A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu que o Egito permita a realização de protestos pacíficos. Ela destacou, ainda, que este é o momento propício para a adoção de reformas sociais, políticas e econômicas importantes para o país.
Segundo o cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Franklin Prein, Hillary está entregando os anéis para não perder os dedos. De acordo com ele, os Estados Unidos temem que, em uma confusão entre sunitas e xiitas, forças contrárias à presença americana cheguem ao poder.
– A revolta no Egito pode causar instabilidade em toda aquela região – disse, referindo-se ao Sudão, que acabou de realizar um referendo aprovando a divisão do país.
Prein observa que as próximas horas serão decisivas para saber qual será o futuro do país, e ele não exclui a possibilidade das forças egípcias reagirem de forma violenta e com o apoio internacional.
– Eles têm que fazer isso antes que o Irã possa se manifestar – comenta.
Força da rede O Twitter já havia mostrado a sua força na reeleição do presidente iraniano Mahmoud Ahmadnejad. Pelo microblog, oposicionistas armaram uma série de protestos que ganharam repercussão internacional.
No Egito, o governo bloqueou o Twitter e o Facebook, para que os internautas não pudessem incitar mais revoltas.
O Movimento 6 de abril um grupo de militantes favoráveis à democracia que existe na internet lançou uma espécie de pesquisa no Facebook com a pergunta: “você vai protestar em 25 de janeiro?”. Quase 90.000 pessoas responderam “sim” na web e o fato foi confirmado na terça-feira.
Leite compara o impacto do acesso à internet e sites ocidentais ao que a propaganda teve nos regimes socialistas.
– É uma guerra cultural de informação. Os fundamentalistas querem a volta a um mundo arcaico. Eles não investem em coisas que são normais para nós, como o direito das mulheres e das crianças.
Já Prein, relembra a luta contra a ditadura no Brasil, onde o rádio mobilizou as revoltas. Na época, o governo bloqueava as transmissões e os oposicionistas tinham que usar as rádios internacionais.
– A internet e as redes sociais romperam com a capacidade de censura e controle, necessários para a manutenção desses regimes ilegítimos – conclui.