feira uma visita bilateral à China antes da cúpula dos Brics -, o russo Dmitri Medvedev, o sul-africano Jacob Zuma e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
O encontro acontece na estação balneária de Sanya, na paradisíaca ilha de Hainan, conhecida por suas belas praias e resorts como “Havaí da Ásia”.
Confira também
Dilma visita cidade proibida na China
Brics se encontram em ilha paradisíaca
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...
No contexto do Oriente Médio e do norte da África, especificamente da Líbia, os Brics "compartilham o princípio de que deve ser evitado o uso da força", segundo o rascunho de declaração, ao qual a agência de notícias Reuters teve acesso.
China, Rússia, Índia, Brasil e outros países em desenvolvimento condenaram os ataques aéreos liderados pelos EUA contra as forças líbias.
A África do Sul, por outro lado, votou a favor da resolução da Organização das Nações Unidas que autorizou os ataques. Contudo, durante visita que fez a Trípoli no domingo, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu que a Otan suspenda os ataques aéreos.
Já em relação ao Oriente Médio, o Brasil tem tido uma atuação mais aguda dentre todos os Brics. O país tem criticado repetidamente a ampliação de colônias judaicas nos territórios palestinos e reconheceu no final do ano passado a chamada Palestina como um Estado independente. Diversos países da América do Sul, zona de influência do Brasil, seguiram a medida, o que irritou Israel.
A Autoridade Palestina deve apresentar em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), um pedido de reconhecimento de sua soberania sobre o território conquistado por Israel durante a Guerra dos Seis dias, em 1967.
Cúpula marca entrada da África do Sul
No encontro, os líderes dos Brics devem analisar vários outros temas internacionais. A polêmica questão da cotação do yuan chinês não está oficialmente na agenda.
Em um comunicado, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) afirmou que "a cúpula marcará a entrada da África do Sul no grupo, o que ampliará a representatividade geográfica do mecanismo no momento em que se busca, no plano internacional, a reforma do sistema financeiro e, de modo geral, maior democratização da liderança global".
Essa cúpula pode permitir à China, segunda maior economia do mundo, impor-se como líder dos emergentes e como contrapeso à influência dos países industrializados, consideram os analistas.
A chegada da África do Sul aos Brics é, sobretudo, simbólica no plano político, porque a maior economia africana representa apenas a décima sexta parte da economia chinesa, ressaltou especialista Andrew Kenningham, economista da Capital Economics.
Banco inventou a sigla em 2001
O banco de negócios Goldman Sachs inventou em 2001 a sigla Bric, em referência ao crescente peso das quatro economias emergentes. A China convidou a África do Sul a se juntar ao grupo no final do ano passado.
Os cinco países, que contam hoje em dia com mais de 40% da população mundial, representarão 61% do crescimento do planeta em 2014, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entre 2003 e 2010, o crescimento dos países Brics representou cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, segundo dados divulgados pelo Itamaraty.
No mesmo período, o comércio entre Brasil e os outros Brics aumentou 575%, passando de US$ 10,71 bilhões em 2003 para US$ 72,23 bilhões em 2010 (cerca de R$ 115,8 bilhões, em cotações atuais).
O comércio total entre os Brics passou de US$ 38 bilhões em 2003 para US$ 143 bilhões em 2009 e há uma estimativa de US$ 220 bilhões em 2010 (R$ 350 bilhões, em cotações atuais), segundo as mesmas fontes.
Questões polêmicas, só nos bastidores
Os países Brics aproveitarão também sua cúpula para conversar sobre sua contribuição para a reforma do sistema monetário internacional, explicou Wu.
As questões que levantam problemas, como a cotação do yuan ou a reforma do Conselho de Segurança da ONU, não devem ser abordadas, ou serão apenas nos bastidores.
O Brasil queixa-se da fraca cotação do yuan, que provoca desequilíbrios no plano comercial.
Além disso, Brasil e Índia querem se tornar membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, pretensão apoiada pela Rússia, mas não explicitamente pela China.
A segunda cúpula dos Brics (com quatro membros), realizada no Brasil no ano passado, terminou concluída com um apelo à criação de uma ordem mundial "mais justa". A primeira tinha sido realizada em Ekaterimburgo (Rússia) em 2009.
A China não deu muitas indicações sobre o desenvolvimento desta terceira cúpula que, depois de ter sido anunciada a princípio para dois dias, parece se limitar por fim a apenas um dia, nesta quinta-feira.
Veja a cobertura completa da crise na Líbia
Os grandes países emergentes (Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e, pela primeira vez, África do Sul) realizam nesta quinta-feira – noite de quarta-feira 12 no Brasil – uma cúpula centrada nas grandes questões internacionais, que deve confirmar o crescente peso desses países na esfera mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, recebe na ilha seus pares Dilma Rousseff - que iniciou na segunda-feira uma visita bilateral à China antes da cúpula dos Brics -, o russo Dmitri Medvedev, o sul-africano Jacob Zuma e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
O encontro acontece na estação balneária de Sanya, na paradisíaca ilha de Hainan, conhecida por suas belas praias e resorts como “Havaí da Ásia”.
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No contexto do Oriente Médio e do norte da África, especificamente da Líbia, os Brics "compartilham o princípio de que deve ser evitado o uso da força", segundo o rascunho de declaração, ao qual a agência de notícias Reuters teve acesso.
China, Rússia, Índia, Brasil e outros países em desenvolvimento condenaram os ataques aéreos liderados pelos EUA contra as forças líbias.
A África do Sul, por outro lado, votou a favor da resolução da Organização das Nações Unidas que autorizou os ataques. Contudo, durante visita que fez a Trípoli no domingo, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu que a Otan suspenda os ataques aéreos.
Já em relação ao Oriente Médio, o Brasil tem tido uma atuação mais aguda dentre todos os Brics. O país tem criticado repetidamente a ampliação de colônias judaicas nos territórios palestinos e reconheceu no final do ano passado a chamada Palestina como um Estado independente. Diversos países da América do Sul, zona de influência do Brasil, seguiram a medida, o que irritou Israel.
A Autoridade Palestina deve apresentar em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), um pedido de reconhecimento de sua soberania sobre o território conquistado por Israel durante a Guerra dos Seis dias, em 1967.
