Os EUA estão cooperando com o Brasil no programa antidrogas que o novo governo planeja para subsidiar ações contra o tráfico na Bolívia, afirmou à Folha o Departamento de Estado americano.
A intenção é evitar que os programas dos dois países compitam, disse Susan Pittsman, porta-voz do birô do departamento que lida com ações antidrogas.
O programa brasileiro foi anunciado no começo da semana pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Ele disse que haverá monitoramento maior na fronteira.
O vice-ministro da Defesa Social da Bolívia, Felipe Cáceres, já confirmou que o país aceita o subsídio brasileiro e disse que técnicos dos dois países trabalham atualmente em La Paz para desenhar um acordo antitráfico.
Os EUA afirmam ver as notícias com bons olhos, mas Pittsman se negou a entrar em detalhes sobre as negociações "por temer atrapalhar as conversas".
EUA e Brasil têm abordagens diferentes sobre o tema. O primeiro defende a erradicação de cultivos e militarização. O Brasil apoia o esforço boliviano e compartilha estratégias de inteligência.
Brasil e Bolívia já fizeram vários acordos de cooperação no passado, que incluem treinamento, troca de inteligência e monitoramento.
As parcerias sofreram abalo no ano passado, quando o então candidato à Presidência José Serra (PSDB) acusou La Paz de ser cúmplice do narcotráfico devido à grande quantidade de drogas bolivianas que chegam ao Brasil (cerca de 59% da cocaína que entra no país vem da Bolívia, segundo o ex-diretor geral da PF, Luiz Fernando Correa).