A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) espera aperfeiçoar em um ou dois anos o sistema de caixas-pretas dos aviões, que apresentou falhas no acidente do voo AF447 entre Rio e Paris em 2009, declarou nesta segunda-feira seu secretário-geral Raymond Benjamin.
Os investigadores deram no domingo um passo decisivo na investigação para determinar as causas do acidente com o Airbus A330 da Air France que caiu no Atlântico em 1º de junho de 2009, com 228 pessoas a bordo, ao recuperar o gravador dos parâmetros de voo, uma das duas caixas-pretas.
Mas levaram quase dois anos para encontrar este elemento crucial para compreender a catástrofe.
"Já não podemos, depois do acidente com o voo Rio-Paris, viver com o sistema que conhecemos", considerou o secretário-geral da OACI, ao mencionar aperfeiçoamentos que poderão ser aplicados em um prazo de "um ou dois anos"
A OACI pretende prolongar de 30 para 90 dias a duração do sinal emitido pelas caixas-pretas para facilitar sua busca e aumentar o alcance de 2 para 9 quilômetros. A organização também quer que as caixas-pretas flutuem quando um avião cair na água.
Em um prazo maior, os aviões deverão poder transmitir dados de forma permanente durante o voo. Mas isso requer investimentos e uma tecnologia que a OACI reconheceu não possuir.
"Atualmente, nossa preocupação é aperfeiçoar aquilo que existe", explicou Benjamin em Paris na Associação de Jornalistas Profissionais da Aeronáutica e do Espaço (AJPAE) francesa.
"A descoberta ontem (domingo) da caixa-preta (do voo AF447) é uma notícia muito boa", considerou o chefe da organização ligada às Nações Unidas.
O Bureau de Investigação e Análises francês (BEA) deve agora analisar a caixa-preta para determinar se conservou os dados.
O BEA espera encontrar em breve a segunda caixa-preta do Airbus, que contém a gravação das conversas da tripulação na cabine durante o voo.
domingo, 8 de maio de 2011
BAE VAI MODERNIZAR OS BLINDADOS DO EXÉRCITO
A inglesa BAE Systems, segunda maior do mundo no setor de defesa, vai executar um contrato de modernização de 376 veículos blindados M-113 para o Exército, no valor de US$ 48 milhões. O contrato foi viabilizado por meio de acordo assinado entre os governos brasileiro e dos EUA, através do processo FMS (Foreign Military Sales), utilizado pelos americanos em caso de vendas de equipamentos militares para outros países.
A BAE, segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios do grupo, Alan Garwood, é a fabricante original dos veículos M-113 e foi subcontratada pelo governo dos EUA por meio da subsidiária americana BAE Systems Land and Ordnance. O primeiro lote a ser modernizado contempla um total de 150 veículos. O contrato foi assinado somente para a primeira fase.
"Os trabalhos de modernização serão iniciados no fim deste ano. O Exército possui 574 veículos desse modelo. Os que não estão incluídos neste pacote passarão por um processo de manutenção", explicou o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O M-113 é um veículo de transporte de tropas blindado, com tração por esteira sob cinco rodas base. Possui uma autonomia de 480 km e uma velocidade máxima de 66 km/hora.
Garwood veio ao Brasil para participar da feira Laad, mas sua missão no país também envolve a execução de um ambicioso plano de fornecimento de equipamentos de defesa e segurança para as Forças Armadas Brasileiras.
A empresa já apresentou oferta de fornecimento de embarcações navais para o programa de renovação da frota da Marinha, baseado em um contrato de transferência tecnologia que prevê a construção dos navios no Brasil. No Exército, a BAE também almeja o fornecimento de um sistema de artilharia de 155 milímetros, em substituição aos de 105 milímetros.
"Estamos em busca de parceiros locais para o desenvolvimento de todos esses projetos com o objetivo de aumentar a participação da indústria nacional no desenvolvimento de novas tecnologias, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa", afirmou o diretor da BAE.