Cúpula marca entrada da África do Sul
No encontro, os líderes dos Brics devem analisar vários outros temas internacionais. A polêmica questão da cotação do yuan chinês não está oficialmente na agenda.
Em um comunicado, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) afirmou que "a cúpula marcará a entrada da África do Sul no grupo, o que ampliará a representatividade geográfica do mecanismo no momento em que se busca, no plano internacional, a reforma do sistema financeiro e, de modo geral, maior democratização da liderança global".
Essa cúpula pode permitir à China, segunda maior economia do mundo, impor-se como líder dos emergentes e como contrapeso à influência dos países industrializados, consideram os analistas.
A chegada da África do Sul aos Brics é, sobretudo, simbólica no plano político, porque a maior economia africana representa apenas a décima sexta parte da economia chinesa, ressaltou especialista Andrew Kenningham, economista da Capital Economics.
Banco inventou a sigla em 2001
O banco de negócios Goldman Sachs inventou em 2001 a sigla Bric, em referência ao crescente peso das quatro economias emergentes. A China convidou a África do Sul a se juntar ao grupo no final do ano passado.
Os cinco países, que contam hoje em dia com mais de 40% da população mundial, representarão 61% do crescimento do planeta em 2014, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entre 2003 e 2010, o crescimento dos países Brics representou cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, segundo dados divulgados pelo Itamaraty.
No mesmo período, o comércio entre Brasil e os outros Brics aumentou 575%, passando de US$ 10,71 bilhões em 2003 para US$ 72,23 bilhões em 2010 (cerca de R$ 115,8 bilhões, em cotações atuais).
O comércio total entre os Brics passou de US$ 38 bilhões em 2003 para US$ 143 bilhões em 2009 e há uma estimativa de US$ 220 bilhões em 2010 (R$ 350 bilhões, em cotações atuais), segundo as mesmas fontes.
Questões polêmicas, só nos bastidores
Os países Brics aproveitarão também sua cúpula para conversar sobre sua contribuição para a reforma do sistema monetário internacional, explicou Wu.
As questões que levantam problemas, como a cotação do yuan ou a reforma do Conselho de Segurança da ONU, não devem ser abordadas, ou serão apenas nos bastidores.
O Brasil queixa-se da fraca cotação do yuan, que provoca desequilíbrios no plano comercial.
Além disso, Brasil e Índia querem se tornar membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, pretensão apoiada pela Rússia, mas não explicitamente pela China.
A segunda cúpula dos Brics (com quatro membros), realizada no Brasil no ano passado, terminou concluída com um apelo à criação de uma ordem mundial "mais justa". A primeira tinha sido realizada em Ekaterimburgo (Rússia) em 2009.
A China não deu muitas indicações sobre o desenvolvimento desta terceira cúpula que, depois de ter sido anunciada a princípio para dois dias, parece se limitar por fim a apenas um dia, nesta quinta-feira.
BRASILE CHILE NO COMBATE À POBREZA
Os resultados obtidos no Brasil no combate à pobreza e a crescente oferta de proteção social à população de baixa renda têm servido de exemplo para outros países. A partir de amanhã (13), integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) participam de missão, no Chile, para debater a elaboração de projetos de cooperação. Participam do encontro, o diretor do Departamento de Condicionalidades da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), Daniel Ximenes, e o coordenador-geral do Projovem Adolescente e Serviços para a Juventude da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), Alexandre Reis.
Durante três dias, os representantes de ambos os países vão discutir projetos nas áreas de transferência de renda condicionada, acompanhamento de famílias, inclusão bancária e microsseguros. Um dos destaques da missão é a visita ao Programa Puente – um sistema de acompanhamento familiar da população mais pobre do Chile. “Também trabalhamos o acompanhamento familiar junto à população com alto grau de vulnerabilidade e risco social, que integra o Programa Bolsa Família, do MDS. O objetivo é promover um acompanhamento integral desse público, por meio de um trabalho interssetorial, que articula as áreas de educação, saúde e assistência social, e a troca de experiências com o Chile é de grande importância”, explica Daniel Ximenes. Para Alexandre Reis, o conhecimento aprofundado de outras experiências pode fornecer elementos que colaborem com a construção do modelo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) que o Brasil vem empreendendo. “Ambos os países ganham com o intercâmbio de informações e ideias”, afirma.
O evento, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, se encerra na sexta-feira (15). Este é o segundo encontro entre os dois países para estabelecer atividades e projetos de cooperação técnica.
Durante três dias, os representantes de ambos os países vão discutir projetos nas áreas de transferência de renda condicionada, acompanhamento de famílias, inclusão bancária e microsseguros. Um dos destaques da missão é a visita ao Programa Puente – um sistema de acompanhamento familiar da população mais pobre do Chile. “Também trabalhamos o acompanhamento familiar junto à população com alto grau de vulnerabilidade e risco social, que integra o Programa Bolsa Família, do MDS. O objetivo é promover um acompanhamento integral desse público, por meio de um trabalho interssetorial, que articula as áreas de educação, saúde e assistência social, e a troca de experiências com o Chile é de grande importância”, explica Daniel Ximenes. Para Alexandre Reis, o conhecimento aprofundado de outras experiências pode fornecer elementos que colaborem com a construção do modelo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) que o Brasil vem empreendendo. “Ambos os países ganham com o intercâmbio de informações e ideias”, afirma.
O evento, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, se encerra na sexta-feira (15). Este é o segundo encontro entre os dois países para estabelecer atividades e projetos de cooperação técnica.
NATURALIZADOS EM AUDIÊNCIA JUDICIAL
Dois irmãos argentinos e um nicaraguense foram naturalizados brasileiros na tarde de terça-feira (12/4) na Justiça Federal em Alagoas (JFAL). Os três estrangeiros estão no Brasil há mais de 30 anos, onde formaram família e toda vida profissional e pessoal.
O juiz federal titular da 1ª Vara, André Luis Maia Tobias Granja abriu a audiência conjunta, com a presença do Ministério Público Federal, solicitando que os três estrangeiros demonstrassem o domínio da língua oficial do Brasil, fazendo a leitura dos artigos 1º, 3º e 4º da Constituição Federal de 1988, relativo aos fundamentos da República Federativa do Brasil, aos seus objetivos fundamentais e aos princípios que regem suas relações internacionais. Em seguida, cada um entregou a cédula de identidade de estrangeiro, recebendo assim o certificado de naturalização que lhe atribuíram nacionalidade brasileira.
