quarta-feira, 24 de novembro de 2010

UM ESTUDO FUTUROLOGIA

Depois de obter 56,05% dos votos válidos no segundo turno das eleições presidências de 2010, a candidata oficial Dilma Rousseff conseguiu converter-se como era previsível na primeira mulher a ocupar a presidência do Brasil.



O interrogante imediato é saber até que ponto tomará a iniciativa ou se trabalhará à sombra de seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, que deixa a presidência com altos índices de popularidade (83%).



No plano interno, Rousseff -que contará com maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal- não só deverá evitar que sua imagem não se veja eclipsada pela de Lula, mas que também tentará avançar onde a gestão de seu mentor não foi eficiente: a luta contra a corrupção, a diminuição das desigualdades sociais e o analfabetismo funcional nos maiores de quinze anos.



Num contexto internacional favorável, a consolidação do crescimento esteve associada ao dinamismo da demanda doméstica graças, principalmente, ao crescimento do salário real, à ascensão da classe média e ao reforço dos planos sociais.



Não cabe nenhuma dúvida, pelo menos de imediato, que Dilma Rousseff continuará com os eixos da política exterior lulista -a integração sul-sul-,especialmente com os países de África e América do Sul, o impulso da presença brasileira em fóruns internacionais e a busca de parceiros não tradicionais como Índia ou China-, ainda que com um tom mais ameno. Há de se considerar que os esforços do Itamaraty, através das ações diretas de Celso Amorim, foram fundamentais para a forte imagem do Brasil perante a comunidade internacional.



Outro ponto que merece destaque em nossa análise, é que o Brasil de Rousseff deverá seguir buscando um lugar permanente no Conselho de Segurança como representante dos interesses da América Latina e manterá uma política exterior independente dos Estados Unidos, como se pôs de manifesto com o caso de Irã.



Já no plano regional, a presidenta eleita manifestou também seu desejo de apoiar um eventual diálogo com as FARC no caso de uma possível solicitação do presidente Santos. O Brasil não é só uma potência econômica emergente e um ator global com peso, mas que aspira ser uma potência militar regional que possa respaldar suas aspirações de potência mundial.



Assim, é possível que o governo de Rousseff provavelmente aprofunde a Estratégia Nacional de Defesa (END) - lançada em dezembro de 2008- com a que se pretende modernizar o aparelho militar e impulsionar uma indústria bélica nacional com capacidade tecnológica própria, inclusive a nuclear, com o objetivo de preservar seus recursos naturais e defender seu território nacional.



A grande pergunta é que grau de autonomia terá Dilma. A “criatura” está à frente da oitava economia do mundo, que desfruta seu status de poder emergente e põe a primeira letra dos BRIC, o grupo de países chamados a liderar a economia mundial.



A campanha presidencial não deu muitas pistas de seu caráter, pois se manteve ofuscada por Lula. Mas seus antecedentes falam de uma dama de ferro, uma mulher de caráter forte, temida por seus colegas no gabinete e com capacidade de comando.





Nos próximos quatro anos, Rousseff terá como desafio consolidar o Brasil como potência mundial. Mas é importante considerar que ela carece do olfato político de Lula, de seu carisma, sua empatia com os pobres ou sua capacidade de comunicar.



Brasil já é um importante ator global, mas Dilma Rousseff precisará por algum tempo da imagem de Lula para mostrar que o Brasil é o país do futuro.