O grupo, que faturou US$ 35 bilhões em 2010, é um dos maiores provedores de sistemas de segurança civil e militar do Reino Unido e quer trazer essas tecnologias para serem usadas em controle de fronteiras, segurança urbana e cyber segurança. O executivo acredita que existam grandes possibilidades de negócios nessas áreas para os eventos como a Copa de Mundo e os Jogos Olímpicos
A BAE, segundo o diretor de Desenvolvimento de Negócios do grupo, Alan Garwood, é a fabricante original dos veículos M-113 e foi subcontratada pelo governo dos EUA por meio da subsidiária americana BAE Systems Land and Ordnance. O primeiro lote a ser modernizado contempla um total de 150 veículos. O contrato foi assinado somente para a primeira fase.
"Os trabalhos de modernização serão iniciados no fim deste ano. O Exército possui 574 veículos desse modelo. Os que não estão incluídos neste pacote passarão por um processo de manutenção", explicou o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O M-113 é um veículo de transporte de tropas blindado, com tração por esteira sob cinco rodas base. Possui uma autonomia de 480 km e uma velocidade máxima de 66 km/hora.
Garwood veio ao Brasil para participar da feira Laad, mas sua missão no país também envolve a execução de um ambicioso plano de fornecimento de equipamentos de defesa e segurança para as Forças Armadas Brasileiras.
A empresa já apresentou oferta de fornecimento de embarcações navais para o programa de renovação da frota da Marinha, baseado em um contrato de transferência tecnologia que prevê a construção dos navios no Brasil. No Exército, a BAE também almeja o fornecimento de um sistema de artilharia de 155 milímetros, em substituição aos de 105 milímetros.
"Estamos em busca de parceiros locais para o desenvolvimento de todos esses projetos com o objetivo de aumentar a participação da indústria nacional no desenvolvimento de novas tecnologias, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela Estratégia Nacional de Defesa", afirmou o diretor da BAE.
O grupo, que faturou US$ 35 bilhões em 2010, é um dos maiores provedores de sistemas de segurança civil e militar do Reino Unido e quer trazer essas tecnologias para serem usadas em controle de fronteiras, segurança urbana e cyber segurança. O executivo acredita que existam grandes possibilidades de negócios nessas áreas para os eventos como a Copa de Mundo e os Jogos Olímpicos
KMW EM SANTA MARIA
O que significará a vinda da fábrica alemã de blindados Krauss-Maffei Wegmann (KMW) para Santa Maria? Além de dar visibilidade para a cidade até no Exterior, a empresa é uma grande promessa de desenvolvimento tecnológico, geração de empregos e crescimento da economia local. A vinda da KMW é promissora, pois a unidade de manutenção e produção de blindados que a empresa abrirá na cidade tem grande chance de se tornar a maior indústria local. Além de repercutir a notícia com autoridades locais, o Diário ouviu um especialista na área militar, que diz que a KMW pode ser uma Embraer terrestre.
Por enquanto, a KMW é uma importante promessa, pois precisam ser superadas etapas. Além da compra da área e da construção do prédio, que deve ser feita em terreno no começo da Faixa de Rosário, será preciso iniciar a manutenção dos 220 Leopard 1A5, comprados da Alemanha. Esse trabalho deve começar no início de 2012, quando ficarem prontos o prédio da KMW e uma pista de testes.
Esse contrato de manutenção, que deve ser assinado pela KMW com o Brasil em breve, dará garantia para que a empresa faça novos investimentos em Santa Maria, com a criação do centro de desenvolvimento, para criar um novo blindado de transportes de tropas a ser oferecido ao Exército. O número de empregos da KMW, que deve ficar de 50 a cem engenheiros e técnicos até o segundo ano de atividade, poderá crescer se ela conseguir vender esses blindados ao Brasil ou a outros países. Segundo especialistas, aí está uma vulnerabilidade que pode atrapalhar o crescimento da KMW aqui – depender da venda a países.
Por outro lado, uma vantagem é que, segundo fontes do setor, o Exército teria intenção de fabricar no Brasil um novo blindado. Nesse ponto, a KMW seria uma boa parceira. Assim como ocorreu com a Iveco (do grupo Fiat), que investirá R$ 75 milhões ao abrir uma unidade em Sete Lagoas (MG), criando 350 empregos. A Iveco fabricará o Guarani, veículo blindado anfíbio criado em conjunto com o Exército. De 2012 a 2030, deve produzir 2.044 unidades do Guarani que já foram encomendadas, em contrato de R$ 6 bilhões. A torcida é que para que, em Santa Maria, a KMW tenha trajetória semelhante. No que depender do CEO da KMW, Frank Haun, a fábrica alemã ficará por décadas em Santa Maria.