Trio naturalizado
A jornalista Gabriela Flores, 44 anos, e o seu irmão Fernando Flores, 40, estão no Brasil, especificamente em Maceió há 33 anos. A família deixou a Argentina em 1978 e os irmãos não têm nem mesmo sotaque. “Meu pai veio para a implantação da antiga Salgema em Alagoas, eu tinha 12 anos. Sei que jamais me adaptaria ao meu país de origem, onde meu único elo são familiares que tenho lá. Gosto de sururu, de farinha e tudo que é brasileiro e alagoano, só no futebol continuo a torcer pela Argentina”, brinca Gabriela, que veio para a audiência acompanha da filha de 9 anos.
Indagada sobre porque demorou tanto para buscar a naturalização, Gabriela explica ter sido acomodação, mas as pessoas ficavam estanhando a carteira de identidade estrangeira. “Também nunca votei e quero votar”, ressalta.
Fernando Flores é motorista e futuro radialista, tem filho e esposa brasileira. “Cheguei aqui aos 6 anos de idade. A gente mora aqui, paga impostos e nada mais justo do que regularizar a situação”, falou.
O nicaraguense, professor de História e Espanhol, Orlando Macias, 61 anos, reside no Brasil desde 1969, mas veio para Maceió em 1975. “Venho da Nicarágua, um país muito conturbado politicamente. Foi aqui no Brasil que formei família, meus filhos e netos. Maceió é minha jóia”, garante.
Do país de origem, segundo Orlando, só restaram às raízes cortadas, sonhos e lembranças de um passado na juventude. “O Brasil é a minha casa”, reforça
O juiz federal titular da 1ª Vara, André Luis Maia Tobias Granja abriu a audiência conjunta, com a presença do Ministério Público Federal, solicitando que os três estrangeiros demonstrassem o domínio da língua oficial do Brasil, fazendo a leitura dos artigos 1º, 3º e 4º da Constituição Federal de 1988, relativo aos fundamentos da República Federativa do Brasil, aos seus objetivos fundamentais e aos princípios que regem suas relações internacionais. Em seguida, cada um entregou a cédula de identidade de estrangeiro, recebendo assim o certificado de naturalização que lhe atribuíram nacionalidade brasileira.
Trio naturalizado
A jornalista Gabriela Flores, 44 anos, e o seu irmão Fernando Flores, 40, estão no Brasil, especificamente em Maceió há 33 anos. A família deixou a Argentina em 1978 e os irmãos não têm nem mesmo sotaque. “Meu pai veio para a implantação da antiga Salgema em Alagoas, eu tinha 12 anos. Sei que jamais me adaptaria ao meu país de origem, onde meu único elo são familiares que tenho lá. Gosto de sururu, de farinha e tudo que é brasileiro e alagoano, só no futebol continuo a torcer pela Argentina”, brinca Gabriela, que veio para a audiência acompanha da filha de 9 anos.
Indagada sobre porque demorou tanto para buscar a naturalização, Gabriela explica ter sido acomodação, mas as pessoas ficavam estanhando a carteira de identidade estrangeira. “Também nunca votei e quero votar”, ressalta.
Fernando Flores é motorista e futuro radialista, tem filho e esposa brasileira. “Cheguei aqui aos 6 anos de idade. A gente mora aqui, paga impostos e nada mais justo do que regularizar a situação”, falou.
O nicaraguense, professor de História e Espanhol, Orlando Macias, 61 anos, reside no Brasil desde 1969, mas veio para Maceió em 1975. “Venho da Nicarágua, um país muito conturbado politicamente. Foi aqui no Brasil que formei família, meus filhos e netos. Maceió é minha jóia”, garante.
Do país de origem, segundo Orlando, só restaram às raízes cortadas, sonhos e lembranças de um passado na juventude. “O Brasil é a minha casa”, reforça
BELMONTE É CASO INTERNACIONAL
Itamaraty diz que pedidos da OEA para interromper as obras da usina são "precipitados e injustificáveis"
Brasília. O Ministério das Relações Exteriores classificou de "precipitadas e injustificáveis" as solicitações da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, localizada no rio Xingu, no Pará. Na última sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)da organização aprovou medidas cautelares em favor das comunidades indígenas do rio Xingu.
A Comissão da OEA justifica as medidas cautelares por considerar que "a vida e a integridade pessoal dos beneficiários (dessas medidas) estariam em risco pelo impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte". Apelando para o cumprimento das "obrigações internacionais" do Brasil, essa comissão solicitou que o governo realize consultas com essas comunidades pra chegar a um acordo em relação ao impacto das obras. A OEA também solicitou ao Brasil que, previamente às consultas, as comunidades indígenas tenham acesso ao Estudo de Impacto Social e Ambiental do projeto da usina, "em um formato acessível, incluindo a tradução aos idiomas indígenas respectivos".
Resposta
Em nota oficial, o Itamaraty afirma que o governo tomou conhecimento "com perplexidade" das medidas solicitadas pela Comissão da OEA. "O governo brasileiro está ciente dos desafios socioambientais que projetos como o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte podem acarretar. Por essa razão, estão sendo observadas, com rigor absoluto, as normas cabíveis para que a construção leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais envolvidos", diz o Ministério, acrescentando que "o governo brasileiro tem atuado de forma efetiva e diligente para responder às demandas existentes".
O governo disse considerar as orientações da OEA "precipitadas e injustificáveis". Na nota, em cinco parágrafos, o Itamaraty conta o histórico de Belo Monte, lembrando que o processo de licitação foi autorizado pelo Congresso Nacional, em 2005, com base em estudos técnicos de ordem econômica e ambiental. Também ressalta que houve consulta a órgãos, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao cobrar a suspensão do processo de licenciamento da usina de Belo Monte, a OEA deu um prazo de 15 dias para o governo brasileiro adotar uma série de medidas em defesa da proteção dos povos indígenas da Bacia do rio Xingu.
