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A possibilidade de existir mais um caça tampão parece bastante razoável e a ideia não é nova. A novidade está exatamente na possibilidade do Brasil adquirir caças Mirage 2000-9 usados provenientes da Força Aérea dos EAU como parte de um possível acordo de defesa entre os dois países.
O Mirage 2000-9 é uma das versões mais modernas da família Mirage, incorporando também soluções adotadas para o Dassault Rafale, da geração de caças posterior. O “traço nove” é superior até mesmo aos Mirage 2000 em uso pela Força Aérea Francesa (Armée de l’air). Ao todo, os EAU possuem perto de 60 caças no padrão “traço nove”, sendo que parte deles pertenciam a um lote anterior e foram modernizados. O lote mais recente começou a ser recebido em 2003.
Em parte, a configuração desses aviões pouco difere da proposta apresentada pelo consórcio Embraer/Dassault para o finado programa F-X. O grande temor está exatamente aí. Pelas quantidades existentes deste caça nos EAU (cerca de sessenta) e pela pouca idade destas aeronaves (metade deles possui menos de dez anos) é possível que o “tampão 2″ torne-se o caça padrão da FAB por muitos anos, extinguindo completamente o programa F-X2.
Se esta hipótese se concretizar, todo o projeto de se possuir uma aeronave moderna e no estad0-da-arte, com participação da indústria nacional e de acordo com as necessidades brasileiras irá por água abaixo. O próximo “tampão”, poderá não ser somente um tampão, mas o futuro caça da FAB pelas próximas duas ou três décadas.
Há tempos se fala que os Emirados Árabes Unidos querem que a Dassault receba de volta seus Mirage 2000-9, como requisito para comprar o Rafale (além das próprias exigências quanto à modernização do Rafale). Assim, a Dassault revenderia as aeronaves a um outro operador. Também há tempos se especula que essa negociação poderia terminar com os Mirage 2000-9 (em torno de 60 aeronaves) pousando aqui na Força Aérea Brasileira.
Vale lembrar que, dessas aeronaves, aproximadamente metade corresponde a modelos novos de fábrica (contrato assinado em 1998 e operacionais a partir de 2003). A outra metade é de um lote de 30 aeronaves Mirage 2000 de versões mais antigas (contrato de 1986), elevadas ao mesmo padrão. Para mais detalhes desse histórico, que inclui a tradição dos EAU em operar outros “Deltas” da Dassault desde os anos 1970, clique aqui para acessar um arquivo pdf da Dassault (em inglês), já disponibilizado para debate aqui no Poder Aéreo, no ano