Por enquanto, a KMW é uma importante promessa, pois precisam ser superadas etapas. Além da compra da área e da construção do prédio, que deve ser feita em terreno no começo da Faixa de Rosário, será preciso iniciar a manutenção dos 220 Leopard 1A5, comprados da Alemanha. Esse trabalho deve começar no início de 2012, quando ficarem prontos o prédio da KMW e uma pista de testes.
Esse contrato de manutenção, que deve ser assinado pela KMW com o Brasil em breve, dará garantia para que a empresa faça novos investimentos em Santa Maria, com a criação do centro de desenvolvimento, para criar um novo blindado de transportes de tropas a ser oferecido ao Exército. O número de empregos da KMW, que deve ficar de 50 a cem engenheiros e técnicos até o segundo ano de atividade, poderá crescer se ela conseguir vender esses blindados ao Brasil ou a outros países. Segundo especialistas, aí está uma vulnerabilidade que pode atrapalhar o crescimento da KMW aqui – depender da venda a países.
Por outro lado, uma vantagem é que, segundo fontes do setor, o Exército teria intenção de fabricar no Brasil um novo blindado. Nesse ponto, a KMW seria uma boa parceira. Assim como ocorreu com a Iveco (do grupo Fiat), que investirá R$ 75 milhões ao abrir uma unidade em Sete Lagoas (MG), criando 350 empregos. A Iveco fabricará o Guarani, veículo blindado anfíbio criado em conjunto com o Exército. De 2012 a 2030, deve produzir 2.044 unidades do Guarani que já foram encomendadas, em contrato de R$ 6 bilhões. A torcida é que para que, em Santa Maria, a KMW tenha trajetória semelhante. No que depender do CEO da KMW, Frank Haun, a fábrica alemã ficará por décadas em Santa Maria.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
REUNIÃO DOS BRIC'S NA CHINA
Líderes de cinco das maiores economias emergentes do mundo, reunidos em uma cúpula nesta quinta-feira (13), vão rejeitar o uso da força no Oriente Médio e na Líbia, pedindo em lugar disso o diálogo e a não intervenção, segundo um rascunho de declaração que está sendo preparada pelos países.
Veja a cobertura completa da crise na Líbia
Os grandes países emergentes (Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e, pela primeira vez, África do Sul) realizam nesta quinta-feira – noite de quarta-feira 12 no Brasil – uma cúpula centrada nas grandes questões internacionais, que deve confirmar o crescente peso desses países na esfera mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, recebe na ilha seus pares Dilma Rousseff - que iniciou na segunda-feira uma visita bilateral à China antes da cúpula dos Brics -, o russo Dmitri Medvedev, o sul-africano Jacob Zuma e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
O encontro acontece na estação balneária de Sanya, na paradisíaca ilha de Hainan, conhecida por suas belas praias e resorts como “Havaí da Ásia”.
Confira também
Dilma visita cidade proibida na China
Brics se encontram em ilha paradisíaca
Abismo social impressiona brasileiros
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...
No contexto do Oriente Médio e do norte da África, especificamente da Líbia, os Brics "compartilham o princípio de que deve ser evitado o uso da força", segundo o rascunho de declaração, ao qual a agência de notícias Reuters teve acesso.
China, Rússia, Índia, Brasil e outros países em desenvolvimento condenaram os ataques aéreos liderados pelos EUA contra as forças líbias.
A África do Sul, por outro lado, votou a favor da resolução da Organização das Nações Unidas que autorizou os ataques. Contudo, durante visita que fez a Trípoli no domingo, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu que a Otan suspenda os ataques aéreos.