No documento, a OEA recomenda que nenhuma obra seja feita na região até o cumprimento de algumas medidas como a realização de consulta com as comunidades indígenas afetadas, a disponibilização dos estudos de impacto ambiental e a adoção de medidas para proteção da integridade pessoal dos povos indígenas, além de programas de prevenção à disseminação de epidemias e doenças.
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada, em novembro de 2010, por entidades de defesa do Xingu e dos indígenas que lá vivem. De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto.
Belo Monte será a maior hidrelétrica totalmente brasileira (levando em conta que Itaipu é binacional) e a terceira maior do mundo. A usina terá capacidade de 11,2 mil megawatts e reservatório com área de 516 quilômetros quadrados.
Brasília. O Ministério das Relações Exteriores classificou de "precipitadas e injustificáveis" as solicitações da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, localizada no rio Xingu, no Pará. Na última sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)da organização aprovou medidas cautelares em favor das comunidades indígenas do rio Xingu.
A Comissão da OEA justifica as medidas cautelares por considerar que "a vida e a integridade pessoal dos beneficiários (dessas medidas) estariam em risco pelo impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte". Apelando para o cumprimento das "obrigações internacionais" do Brasil, essa comissão solicitou que o governo realize consultas com essas comunidades pra chegar a um acordo em relação ao impacto das obras. A OEA também solicitou ao Brasil que, previamente às consultas, as comunidades indígenas tenham acesso ao Estudo de Impacto Social e Ambiental do projeto da usina, "em um formato acessível, incluindo a tradução aos idiomas indígenas respectivos".
Resposta
Em nota oficial, o Itamaraty afirma que o governo tomou conhecimento "com perplexidade" das medidas solicitadas pela Comissão da OEA. "O governo brasileiro está ciente dos desafios socioambientais que projetos como o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte podem acarretar. Por essa razão, estão sendo observadas, com rigor absoluto, as normas cabíveis para que a construção leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais envolvidos", diz o Ministério, acrescentando que "o governo brasileiro tem atuado de forma efetiva e diligente para responder às demandas existentes".
O governo disse considerar as orientações da OEA "precipitadas e injustificáveis". Na nota, em cinco parágrafos, o Itamaraty conta o histórico de Belo Monte, lembrando que o processo de licitação foi autorizado pelo Congresso Nacional, em 2005, com base em estudos técnicos de ordem econômica e ambiental. Também ressalta que houve consulta a órgãos, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao cobrar a suspensão do processo de licenciamento da usina de Belo Monte, a OEA deu um prazo de 15 dias para o governo brasileiro adotar uma série de medidas em defesa da proteção dos povos indígenas da Bacia do rio Xingu.
No documento, a OEA recomenda que nenhuma obra seja feita na região até o cumprimento de algumas medidas como a realização de consulta com as comunidades indígenas afetadas, a disponibilização dos estudos de impacto ambiental e a adoção de medidas para proteção da integridade pessoal dos povos indígenas, além de programas de prevenção à disseminação de epidemias e doenças.
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada, em novembro de 2010, por entidades de defesa do Xingu e dos indígenas que lá vivem. De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto.
Belo Monte será a maior hidrelétrica totalmente brasileira (levando em conta que Itaipu é binacional) e a terceira maior do mundo. A usina terá capacidade de 11,2 mil megawatts e reservatório com área de 516 quilômetros quadrados.
DILMA CONVOCA EMPRESÁRIOS PRA VIAJAR Á CHINA
Sob a liderança do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE), vem sendo organizada Missão Comercial a Hong Kong, China, de 7 a 12 de abril. Nesse último dia, os participantes dessa missão se integram à Missão Empresarial a Pequim, organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo MRE, cumprindo programação da visita da presidenta Dilma Rousseff à China.
De acordo com o MDIC, ao todo, 24 empresas e 10 entidades empresariais integram a comitiva, que terá as presenças do secretário-executivo do ministério, Alessandro Teixeira, e do presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges. As empresas brasileiras representam os setores de alimentos (carnes, frutas, laticínios, café, mel e vinho) e moda (calçados, componentes para calçados e joias) e se reunirão com empresas chinesas e de cinco países do sudeste asiático (Indonésia, Malásia, Cingapura, Vietnã e Tailândia) para rodadas de negócios em Hong Kong.
As entidades empresariais que integram a missão terão encontros com representantes do governo chinês. Estão previstas também visitas técnicas a um supermercado, a um shopping center, ao porto de Hong Kong e ao Centro de Negócios da Apex-Brasil em Pequim. “Temos feito um investimento contínuo no mercado asiático para aproveitar o aumento de renda e o interesse crescente por produtos de qualidade e alto valor agregado”, diz Alessandro Teixeira, coordenador da Missão.
“Desenvolvemos estudos de inteligência comercial e competitiva, nos preparamos com conhecimento do mercado e da cultura de negócios e planejamos ações de forma estratégica, com foco na exportação de produtos com maior valor agregado. Nosso objetivo é realizar negócios e conhecer cada vez mais esse imenso mercado, que é hoje uma grande oportunidade para negócios”, afirma o presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges.
Apoio local ao exportador brasileiro na China
Desde maio de 2009, a Apex-Brasil mantém um Centro de Negócios (CN) em Pequim. A estrutura tem como objetivo orientar e apoiar o empresário brasileiro que pretende realizar negócios na China. O CN de Pequim trabalha para promover as exportações e a internacionalização de empresas brasileiras, com ênfase em: inteligência comercial e competitiva, com a elaboração de relatórios de percepção de mercado customizados; promoção de negócios por meio da realização de missões comerciais, feiras, rodadas de negócios e visitas técnicas; e apoio à instalação local, auxiliando a empresa brasileira a abrir uma unidade na China.
O CN de Pequim já atendeu 94 empresas brasileiras, prestando informações sobre como negociar com os chineses, detalhando as oportunidades do mercado, organizando participações em encontros de negócios com os empresários chineses e oferecendo a estrutura física do CN para as empresas brasileiras que desejam manter representante no local.
