No ano passado, o mundo viveu dias de grande expectativa em relação à Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), em Copenhague, na Dinamarca. O encontro, o primeiro após as eleições do presidente Barack Obama, era visto como histórico para o fechamento de consenso das metas e adoção de um novo protocolo de redução das emissões de gaes para substituir o de Quioto, que só vigora até 2012. Mas foi um fiasco.
Daqui a uma semana, no dia 29 de novembro, representantes de quase 200 países vão se reunir na COP-16, em Cancun, no México. Até 10 de dezembro, espera-se concluir o que ficou pendente na Dinamarca. O clima é de descrédito — até pelo estilo nada conservacionista da cidade turística. Para muita gente, a falta de expectativa pode ter um gosto de virada, só para contrariar.
Do lado dos pessimistas está a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, que afirmou que “não estão dadas as condições” para se adotar novo acordo de redução de emissões de gases do efeito estufa na próxima conferência. Segundo ela, o máximo que se tende a conseguir é “uma agenda básica”.
O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, também não tem grandes esperanças. “As expectativas para Cancun são modestas. Não esperamos chegar a um grande acordo”, afirmou, no Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
HORA DE CURAR A RESSACA
Líderes europeus estão se mobilizando para pressionar China, Estados Unidos e economias emergentes a prorrogar o Protocolo de Quioto, caso o documento não saia. A briga que gerou o impasse na Dinamarca foi entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, que empurravam um para o outro a responsabilidade sobre o combate às emissões que geram o aquecimento global.
Para ativistas do Greenpeace, “é hora de curar a ressaca de Copenhague e arregaçar as mangas”.“Mais um ano se passou, as temperaturas voltaram a bater recordes, as catástrofes naturais, como a intensa seca na Amazônia, batem à porta, relembrando que o aquecimento global é um problema sério e urgente”, diz Nicole Figueiredo, da campanha de Clima do Greenpeace. “Infelizmente, enquanto as negociações não caminham, as populações mais pobres já sofrem com o aquecimento global”, acrescenta.
O Greenpeace defende que os países participantes da COP16 assumam metas ambiciosas de redução de emissões, reconhecendo que um aquecimento em 2º graus é perigoso para a vida na Terra e que, para isto, o pico de emissões globais deve ser alcançado até 2015, começando a decair logo em seguida. Pede ainda pelo estabelecimento de um novo fundo para o clima, capaz de financiar pesquisa em inovação e medidas de adaptação e, por fim, demanda mecanismos de proteção de nossas florestas nativas.