Já em relação ao Oriente Médio, o Brasil tem tido uma atuação mais aguda dentre todos os Brics. O país tem criticado repetidamente a ampliação de colônias judaicas nos territórios palestinos e reconheceu no final do ano passado a chamada Palestina como um Estado independente. Diversos países da América do Sul, zona de influência do Brasil, seguiram a medida, o que irritou Israel.
A Autoridade Palestina deve apresentar em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), um pedido de reconhecimento de sua soberania sobre o território conquistado por Israel durante a Guerra dos Seis dias, em 1967.
Cúpula marca entrada da África do Sul
No encontro, os líderes dos Brics devem analisar vários outros temas internacionais. A polêmica questão da cotação do yuan chinês não está oficialmente na agenda.
Em um comunicado, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) afirmou que "a cúpula marcará a entrada da África do Sul no grupo, o que ampliará a representatividade geográfica do mecanismo no momento em que se busca, no plano internacional, a reforma do sistema financeiro e, de modo geral, maior democratização da liderança global".
Essa cúpula pode permitir à China, segunda maior economia do mundo, impor-se como líder dos emergentes e como contrapeso à influência dos países industrializados, consideram os analistas.
A chegada da África do Sul aos Brics é, sobretudo, simbólica no plano político, porque a maior economia africana representa apenas a décima sexta parte da economia chinesa, ressaltou especialista Andrew Kenningham, economista da Capital Economics.
Banco inventou a sigla em 2001
O banco de negócios Goldman Sachs inventou em 2001 a sigla Bric, em referência ao crescente peso das quatro economias emergentes. A China convidou a África do Sul a se juntar ao grupo no final do ano passado.
Os cinco países, que contam hoje em dia com mais de 40% da população mundial, representarão 61% do crescimento do planeta em 2014, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entre 2003 e 2010, o crescimento dos países Brics representou cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, segundo dados divulgados pelo Itamaraty.
No mesmo período, o comércio entre Brasil e os outros Brics aumentou 575%, passando de US$ 10,71 bilhões em 2003 para US$ 72,23 bilhões em 2010 (cerca de R$ 115,8 bilhões, em cotações atuais).
O comércio total entre os Brics passou de US$ 38 bilhões em 2003 para US$ 143 bilhões em 2009 e há uma estimativa de US$ 220 bilhões em 2010 (R$ 350 bilhões, em cotações atuais), segundo as mesmas fontes.
Questões polêmicas, só nos bastidores
Os países Brics aproveitarão também sua cúpula para conversar sobre sua contribuição para a reforma do sistema monetário internacional, explicou Wu.
As questões que levantam problemas, como a cotação do yuan ou a reforma do Conselho de Segurança da ONU, não devem ser abordadas, ou serão apenas nos bastidores.
O Brasil queixa-se da fraca cotação do yuan, que provoca desequilíbrios no plano comercial.
Além disso, Brasil e Índia querem se tornar membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, pretensão apoiada pela Rússia, mas não explicitamente pela China.
A segunda cúpula dos Brics (com quatro membros), realizada no Brasil no ano passado, terminou concluída com um apelo à criação de uma ordem mundial "mais justa". A primeira tinha sido realizada em Ekaterimburgo (Rússia) em 2009.
A China não deu muitas indicações sobre o desenvolvimento desta terceira cúpula que, depois de ter sido anunciada a princípio para dois dias, parece se limitar por fim a apenas um dia, nesta quinta-feira.
Veja a cobertura completa da crise na Líbia
Os grandes países emergentes (Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e, pela primeira vez, África do Sul) realizam nesta quinta-feira – noite de quarta-feira 12 no Brasil – uma cúpula centrada nas grandes questões internacionais, que deve confirmar o crescente peso desses países na esfera mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, recebe na ilha seus pares Dilma Rousseff - que iniciou na segunda-feira uma visita bilateral à China antes da cúpula dos Brics -, o russo Dmitri Medvedev, o sul-africano Jacob Zuma e o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.
O encontro acontece na estação balneária de Sanya, na paradisíaca ilha de Hainan, conhecida por suas belas praias e resorts como “Havaí da Ásia”.
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China, Rússia, Índia, Brasil e outros países em desenvolvimento condenaram os ataques aéreos liderados pelos EUA contra as forças líbias.