Além da estrutura do CN de Pequim, a Apex-Brasil vem realizando ações de forma sistêmica e constante no mercado chinês, com vistas a promover as exportações brasileiras para o país asiático. Em 2009, foram realizados seminários de sensibilização em 52 províncias chinesas, com objetivo de mostrar oportunidades de negócios no Brasil. A Apex-Brasil também coordenou a montagem do pavilhão brasileiro na Exposição Universal de 2010 (em Xangai), que recebeu mais de dois milhões de visitantes. Seminários de divulgação do café e dos calçados brasileiros também foram promovidos pela Agência na China.
Comércio Brasil-China
A China é hoje o principal parceiro comercial brasileiro. Em 2010, o Brasil exportou para os chineses US$ 30,785 bilhões e importou US$ 25,593 bilhões, resultando em superávit de US$ 5,192 bilhões. As vendas externas para a China, no ano passado, cresceram 46,57% em relação ao montante exportado em 2009 (US$ 21,003 bilhões).
Os principais produtos brasileiros comprados pelos chineses no primeiro bimestre de 2011 foram minérios de ferro não-aglomerados (US$ 2,115 bilhões), óleos brutos de petróleo (US$ 712 milhões), minérios de ferro aglomerados (US$ 319 milhões), pasta química de madeira (US$ 170 milhões), ferronióbio (US$ 82,731 milhões), outros grãos de soja triturados (US$ 52,941 milhões), frangos congelados (US$ 50,012 milhões), pasta química de madeira para dissolução (US$ 38,938 milhões), aviões/veículos aéreos mais pesados (US$ 32,439 milhões) e óleo de soja em estado bruto (US$ 27,134 milhões).
Comércio Brasil-Malásia
No primeiro bimestre de 2011, o Brasil exportou US$ 167,6 milhões para a Malásia e importou US$ 264,4 milhões. Em comparação com o mesmo período de 2010, as exportações cresceram 64,9% e as importações 11,3%. Os principais produtos comprados pelos malaios nos primeiros dois meses de 2001 foram: milho em grãos (US$ 67,723 milhões), açúcar de cana em bruto (US$ 31,719 milhões), minério de ferro e seus concentrados (US$ 28,318 milhões), óleo de soja em bruto (US$ 5,762 milhões), fumo em folhas (US$ 3,775 milhões), automóveis de passageiros (US$ 3,224 milhões) e tratores (US$ 3,219 milhões)
Comércio Brasil-Tailândia
As exportações do Brasil para a Tailândia, no primeiro bimestre de 2011, foram de US$ 203,6 milhões, 79,4% maiores do que as registradas no mesmo período de 2010. As importações cresceram 39,3%, passando de US$ 249,2 milhões para US$ 347,2 milhões. Os principais produtos vendidos para os tailandeses foram: semimanufaturados de ferro ou aço (US$ 83,609 milhões), farelos e resíduos da extração de óleo de soja (US$ 61,218 milhões), soja triturada (US$ 21,313 milhões), fio-máquina e barras de ferro ou aços (US$ 4,507 milhões) e instrumentos e aparelhos de medida de verificação (US$ 3 milhões).
Comércio Brasil-Indonésia
As exportações do Brasil para a Indonésia, no primeiro bimestre de 2011, dobraram em relação ao mesmo período de 2010, passando de US$ 103 milhões para US$ 206,2 milhões. As importações também cresceram, mas a um ritmo menor: 65,2%, passando de US$ 190,4 milhões para US$ 314,6 milhões. Os produtos mais vendidos para os indonésios foram: minério de ferro e seus concentrados (US$ 58,276 milhões), açúcar de cana em bruto (US$ 26,596 milhões), milho em grãos (US$ 25,653 milhões), máquinas e aparelhos para terraplenagem, perfuração etc. (US$ 13,991 milhões) e produtos semimanufaturados de ferro ou aços (US$ 13,581 milhões).
Comércio Brasil-Cingapura
No primeiro bimestre de 2011, as exportações do Brasil para Cingapura cresceram 8,7% na comparação com o mesmo período de 2010. As vendas passaram de US$ 246,4 milhões para US$ 267,8 milhões. No caminho inverso, as importações cresceram 29,1%. Nos dois primeiros meses de 2010, os cingapurianos venderam US$ 95,6 milhões para o Brasil. Em 2011, a soma das importações no primeiro bimestre foi de US$ 123,4 milhões. Os produtos mais vendidos para Cingapura foram: óleos combustíveis (US$ 121,054 milhões), ferro-ligas (US$ 55,669 milhões), carne de frango (US$ 20,631 milhões), carne suína (US$ 12,324 milhões), carne bovina (US$ 5,434 milhões), fio-máquina e barras de ferro ou aços (US$ 5,429 milhões) e pneumáticos (US$ 5,038 milhões).
Comércio Brasil-Vietnã
O Brasil exportou US$ 111,035 milhões para o Vietnã no primeiro bimestre de 2011. Esse volume é três vezes maior do que os US$ 36,2 milhões exportados no mesmo período de 2010. As importações do Vietnã também cresceram, passando de US$ 48,893 milhões nos dois primeiros meses de 2010 para US$ 93,432 milhões em janeiro e fevereiro de 2011. Os produtos brasileiros mais vendidos para o Vietnã foram: bagaços e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja (US$ 45,228 milhões), milho em grão, exceto para semeadura (US$ 30,676 milhões), fumo não manufaturado (US$ 4,187 milhões), outros couros/peles (US$ 3,727 milhões) e outras madeiras serradas/cortadas em folhas (US$ 3,266 milhões).
De acordo com o MDIC, ao todo, 24 empresas e 10 entidades empresariais integram a comitiva, que terá as presenças do secretário-executivo do ministério, Alessandro Teixeira, e do presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges. As empresas brasileiras representam os setores de alimentos (carnes, frutas, laticínios, café, mel e vinho) e moda (calçados, componentes para calçados e joias) e se reunirão com empresas chinesas e de cinco países do sudeste asiático (Indonésia, Malásia, Cingapura, Vietnã e Tailândia) para rodadas de negócios em Hong Kong.
As entidades empresariais que integram a missão terão encontros com representantes do governo chinês. Estão previstas também visitas técnicas a um supermercado, a um shopping center, ao porto de Hong Kong e ao Centro de Negócios da Apex-Brasil em Pequim. “Temos feito um investimento contínuo no mercado asiático para aproveitar o aumento de renda e o interesse crescente por produtos de qualidade e alto valor agregado”, diz Alessandro Teixeira, coordenador da Missão.
