O embaixador do Brasil na Líbia, George Ney de Souza Fernandes, viajará à cidade de Benghazi, onde cerca de 20 pessoas foram mortas durante dois dias de manifestações contra o governo. A informação consta em uma nota distribuída à imprensa nesta sexta-feira (18) pelo Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores).
Segundo o ministério, Fernandes se reunirá com representantes da comunidade brasileira residente nessa cidade. O governo Líbio reconhece oficialmente que 14 pessoas morreram nas manifestações, apesar de relatos chegarem a 25 mortos. Segundo a agência France Presse, dois policiais foram enforcados por manifestantes na cidade de Al Baida.
Na nota, o Itamaraty informou que “o governo brasileiro acompanha com apreensão a situação na Líbia e repudia os atos de violência ocorridos durante as recentes manifestações populares, que resultaram em mortes de civis”.
Expressou ainda a “expectativa de que as aspirações do povo líbio sejam atendidas por meio do diálogo político” e disse que o governo brasileiro aconselha “as autoridades daquele país a respeitar e garantir os direitos de livre expressão dos manifestantes”.
Protestos se espalham pelo mundo árabe
Segundo fontes ouvidas pela rede de TV CNN e pela agência France Presse, 20 pessoas morreram apenas em Benghazi. A agência francesa também informa que sete pessoas foram mortas na cidade de Derna e que opositores enforcaram dois policiais, retaliando a repressão do regime de Gaddafi, no poder há 42 anos.
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Os protestos se espalham rapidamente pelo mundo árabe, uma semana após a queda do líder egípcio Hosni Mubarak. Nesta sexta-feira, milhares de pessoas voltaram à praça Tahrir, no Cairo, para comemorar o fim do regime de três décadas. A revolução no Egito e na Tunísia, onde o regime também desmoronou, inspira revoltas na Líbia, no Bahrein, no Iêmen e em Omã.
Na Líbia, os manifestantes chegaram a anunciar a tomada do controle de Benghazi. A resposta do regime foi rápida. O governo mobilizou o Exército e a repressão das forças de segurança e de milícias leais a Gaddafi deixaram 20 manifestantes mortos na cidade.
Os comitês revolucionários, pilares do regime de Muammar Gaddafi, ameaçaram os manifestantes contra o poder com uma resposta "violenta e fulminante", indicaram no site de seu jornal Azahf al Ajdar (A Marcha Verde).