A África do Sul, por outro lado, votou a favor da resolução da Organização das Nações Unidas que autorizou os ataques. Contudo, durante visita que fez a Trípoli no domingo, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu que a Otan suspenda os ataques aéreos.
Já em relação ao Oriente Médio, o Brasil tem tido uma atuação mais aguda dentre todos os Brics. O país tem criticado repetidamente a ampliação de colônias judaicas nos territórios palestinos e reconheceu no final do ano passado a chamada Palestina como um Estado independente. Diversos países da América do Sul, zona de influência do Brasil, seguiram a medida, o que irritou Israel.
A Autoridade Palestina deve apresentar em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), um pedido de reconhecimento de sua soberania sobre o território conquistado por Israel durante a Guerra dos Seis dias, em 1967.
Cúpula marca entrada da África do Sul
No encontro, os líderes dos Brics devem analisar vários outros temas internacionais. A polêmica questão da cotação do yuan chinês não está oficialmente na agenda.
Em um comunicado, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) afirmou que "a cúpula marcará a entrada da África do Sul no grupo, o que ampliará a representatividade geográfica do mecanismo no momento em que se busca, no plano internacional, a reforma do sistema financeiro e, de modo geral, maior democratização da liderança global".
Essa cúpula pode permitir à China, segunda maior economia do mundo, impor-se como líder dos emergentes e como contrapeso à influência dos países industrializados, consideram os analistas.
A chegada da África do Sul aos Brics é, sobretudo, simbólica no plano político, porque a maior economia africana representa apenas a décima sexta parte da economia chinesa, ressaltou especialista Andrew Kenningham, economista da Capital Economics.
Banco inventou a sigla em 2001
O banco de negócios Goldman Sachs inventou em 2001 a sigla Bric, em referência ao crescente peso das quatro economias emergentes. A China convidou a África do Sul a se juntar ao grupo no final do ano passado.
Os cinco países, que contam hoje em dia com mais de 40% da população mundial, representarão 61% do crescimento do planeta em 2014, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entre 2003 e 2010, o crescimento dos países Brics representou cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, segundo dados divulgados pelo Itamaraty.
No mesmo período, o comércio entre Brasil e os outros Brics aumentou 575%, passando de US$ 10,71 bilhões em 2003 para US$ 72,23 bilhões em 2010 (cerca de R$ 115,8 bilhões, em cotações atuais).
O comércio total entre os Brics passou de US$ 38 bilhões em 2003 para US$ 143 bilhões em 2009 e há uma estimativa de US$ 220 bilhões em 2010 (R$ 350 bilhões, em cotações atuais), segundo as mesmas fontes.
Questões polêmicas, só nos bastidores
Os países Brics aproveitarão também sua cúpula para conversar sobre sua contribuição para a reforma do sistema monetário internacional, explicou Wu.
As questões que levantam problemas, como a cotação do yuan ou a reforma do Conselho de Segurança da ONU, não devem ser abordadas, ou serão apenas nos bastidores.
O Brasil queixa-se da fraca cotação do yuan, que provoca desequilíbrios no plano comercial.
Além disso, Brasil e Índia querem se tornar membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, pretensão apoiada pela Rússia, mas não explicitamente pela China.
A segunda cúpula dos Brics (com quatro membros), realizada no Brasil no ano passado, terminou concluída com um apelo à criação de uma ordem mundial "mais justa". A primeira tinha sido realizada em Ekaterimburgo (Rússia) em 2009.
A China não deu muitas indicações sobre o desenvolvimento desta terceira cúpula que, depois de ter sido anunciada a princípio para dois dias, parece se limitar por fim a apenas um dia, nesta quinta-feira.
BRASILE CHILE NO COMBATE À POBREZA
Os resultados obtidos no Brasil no combate à pobreza e a crescente oferta de proteção social à população de baixa renda têm servido de exemplo para outros países. A partir de amanhã (13), integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) participam de missão, no Chile, para debater a elaboração de projetos de cooperação. Participam do encontro, o diretor do Departamento de Condicionalidades da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), Daniel Ximenes, e o coordenador-geral do Projovem Adolescente e Serviços para a Juventude da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), Alexandre Reis.