“Desenvolvemos estudos de inteligência comercial e competitiva, nos preparamos com conhecimento do mercado e da cultura de negócios e planejamos ações de forma estratégica, com foco na exportação de produtos com maior valor agregado. Nosso objetivo é realizar negócios e conhecer cada vez mais esse imenso mercado, que é hoje uma grande oportunidade para negócios”, afirma o presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges.
Apoio local ao exportador brasileiro na China
Desde maio de 2009, a Apex-Brasil mantém um Centro de Negócios (CN) em Pequim. A estrutura tem como objetivo orientar e apoiar o empresário brasileiro que pretende realizar negócios na China. O CN de Pequim trabalha para promover as exportações e a internacionalização de empresas brasileiras, com ênfase em: inteligência comercial e competitiva, com a elaboração de relatórios de percepção de mercado customizados; promoção de negócios por meio da realização de missões comerciais, feiras, rodadas de negócios e visitas técnicas; e apoio à instalação local, auxiliando a empresa brasileira a abrir uma unidade na China.
O CN de Pequim já atendeu 94 empresas brasileiras, prestando informações sobre como negociar com os chineses, detalhando as oportunidades do mercado, organizando participações em encontros de negócios com os empresários chineses e oferecendo a estrutura física do CN para as empresas brasileiras que desejam manter representante no local.
Além da estrutura do CN de Pequim, a Apex-Brasil vem realizando ações de forma sistêmica e constante no mercado chinês, com vistas a promover as exportações brasileiras para o país asiático. Em 2009, foram realizados seminários de sensibilização em 52 províncias chinesas, com objetivo de mostrar oportunidades de negócios no Brasil. A Apex-Brasil também coordenou a montagem do pavilhão brasileiro na Exposição Universal de 2010 (em Xangai), que recebeu mais de dois milhões de visitantes. Seminários de divulgação do café e dos calçados brasileiros também foram promovidos pela Agência na China.
Comércio Brasil-China
A China é hoje o principal parceiro comercial brasileiro. Em 2010, o Brasil exportou para os chineses US$ 30,785 bilhões e importou US$ 25,593 bilhões, resultando em superávit de US$ 5,192 bilhões. As vendas externas para a China, no ano passado, cresceram 46,57% em relação ao montante exportado em 2009 (US$ 21,003 bilhões).
Os principais produtos brasileiros comprados pelos chineses no primeiro bimestre de 2011 foram minérios de ferro não-aglomerados (US$ 2,115 bilhões), óleos brutos de petróleo (US$ 712 milhões), minérios de ferro aglomerados (US$ 319 milhões), pasta química de madeira (US$ 170 milhões), ferronióbio (US$ 82,731 milhões), outros grãos de soja triturados (US$ 52,941 milhões), frangos congelados (US$ 50,012 milhões), pasta química de madeira para dissolução (US$ 38,938 milhões), aviões/veículos aéreos mais pesados (US$ 32,439 milhões) e óleo de soja em estado bruto (US$ 27,134 milhões).
Comércio Brasil-Malásia
No primeiro bimestre de 2011, o Brasil exportou US$ 167,6 milhões para a Malásia e importou US$ 264,4 milhões. Em comparação com o mesmo período de 2010, as exportações cresceram 64,9% e as importações 11,3%. Os principais produtos comprados pelos malaios nos primeiros dois meses de 2001 foram: milho em grãos (US$ 67,723 milhões), açúcar de cana em bruto (US$ 31,719 milhões), minério de ferro e seus concentrados (US$ 28,318 milhões), óleo de soja em bruto (US$ 5,762 milhões), fumo em folhas (US$ 3,775 milhões), automóveis de passageiros (US$ 3,224 milhões) e tratores (US$ 3,219 milhões)
Comércio Brasil-Tailândia
As exportações do Brasil para a Tailândia, no primeiro bimestre de 2011, foram de US$ 203,6 milhões, 79,4% maiores do que as registradas no mesmo período de 2010. As importações cresceram 39,3%, passando de US$ 249,2 milhões para US$ 347,2 milhões. Os principais produtos vendidos para os tailandeses foram: semimanufaturados de ferro ou aço (US$ 83,609 milhões), farelos e resíduos da extração de óleo de soja (US$ 61,218 milhões), soja triturada (US$ 21,313 milhões), fio-máquina e barras de ferro ou aços (US$ 4,507 milhões) e instrumentos e aparelhos de medida de verificação (US$ 3 milhões).
Comércio Brasil-Indonésia
As exportações do Brasil para a Indonésia, no primeiro bimestre de 2011, dobraram em relação ao mesmo período de 2010, passando de US$ 103 milhões para US$ 206,2 milhões. As importações também cresceram, mas a um ritmo menor: 65,2%, passando de US$ 190,4 milhões para US$ 314,6 milhões. Os produtos mais vendidos para os indonésios foram: minério de ferro e seus concentrados (US$ 58,276 milhões), açúcar de cana em bruto (US$ 26,596 milhões), milho em grãos (US$ 25,653 milhões), máquinas e aparelhos para terraplenagem, perfuração etc. (US$ 13,991 milhões) e produtos semimanufaturados de ferro ou aços (US$ 13,581 milhões).
Comércio Brasil-Cingapura
No primeiro bimestre de 2011, as exportações do Brasil para Cingapura cresceram 8,7% na comparação com o mesmo período de 2010. As vendas passaram de US$ 246,4 milhões para US$ 267,8 milhões. No caminho inverso, as importações cresceram 29,1%. Nos dois primeiros meses de 2010, os cingapurianos venderam US$ 95,6 milhões para o Brasil. Em 2011, a soma das importações no primeiro bimestre foi de US$ 123,4 milhões. Os produtos mais vendidos para Cingapura foram: óleos combustíveis (US$ 121,054 milhões), ferro-ligas (US$ 55,669 milhões), carne de frango (US$ 20,631 milhões), carne suína (US$ 12,324 milhões), carne bovina (US$ 5,434 milhões), fio-máquina e barras de ferro ou aços (US$ 5,429 milhões) e pneumáticos (US$ 5,038 milhões).
