sábado, 26 de março de 2011

OBAMA EM SEU DISCURSO DISSE QUE BRASIL É EXEMPLO DE DEMOCRACIA

O Brasil é um “exemplo de democracia”, disse hoje o Presidente Barak Obama de visita ao Rio de Janeiro. Um exemplo que pode ser seguido pelos países do Médio Oriente e Norte de África.


A família Obama esteve na favela Cidade de Deus (Jason Reed/Reuters)



“A democracia é o maior parceiro do progresso”, declarou o Presidente, fazendo uma ponte para a mudança de regime na Tunísia e no Egipto, e para a situação na Líbia, onde “jovens se erguem para determinar o seu próprio futuro”.



Perante as 2200 pessoas que encheram o Theatro Municipal, Obama salientou os avanços económicos do Brasil. E apontou ainda para o muito que une os dois países, que devem relacionar-se como “parceiros iguais” e com interesses comuns. Ambos precisam de mais educação, infra-estruturas, expansão do comércio, novos postos de trabalho, exemplificou. “Como dois países que foram enriquecidos pela nossa herança africana, é fundamental que nos ajudemos a sair da pobreza. Este é um compromisso que devemos assumir juntos”.



O discurso acabou ao fim de 20 minutos, com fortes aplausos. Muitos leitores do Folha de São Paulo comentavam, no entanto, que não ficará para a história.



Este era um dos pontos altos da visita de Obama ao Rio, acompanhada por forte dispositivo de segurança: cerca de dois mil elementos, incluindo 800 militares do Exército (números da Folha de São Paulo), participaram na operação. A protecção passou também por colocar autocarros escolares para fechar as ruas que dão acesso ao teatro, adiantou o jornal.



A camisola do Flamengo

Obama tem utilizado o relvado da equipa de futebol Flamengo como heliporto para seus deslocamentos na cidade. Esta manhã, furou o protocolo e recebeu de presente uma camisola da equipa com o seu nome, das mãos da presidente do clube, Patricia Amorim. “Expliquei que o Flamengo é o clube de futebol mais popular e mais querido do Brasil”, disse Amorim no site oficial do clube na Internet.



Em seguida, Obama partiu para onde nenhum Presidente costuma passar. Uma estrela pop não teria uma recepção muito diferente na favela Cidade de Deus, na zona Oeste do Rio de Janeiro, com gritos “Obama cadê você? Vim aqui só pra te ver”. O Presidente acabou mesmo por andar 20 segundos no meio da rua e acenar à multidão que se acumulava no passeio, em varandas e telhados.



O líder americano foi à favela acompanhado pela mulher, Michelle, e as duas filhas, Sasha e Maliana. A família assistiu a uma apresentação de capoeira e outra de percussão feita por crianças. “Obama não demonstrou muita empolgação”, descreve a Folha de São Paulo. “Aplaudiu apenas uma vez, mas acompanhou tanto a apresentação folclórica de origem afro-brasileira como o grupo percussão com batidas de pé”. Já Michelle, adianta, “se mostrou a mais animada. Batia palmas marcando o ritmo o tempo todo e também acompanhava com os pés a marcação da percussão”.



E foi depois disto, e antes de entrar no carro, que Obama foi acenar à multidão. Em troca ouviu: “Obama eu te amo”, e “Obama eu te adoro”, lê-se no Globo. “Nunca imaginei ver aqui um Presidente negro”, confessou à AFP Leila Martiniano, uma dos 40 mil residentes da Cidade de Deus. “A visita do Presidente mais importante do mundo vai mudar a imagem de violência da nossa favela”.



No seu discurso – que incluiu algumas palavras em português, como “Cidade de Deus” e “meus amigos” – Obama afirmou que “as pessoas têm de olhar para as favelas não com pena”, mas como “um lugar de futuros”, “de onde podem sair médicos e advogados”.



Na véspera, o Presidente encontrou-se em Brasília com a sua homóloga Dilma Rousseff, com a guerra na Líbia a interferir com a agenda. O Brasil absteve-se na votação da resolução 1973 do Conselho de Segurança (CS) da ONU que autorizou o uso da força contra os alvos militares de Muammar Khadafi. A questão não foi abordada com Dilma, e a Casa Branca veio ontem afirmar que não houve qualquer tensão com a Presidente brasileira devido a essa divergência.