Para todas essas opções, a linha é continuísta. “Patriota é herdeiro intelectual do Amorim. Todos os outros também são muito alinhados a ele. A única possibilidade de alguma pequena mudança seria Jobim, o que sinalizaria uma movimentação em relação ao plano militar na política externa”, avaliou Alberto Pfeifer, membro do Conselho Empresarial da América Latina e analista do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (Gacint-USP).
Para Christian Lohbauer, também membro do Gacint, estes nomes fazem parte de uma escola ‘nacionalista’ do Itamaraty, que começou com Araújo Castro, diplomata do período imperial. “Eles foram doutrinados conforme o pensamento de que o Brasil pode mudar a geografia nacional, priorizando a agenda sul-sul, o que não traz benefício econômico nenhum”, afirmou.
Nesta estratégia, segundo Lohbauer, Lula se saía melhor. “Ele tem uma personalidade que se impõe, e foi criada uma imagem dele no mundo por sua história de vida. Esse carisma Dilma não tem. Ela é mais técnica", disse. "Na política externa, não haverá o mesmo traquejo e a mesma popularidade que Lula teve. Por isso, Dilma será ainda mais refém dessa escola. Montarão a agenda dela e terão muito mais força do que tinham com a autonomia moral de Lula.”
A nova chancelaria deve continuar a abrir embaixadas. Sob a batuta de Lula, o Ministério das Relações Exteriores inaugurou 62 representações diplomáticas e consulares pelo mundo. Atualmente, o país conta com 212 postos.
Muitos destes postos, no entanto, não têm qualquer relevância no cenário político e econômico internacional. “É a miragem do Brasil potência. Partindo disso, passa-se a acreditar que o país pode interferir em assuntos como o conflito no Oriente Médio e a questão nuclear no Irã”, afirmou Magnoli. “Essa miragem foi a base da política externa do governo Lula, continuará sendo a do governo Dilma, e faz com que o Brasil multiplique suas embaixadas em uma campanha estridente para conseguir uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU. Ou seja, a cara da nova política externa é a mesma da anterior.”