Comércio Brasil-Vietnã
O Brasil exportou US$ 111,035 milhões para o Vietnã no primeiro bimestre de 2011. Esse volume é três vezes maior do que os US$ 36,2 milhões exportados no mesmo período de 2010. As importações do Vietnã também cresceram, passando de US$ 48,893 milhões nos dois primeiros meses de 2010 para US$ 93,432 milhões em janeiro e fevereiro de 2011. Os produtos brasileiros mais vendidos para o Vietnã foram: bagaços e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja (US$ 45,228 milhões), milho em grão, exceto para semeadura (US$ 30,676 milhões), fumo não manufaturado (US$ 4,187 milhões), outros couros/peles (US$ 3,727 milhões) e outras madeiras serradas/cortadas em folhas (US$ 3,266 milhões).
XENOFOBIA E RACISMO NA COSTA DO MARFIM
A União Europeia (UE) apelou às partes conflitantes na Costa do Marfim para que protejam a população civil. Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar o poder, e o presidente eleito, reconhecido pela comunidade internacional, Alassane Ouattara, devem evitar que o país se afunde ainda mais em uma “guerra civil”, declarou a comissária europeia de Ajuda Humanitária, Kristalina Georgieva, nesta segunda-feira (04/04).
A UE admitiu também seu temor de que cidadãos europeus no país possam converter-se em alvos de ataques das tropas do presidente eleito e do mandatário derrotado nas urnas. A França é o país da UE com o maior contingente de cidadãos residentes na Costa do Marfim (12,2 mil), segundo o Ministério francês de Relações Exteriores.
A comissária manifestou também sua preocupação com informações de que poderiam estar havendo massacres e acções de “limpeza étnica” por partidários de ambos os lados em conflito. “Estão sendo cometidos abusos de direitos humanos e matanças, mas é muito cedo para dizer por parte de quem”, disseram à agência de notícias DPA fontes da UE que pediram anonimato.
Nos últimos quatro dias, tropas fiéis a Ouattara conseguiram controlar quase todo o país. Desde a última quinta-feira, elas concentram seus esforços na conquista de Abidjan, último bastião de Laurent Gbagbo.
Nesta segunda-feira, as tropas do presidente eleito, Alassane Ouattara, iniciaram uma ofensiva final contra seus opositores na maior cidade do país, afirmou o porta-voz de Ouattara.
Segundo a Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim (Unoci, na sigla em inglês), tropas francesas tomaram o controlo do aeroporto de Abidjan no final de semana. Devido às sangrentas lutas entre grupos armados a favor de Gbagbo e de Ouattara, o governo francês está preocupado com a segurança de seus cidadãos e deverá enviar 150 homens adicionais ao contingente de 1.500 soldados franceses já estacionados no país.
Conceito de “ivoirité”
O ódio entre os marfinenses não decorre somente da luta política entre os que disputaram a presidência em Novembro último. Na cidade de Duékoué, no oeste do país, os assassinatos em massa podem ter causado a morte de até mil pessoas.
Tais homicídios mostram principalmente que é grande o ódio entre os grupos étnicos – e não somente no oeste do país.
Tensões entre as etnias existem há muito tempo na Costa do Marfim.
Como, por exemplo, entre a população do norte do país ou os imigrantes de países vizinhos e a população nativa da região. Essa tensão foi fortalecida pela ideia de identidade nacional criada nos anos 1970 – o conceito de “ivoirité”.
Na época, pouco depois da independência, a Costa do Marfim, como também a África como um todo, foi marcada por grandes e importantes questões: O que diferencia os africanos em sua identidade de outros povos? O que mantém a coesão cultural da África? Políticos e intelectuais quebraram a cabeça e inventaram a “ivoirité” como um conceito capaz de enfatizar as características comuns dos marfinenses após o fim do colonialismo.
Ideia instrumentalizada
No entanto, essa ideia foi completamente mal-entendida por alguns e instrumentalizada politicamente.
Já nos anos 1980, houve tensões na região Daloa, no centro do país. Rodrigue Koné, sociólogo do Centro de Pesquisas da Paz, em Abidjan, explica como o conceito de “ivoirité” foi utilizado contra a população não nativa. “Este conflito entre a população nativa e a imigrada também é visível no conceito de ‘ivoirité’: um conceito que dá prioridade à população nativa, principalmente quando se trata da posse da terra”, explicou.
Foi justamente Alassane Ouattara, hoje reconhecido internacionalmente como vencedor das eleições presidenciais, que introduziu em 1990, na época como primeiro-ministro, novos documentos de identidade com rigorosas regras no tocante à origem.
Muitos imigrantes não chegaram nem mesmo a receber esse documento, por não serem marfinenses.
Da ideia de integração surgiu um conceito que excluiu grande parte da população. Para Thiémélé Boa, professor de Filosofia na Universidade Cocody em Abidjan, essa foi uma das principais causas do conflito, para o qual a Costa do Marfim não encontra saída já há dez anos. “Eu chamo isso de uma ironia da história: a partir do momento em que foi introduzido o visto de permanência e foram efectuados controlos de passaporte, o país começou a entrar em crise”, disse.
Estado multinacional e xenofobia
Sob o pretexto de controlar documentos de identidade, forças de segurança procediam de forma agressiva contra migrantes e pessoas do norte do país. Esses se sentiam perseguidos. Em 1994, o conceito de “ivoirité” foi integrado à lei eleitoral.
Somente poderia tornar-se presidente quem vivia no país há mais de cinco anos e cujos pais eram marfinenses.
Assim, por muito tempo, o próprio Alassane Ouattara não esteve apto a concorrer, sob a alegação de que sua mãe teria vindo de Burkina Fasso, onde também teria sido emitido o passaporte de Alassane Ouattara.
Com 60 grupos étnicos, a xenofobia se alastrou no Estado multinacional da Costa do Marfim – uma carga explosiva que levou à guerra civil em 2002.
Até hoje, Ouattara é uma importante figura de identificação nacional, especialmente para os imigrantes, que perfazem um quarto da população da Costa do Marfim.
Segundo Thiémélé Boa, ele reúne as esperanças de todos os que se sentem excluídos – “porque, de fato, existia uma perseguição a tudo o que de alguma forma parecesse estrangeiro”.