Durante três dias, os representantes de ambos os países vão discutir projetos nas áreas de transferência de renda condicionada, acompanhamento de famílias, inclusão bancária e microsseguros. Um dos destaques da missão é a visita ao Programa Puente – um sistema de acompanhamento familiar da população mais pobre do Chile. “Também trabalhamos o acompanhamento familiar junto à população com alto grau de vulnerabilidade e risco social, que integra o Programa Bolsa Família, do MDS. O objetivo é promover um acompanhamento integral desse público, por meio de um trabalho interssetorial, que articula as áreas de educação, saúde e assistência social, e a troca de experiências com o Chile é de grande importância”, explica Daniel Ximenes. Para Alexandre Reis, o conhecimento aprofundado de outras experiências pode fornecer elementos que colaborem com a construção do modelo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) que o Brasil vem empreendendo. “Ambos os países ganham com o intercâmbio de informações e ideias”, afirma.
O evento, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, se encerra na sexta-feira (15). Este é o segundo encontro entre os dois países para estabelecer atividades e projetos de cooperação técnica.
Durante três dias, os representantes de ambos os países vão discutir projetos nas áreas de transferência de renda condicionada, acompanhamento de famílias, inclusão bancária e microsseguros. Um dos destaques da missão é a visita ao Programa Puente – um sistema de acompanhamento familiar da população mais pobre do Chile. “Também trabalhamos o acompanhamento familiar junto à população com alto grau de vulnerabilidade e risco social, que integra o Programa Bolsa Família, do MDS. O objetivo é promover um acompanhamento integral desse público, por meio de um trabalho interssetorial, que articula as áreas de educação, saúde e assistência social, e a troca de experiências com o Chile é de grande importância”, explica Daniel Ximenes. Para Alexandre Reis, o conhecimento aprofundado de outras experiências pode fornecer elementos que colaborem com a construção do modelo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) que o Brasil vem empreendendo. “Ambos os países ganham com o intercâmbio de informações e ideias”, afirma.
O evento, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, se encerra na sexta-feira (15). Este é o segundo encontro entre os dois países para estabelecer atividades e projetos de cooperação técnica.
NATURALIZADOS EM AUDIÊNCIA JUDICIAL
Dois irmãos argentinos e um nicaraguense foram naturalizados brasileiros na tarde de terça-feira (12/4) na Justiça Federal em Alagoas (JFAL). Os três estrangeiros estão no Brasil há mais de 30 anos, onde formaram família e toda vida profissional e pessoal.
O juiz federal titular da 1ª Vara, André Luis Maia Tobias Granja abriu a audiência conjunta, com a presença do Ministério Público Federal, solicitando que os três estrangeiros demonstrassem o domínio da língua oficial do Brasil, fazendo a leitura dos artigos 1º, 3º e 4º da Constituição Federal de 1988, relativo aos fundamentos da República Federativa do Brasil, aos seus objetivos fundamentais e aos princípios que regem suas relações internacionais. Em seguida, cada um entregou a cédula de identidade de estrangeiro, recebendo assim o certificado de naturalização que lhe atribuíram nacionalidade brasileira.
Trio naturalizado
A jornalista Gabriela Flores, 44 anos, e o seu irmão Fernando Flores, 40, estão no Brasil, especificamente em Maceió há 33 anos. A família deixou a Argentina em 1978 e os irmãos não têm nem mesmo sotaque. “Meu pai veio para a implantação da antiga Salgema em Alagoas, eu tinha 12 anos. Sei que jamais me adaptaria ao meu país de origem, onde meu único elo são familiares que tenho lá. Gosto de sururu, de farinha e tudo que é brasileiro e alagoano, só no futebol continuo a torcer pela Argentina”, brinca Gabriela, que veio para a audiência acompanha da filha de 9 anos.
Indagada sobre porque demorou tanto para buscar a naturalização, Gabriela explica ter sido acomodação, mas as pessoas ficavam estanhando a carteira de identidade estrangeira. “Também nunca votei e quero votar”, ressalta.
Fernando Flores é motorista e futuro radialista, tem filho e esposa brasileira. “Cheguei aqui aos 6 anos de idade. A gente mora aqui, paga impostos e nada mais justo do que regularizar a situação”, falou.
