quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ASSENTO PERMANENTE NO CONSELHO DE SEGURANÇA

O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou ontem que o apoio dos Estados Unidos à Índia para que passe a integrar o Conselho de Segurança da ONU não atrapalha a pretensão do Brasil de ter assento permanente no órgão.



Amorim argumentou que os dois países não brigam pela mesma vaga porque, se de fato houver reforma do conselho, todos os continentes terão que estar representados. Segundo ele, é certo que nesse cenário de mudanças o Brasil tem presença garantida.



\"[O apoio dos EUA] afetam positivamente porque mostra que [o presidente norte-americano Barack] Obama está com a cabeça aberta para a entrada de outros países\", disse. A declaração de apoio de Obama, para o chanceler, coloca a reforma \"na ordem do dia\".



Amorim não detalhou as propostas que o Brasil levará a Seul para reunião do G20. Disse, no entanto, que as medidas monetárias adotadas pelos Estados Unidos precisam ter \"uma certa supervisão\" e um reforço dos mecanismos multilaterais como forma de impedir que economias de outros países sejam afetadas.



\"Não podemos dar conselhos ao presidente dos Estados Unidos, mas é preciso reforço dos mecanismos multilaterais\", afirmou o chanceler.



O CS foi discutido pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua visita à Índia. Anteontem, em um discurso no Parlamento local, ele disse \"que, nos anos que vierem, desejamos um Conselho de Segurança reformado\" e apoiou a demanda do país asiático por um assento permanente.




\"Nos anos seguintes, eu espero ansiosamente por um Conselho de Segurança das Nações Unidas reformado que inclua a Índia como membro permanente\", disse Obama em discurso a Parlamento indiano, em sua primeira visita oficial à maior democracia do mundo.



Por outro lado, Obama alertou que a Índia teria que assumir um papel mais responsável em assuntos internacionais, como pressionar o governo de Mianmar para adotar a democracia. \"A Índia constantemente se esquivou de alguns desses assuntos. Mas falar por aqueles que não tem voz não é interferir nos assuntos de outros países.\"





O apoio a Índia vem num momento em que o país compete cada vez mais com a China pelos recursos globais, da África à América Latina. Mas sua assertividade econômica vem frequentemente acompanhada por uma diplomacia cautelosa em assuntos como Mianmar e as relações com o Irã.