Actos de vingança
Parece ter sido justamente isso que agravou as tensões entre as etnias nas últimas semanas, principalmente na cidade de Duékoué, onde centenas de pessoas foram mortas. Segundo as primeiras investigações, ao notar o avanço das tropas de Ouattara, as milícias de Gbagbo mataram pessoas que consideravam ser seguidoras de Ouattara, pessoas do norte ou de origem não marfinense.
Quando as tropas de Ouattara tomaram a cidade, aconteceram então actos de vingança. Dessa vez, as vítimas foram os que presumidamente estariam do lado de Gbagbo, ou seja, a população nativa
A UE admitiu também seu temor de que cidadãos europeus no país possam converter-se em alvos de ataques das tropas do presidente eleito e do mandatário derrotado nas urnas. A França é o país da UE com o maior contingente de cidadãos residentes na Costa do Marfim (12,2 mil), segundo o Ministério francês de Relações Exteriores.
A comissária manifestou também sua preocupação com informações de que poderiam estar havendo massacres e acções de “limpeza étnica” por partidários de ambos os lados em conflito. “Estão sendo cometidos abusos de direitos humanos e matanças, mas é muito cedo para dizer por parte de quem”, disseram à agência de notícias DPA fontes da UE que pediram anonimato.
Nos últimos quatro dias, tropas fiéis a Ouattara conseguiram controlar quase todo o país. Desde a última quinta-feira, elas concentram seus esforços na conquista de Abidjan, último bastião de Laurent Gbagbo.
Nesta segunda-feira, as tropas do presidente eleito, Alassane Ouattara, iniciaram uma ofensiva final contra seus opositores na maior cidade do país, afirmou o porta-voz de Ouattara.
Segundo a Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim (Unoci, na sigla em inglês), tropas francesas tomaram o controlo do aeroporto de Abidjan no final de semana. Devido às sangrentas lutas entre grupos armados a favor de Gbagbo e de Ouattara, o governo francês está preocupado com a segurança de seus cidadãos e deverá enviar 150 homens adicionais ao contingente de 1.500 soldados franceses já estacionados no país.
Conceito de “ivoirité”
O ódio entre os marfinenses não decorre somente da luta política entre os que disputaram a presidência em Novembro último. Na cidade de Duékoué, no oeste do país, os assassinatos em massa podem ter causado a morte de até mil pessoas.
Tais homicídios mostram principalmente que é grande o ódio entre os grupos étnicos – e não somente no oeste do país.
Tensões entre as etnias existem há muito tempo na Costa do Marfim.
Como, por exemplo, entre a população do norte do país ou os imigrantes de países vizinhos e a população nativa da região. Essa tensão foi fortalecida pela ideia de identidade nacional criada nos anos 1970 – o conceito de “ivoirité”.
Na época, pouco depois da independência, a Costa do Marfim, como também a África como um todo, foi marcada por grandes e importantes questões: O que diferencia os africanos em sua identidade de outros povos? O que mantém a coesão cultural da África? Políticos e intelectuais quebraram a cabeça e inventaram a “ivoirité” como um conceito capaz de enfatizar as características comuns dos marfinenses após o fim do colonialismo.
Ideia instrumentalizada
No entanto, essa ideia foi completamente mal-entendida por alguns e instrumentalizada politicamente.
Já nos anos 1980, houve tensões na região Daloa, no centro do país. Rodrigue Koné, sociólogo do Centro de Pesquisas da Paz, em Abidjan, explica como o conceito de “ivoirité” foi utilizado contra a população não nativa. “Este conflito entre a população nativa e a imigrada também é visível no conceito de ‘ivoirité’: um conceito que dá prioridade à população nativa, principalmente quando se trata da posse da terra”, explicou.
Foi justamente Alassane Ouattara, hoje reconhecido internacionalmente como vencedor das eleições presidenciais, que introduziu em 1990, na época como primeiro-ministro, novos documentos de identidade com rigorosas regras no tocante à origem.
Muitos imigrantes não chegaram nem mesmo a receber esse documento, por não serem marfinenses.
Da ideia de integração surgiu um conceito que excluiu grande parte da população. Para Thiémélé Boa, professor de Filosofia na Universidade Cocody em Abidjan, essa foi uma das principais causas do conflito, para o qual a Costa do Marfim não encontra saída já há dez anos. “Eu chamo isso de uma ironia da história: a partir do momento em que foi introduzido o visto de permanência e foram efectuados controlos de passaporte, o país começou a entrar em crise”, disse.
Estado multinacional e xenofobia
Sob o pretexto de controlar documentos de identidade, forças de segurança procediam de forma agressiva contra migrantes e pessoas do norte do país. Esses se sentiam perseguidos. Em 1994, o conceito de “ivoirité” foi integrado à lei eleitoral.
Somente poderia tornar-se presidente quem vivia no país há mais de cinco anos e cujos pais eram marfinenses.
Assim, por muito tempo, o próprio Alassane Ouattara não esteve apto a concorrer, sob a alegação de que sua mãe teria vindo de Burkina Fasso, onde também teria sido emitido o passaporte de Alassane Ouattara.
Com 60 grupos étnicos, a xenofobia se alastrou no Estado multinacional da Costa do Marfim – uma carga explosiva que levou à guerra civil em 2002.
Até hoje, Ouattara é uma importante figura de identificação nacional, especialmente para os imigrantes, que perfazem um quarto da população da Costa do Marfim.
Segundo Thiémélé Boa, ele reúne as esperanças de todos os que se sentem excluídos – “porque, de fato, existia uma perseguição a tudo o que de alguma forma parecesse estrangeiro”.
Actos de vingança
Parece ter sido justamente isso que agravou as tensões entre as etnias nas últimas semanas, principalmente na cidade de Duékoué, onde centenas de pessoas foram mortas. Segundo as primeiras investigações, ao notar o avanço das tropas de Ouattara, as milícias de Gbagbo mataram pessoas que consideravam ser seguidoras de Ouattara, pessoas do norte ou de origem não marfinense.
Quando as tropas de Ouattara tomaram a cidade, aconteceram então actos de vingança. Dessa vez, as vítimas foram os que presumidamente estariam do lado de Gbagbo, ou seja, a população nativa
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