O nicaraguense, professor de História e Espanhol, Orlando Macias, 61 anos, reside no Brasil desde 1969, mas veio para Maceió em 1975. “Venho da Nicarágua, um país muito conturbado politicamente. Foi aqui no Brasil que formei família, meus filhos e netos. Maceió é minha jóia”, garante.
Do país de origem, segundo Orlando, só restaram às raízes cortadas, sonhos e lembranças de um passado na juventude. “O Brasil é a minha casa”, reforça
O juiz federal titular da 1ª Vara, André Luis Maia Tobias Granja abriu a audiência conjunta, com a presença do Ministério Público Federal, solicitando que os três estrangeiros demonstrassem o domínio da língua oficial do Brasil, fazendo a leitura dos artigos 1º, 3º e 4º da Constituição Federal de 1988, relativo aos fundamentos da República Federativa do Brasil, aos seus objetivos fundamentais e aos princípios que regem suas relações internacionais. Em seguida, cada um entregou a cédula de identidade de estrangeiro, recebendo assim o certificado de naturalização que lhe atribuíram nacionalidade brasileira.
Trio naturalizado
A jornalista Gabriela Flores, 44 anos, e o seu irmão Fernando Flores, 40, estão no Brasil, especificamente em Maceió há 33 anos. A família deixou a Argentina em 1978 e os irmãos não têm nem mesmo sotaque. “Meu pai veio para a implantação da antiga Salgema em Alagoas, eu tinha 12 anos. Sei que jamais me adaptaria ao meu país de origem, onde meu único elo são familiares que tenho lá. Gosto de sururu, de farinha e tudo que é brasileiro e alagoano, só no futebol continuo a torcer pela Argentina”, brinca Gabriela, que veio para a audiência acompanha da filha de 9 anos.
Indagada sobre porque demorou tanto para buscar a naturalização, Gabriela explica ter sido acomodação, mas as pessoas ficavam estanhando a carteira de identidade estrangeira. “Também nunca votei e quero votar”, ressalta.
Fernando Flores é motorista e futuro radialista, tem filho e esposa brasileira. “Cheguei aqui aos 6 anos de idade. A gente mora aqui, paga impostos e nada mais justo do que regularizar a situação”, falou.
O nicaraguense, professor de História e Espanhol, Orlando Macias, 61 anos, reside no Brasil desde 1969, mas veio para Maceió em 1975. “Venho da Nicarágua, um país muito conturbado politicamente. Foi aqui no Brasil que formei família, meus filhos e netos. Maceió é minha jóia”, garante.
Do país de origem, segundo Orlando, só restaram às raízes cortadas, sonhos e lembranças de um passado na juventude. “O Brasil é a minha casa”, reforça
BELMONTE É CASO INTERNACIONAL
Itamaraty diz que pedidos da OEA para interromper as obras da usina são "precipitados e injustificáveis"
Brasília. O Ministério das Relações Exteriores classificou de "precipitadas e injustificáveis" as solicitações da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, localizada no rio Xingu, no Pará. Na última sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)da organização aprovou medidas cautelares em favor das comunidades indígenas do rio Xingu.
A Comissão da OEA justifica as medidas cautelares por considerar que "a vida e a integridade pessoal dos beneficiários (dessas medidas) estariam em risco pelo impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte". Apelando para o cumprimento das "obrigações internacionais" do Brasil, essa comissão solicitou que o governo realize consultas com essas comunidades pra chegar a um acordo em relação ao impacto das obras. A OEA também solicitou ao Brasil que, previamente às consultas, as comunidades indígenas tenham acesso ao Estudo de Impacto Social e Ambiental do projeto da usina, "em um formato acessível, incluindo a tradução aos idiomas indígenas respectivos".
Resposta
Em nota oficial, o Itamaraty afirma que o governo tomou conhecimento "com perplexidade" das medidas solicitadas pela Comissão da OEA. "O governo brasileiro está ciente dos desafios socioambientais que projetos como o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte podem acarretar. Por essa razão, estão sendo observadas, com rigor absoluto, as normas cabíveis para que a construção leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais envolvidos", diz o Ministério, acrescentando que "o governo brasileiro tem atuado de forma efetiva e diligente para responder às demandas existentes".
