Ministério das Relações Exteriores do Uruguai poderá incluir na pauta conjunta da agenda de cooperação bilateral dos dois países os empreendimentos de economia solidária (EES). A possibilidade foi anunciada pelo diretor de assuntos limítrofes do ministério uruguaio, Daniel Betancur, durante reuniçao com o secretário de Economia Solidária e de Apoio à Micro e Pequena Empresa, Maurício Dziedricki, e da Habitação e Saneamento, Marcel Frisson, na tarde desta quinta-feira.
A comitiva brasileira apresentou a Betancur a proposta de formalização do primeiro termo de cooperação internacional entre os dois países, envolvendo o beneficiamento de rejeitos plásticos (garrafas PET) e sua transformação em tecidos. A proposta envolve uma cooperativa uruguaia e uma rede de cooperativas brasileiras.
O diretor uruguaio considerou a possibilidade de apresentá-la como um caso a ser incluído na agenda comum dos dois países. "Brasil e Uruguai têm em comum 500 quilômetros de fronteira. Uma decisão de um só lado não afeta apenas um dos países, mas a ambos e, portanto, deveriam ser tomadas em conjunto", exemplificou Bentancur, lembrando que, do lado uruguaio, a repercussão econômica sobre a a fronteira avança de 130 a 150 quilômetros dentro de seu território.
O secretário Dziedricki comentou não apenas da importância de viabilizar o caso concreto da reciclagem de PET, mas de estabelecer uma agenda própria de cooperação solidária Brasil-Uruguai, constituindo-se no primeiro exemplo do gênero na América Latina. Lembrou, inclusive, que a primeira agenda no Exterior do governador Tarso Genro foi no Uruguai, dando às questões bilaterais uma importância de Estado, tamanha à complexidade e importância que tem.
Ambos os lados comprometeram-se a viabilizar estudos técnicos para apresentar até a reunião das câmaras técnicas em abril, em Rocha, e avançar na possibilidade levantada. Brasil e Uruguai voltam a reunir seus departamentos diplomáticos entre os dias 5 a 7 de abril.