O governo disse considerar as orientações da OEA "precipitadas e injustificáveis". Na nota, em cinco parágrafos, o Itamaraty conta o histórico de Belo Monte, lembrando que o processo de licitação foi autorizado pelo Congresso Nacional, em 2005, com base em estudos técnicos de ordem econômica e ambiental. Também ressalta que houve consulta a órgãos, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao cobrar a suspensão do processo de licenciamento da usina de Belo Monte, a OEA deu um prazo de 15 dias para o governo brasileiro adotar uma série de medidas em defesa da proteção dos povos indígenas da Bacia do rio Xingu.
No documento, a OEA recomenda que nenhuma obra seja feita na região até o cumprimento de algumas medidas como a realização de consulta com as comunidades indígenas afetadas, a disponibilização dos estudos de impacto ambiental e a adoção de medidas para proteção da integridade pessoal dos povos indígenas, além de programas de prevenção à disseminação de epidemias e doenças.
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada, em novembro de 2010, por entidades de defesa do Xingu e dos indígenas que lá vivem. De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto.
Belo Monte será a maior hidrelétrica totalmente brasileira (levando em conta que Itaipu é binacional) e a terceira maior do mundo. A usina terá capacidade de 11,2 mil megawatts e reservatório com área de 516 quilômetros quadrados.
Brasília. O Ministério das Relações Exteriores classificou de "precipitadas e injustificáveis" as solicitações da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, localizada no rio Xingu, no Pará. Na última sexta-feira, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)da organização aprovou medidas cautelares em favor das comunidades indígenas do rio Xingu.
A Comissão da OEA justifica as medidas cautelares por considerar que "a vida e a integridade pessoal dos beneficiários (dessas medidas) estariam em risco pelo impacto da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte". Apelando para o cumprimento das "obrigações internacionais" do Brasil, essa comissão solicitou que o governo realize consultas com essas comunidades pra chegar a um acordo em relação ao impacto das obras. A OEA também solicitou ao Brasil que, previamente às consultas, as comunidades indígenas tenham acesso ao Estudo de Impacto Social e Ambiental do projeto da usina, "em um formato acessível, incluindo a tradução aos idiomas indígenas respectivos".
Resposta
Em nota oficial, o Itamaraty afirma que o governo tomou conhecimento "com perplexidade" das medidas solicitadas pela Comissão da OEA. "O governo brasileiro está ciente dos desafios socioambientais que projetos como o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte podem acarretar. Por essa razão, estão sendo observadas, com rigor absoluto, as normas cabíveis para que a construção leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais envolvidos", diz o Ministério, acrescentando que "o governo brasileiro tem atuado de forma efetiva e diligente para responder às demandas existentes".
O governo disse considerar as orientações da OEA "precipitadas e injustificáveis". Na nota, em cinco parágrafos, o Itamaraty conta o histórico de Belo Monte, lembrando que o processo de licitação foi autorizado pelo Congresso Nacional, em 2005, com base em estudos técnicos de ordem econômica e ambiental. Também ressalta que houve consulta a órgãos, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao cobrar a suspensão do processo de licenciamento da usina de Belo Monte, a OEA deu um prazo de 15 dias para o governo brasileiro adotar uma série de medidas em defesa da proteção dos povos indígenas da Bacia do rio Xingu.
No documento, a OEA recomenda que nenhuma obra seja feita na região até o cumprimento de algumas medidas como a realização de consulta com as comunidades indígenas afetadas, a disponibilização dos estudos de impacto ambiental e a adoção de medidas para proteção da integridade pessoal dos povos indígenas, além de programas de prevenção à disseminação de epidemias e doenças.
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada, em novembro de 2010, por entidades de defesa do Xingu e dos indígenas que lá vivem. De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto.
Belo Monte será a maior hidrelétrica totalmente brasileira (levando em conta que Itaipu é binacional) e a terceira maior do mundo. A usina terá capacidade de 11,2 mil megawatts e reservatório com área de 516 quilômetros quadrados.
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